Ourofino: Muito além da reimaginação

Conteúdo Especial PLANT + Ourofino


Edição 27 - 21.10.21

Ourofino Agrociência

Com parceiras internacionais, registro de patentes e centros de excelência, Ourofino Agrociência reinventa o mercado de defensivos agrícolas

O sul-coreano W. Chan Kim tornou-se nos últimos anos um dos pesquisadores do universo corporativo mais celebrados do mundo. Autor do clássico “A Estratégia do Oceano Azul”, o professor do Insead, conceituada escola de negócio da França, diz que as empresas bem-sucedidas são aquelas capazes de se reinventar permanentemente. “É preciso inovar o tempo todo”, ressalta o pesquisador. No agronegócio brasileiro, poucas companhias estão tão sintonizadas com essa premissa quanto a fabricante de origem brasileira de defensivos agrícolas Ourofino Agrociência. Não à toa, também são raras aquelas que cresceram em ritmo tão intenso na última década.

Fundada em 2010, a Ourofino vive em 2021 um dos anos mais marcantes de sua história – o que é resultado sobretudo de seu permanente processo de evolução. A empresa, que sempre fabricou genéricos, estreou no mercado de patentes ao lançar, em junho, o produto Goemon, inseticida que age sobre lagartas que atacam principalmente as lavouras de soja e milho. “Com essa inovação, demos um passo imenso em direção ao futuro”, diz Marcelo Abdo, que assumiu o comando da Ourofino também em junho, após 5 anos no cargo de vice-presidente.

Abdo não está exagerando. De fato, colocar no mercado uma molécula patenteada representa uma grande transformação, na medida em que, além de expressar a capacidade da empresa para inovar, a destaca imediatamente como referência tecnológica de seu setor. Nesse aspecto, a Ourofino foi inteligente ao detectar, em 2019, uma tremenda oportunidade de negócio. Naquele ano, associou-se às japonesas Mitsui, e à ISK, especializada em pesquisa e desenvolvimento de novas moléculas de agroquímicos, que compraram respectivamente 20% e 5% da companhia brasileira.

A transação encurtou caminhos e deu novo impulso para as ambições da Ourofino. “A molécula que patenteamos foi desenvolvida pela ISK”, afirma Leonardo Araújo, diretor de marketing P&D e PDI da empresa. “Isso por si só revela como a parceira acabou sendo proveitosa para nós. Em apenas dois anos de atuação em conjunto com ISK, chegamos ao registro de uma patente.” De fato, não poderia haver maneira mais veloz para alcançar esse objetivo.

E não vai parar por aí. A Ourofino tem no pipeline diversas outras moléculas próprias e da ISK, e certamente algumas delas serão registradas como patentes no futuro próximo. Em certos casos, serão tropicalizadas para que suas formulações se adequem melhor às características brasileiras, numa sinergia inédita no mercado nacional.

A associação com a Mitsui é igualmente produtiva. O presidente Marcelo Abdo lembra que a Ourofino usa a estrutura do escritório da empresa japonesa na Índia para prospectar oportunidades em áreas como logística e transportes, além de desbravar novos fornecedores de matérias-primas. “É uma troca permanente de conhecimento”, reforça o executivo.

Embora a Ourofino tenha entrado para o mercado de patentes em agosto, a inovação está no DNA da empresa. Desde 2012, funciona em Guatapará, no interior de São Paulo, a sua Estação Experimental, um centro avançado de pesquisas que realiza, por exemplo, testes de formulações em túneis de vento e simuladores de chuvas. Atualmente, são quatro estações experimentais em operação – além de Guatapará, nas cidades de Cambé e Bandeirantes, ambas no Paraná, e Rio Verde, em Goiás.

A empresa também se mantém conectada com o ambiente acadêmico, associando-se a instituições como a Universidade Estadual de Maringá, Unesp/Botucatu e Universidade de Rio Verde, entre outras. As startups estão igualmente em seu radar. Um dos programas em andamento é o chamado Segnus, que consiste no monitoramento e aplicação de defensivos por via aérea. Para isso, a Ourofino conta com o apoio da Perfect Flight, agtech especializada no monitoramento de aplicação aérea. Outra iniciativa é o Programa Focus360, executado em parceria com a plataforma de gestão agronômica Agritask para o mapeamento de plantas daninhas.

Todos os anos, a Ourofino investe parte significativa do seu orçamento em Pesquisa e Desenvolvimento. No último, 2,5% de suas receitas foram destinados aos estudos, o que resulta numa série de inovações no mercado. A empresa possui uma linha de produtos que ganhou o sugestivo nome de “reimaginados”, que está em sintonia com o posicionamento criado em 2017 para ressaltar a expertise da empresa no desenvolvimento de produtos adaptados à realidade agrícola tropical: “Reimaginando a Agricultura Brasileira”. Marcelo Abdo explica. “Nos produtos reimaginados, o ativo é genérico, mas a formulação é inovadora”, diz o executivo. “Nós inclusive submetemos esses produtos ao registro de patentes.” Atualmente, lembra ele, há 8 produtos reimaginados no portfólio da empresa.

O registro de produtos é outro aspecto que mostra os diferenciais da Ourofino. Nesse campo, a empresa é mais veloz do que qualquer outra no país. Atualmente, ela consegue registrar suas formulações, em média, em 37 meses. No mercado, são 49 meses. Como se dá o milagre? “Em primeiro lugar, possuímos uma equipe que tem muito conhecimento, o que faz com que as solicitações raramente voltem com algum apontamento”, diz o presidente.

Todas essas iniciativas justificam as metas arrojadas definidas pela Ourofino. A empresa conta atualmente, entre portfólio principal e clones, com 68 produtos em seu portfólio. De 2021 até 2023, serão 106. A partir de 2023, o número chegará a 285. A mesma ousadia é observada no campo financeiro. O objetivo é alcançar R$ 3 bilhões de faturamento em 2026. Para efeito de comparação, a companhia fechará o ano com receitas de R$ 1,8 bilhão, mais do que o dobro de três anos atrás. Como se vê, o futuro está de portas abertas para a Ourofino.

 

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