Uma fazenda de guaraná no coração da floresta

Guaraná Antarctica completa 100 anos como modelo de produção sustentável do fruto da Amazônia


Edição 27 - 12.11.21

CPFL Soluções
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Por Daiany Andrade

Um século do refrigerante tipicamente brasileiro. De cor e sabor bem característicos, o Guaraná Antarctica chega a essa marca histórica com a vitalidade de quem sempre inovou. Muda o formato, o tamanho, o rótulo, o jingle… No entanto, algumas coisas não mudam. A tradição também é ingrediente essencial nessa trajetória. Há 100 anos é do fruto original da Amazônia que sai a bebida que se tornou símbolo do Brasil. Todo guaraná usado na fabricação sempre foi colhido e torrado artesanalmente na região.

“Nossos produtos são de fontes naturais, e mais do que isso, são locais”, disse o vice-presidente de sustentabilidade e suprimentos da Ambev (dona da marca), Rodrigo Figueiredo. Foi com foco no desenvolvimento sustentável, local e também no melhoramento genético do guaranazeiro, que a empresa iniciou uma produção própria em 1971, na Fazenda Santa Helena, em Maués, no coração da floresta amazônica, há 267 km da capital, Manaus.

Conhecido como a “Terra do Guaraná”, o município tem raízes indígenas. O nome, Maué ou Mawé, tem origem na língua tupi, e é como são chamados os povos da região, os Sateré-Mawé, conhecidos como os precursores do cultivo da planta do guaraná. Foi observando os índios Maués, em 1669, que o padre João Felipe Bettenford “descobriu” o guaraná. Ele viu que os índios amassavam o fruto em uma cuia e bebiam. Dessa forma tinham força e ficavam sem fome o dia inteiro. Além disso, o guaraná também era usado de forma medicinal.

O consumo diário do fruto é uma tradição até hoje. E muitos apontam esse hábito como responsável pela elevada longevidade dos habitantes do município. Há estudos que mostram que a cidade tem o dobro da média nacional de idosos com mais de 80 anos. Portanto, não foi por acaso que a região foi escolhida como base para a fazenda da Ambev, que é referência na produção de guaraná e é considerada o maior banco genético do fruto. Isso porque o foco da propriedade é o desenvolvimento agronômico e genético da planta. “Faz parte do nosso negócio entender a cadeia”, destaca Figueiredo.

Na última década, os novos cultivos registraram aumento de 140% na produtividade do fruto sem aumentar a área de plantio, segundo dados da fazenda. A atividade principal é a produção de mudas para os 2 mil produtores locais – de Maués e de municípios do entorno – que cultivam o fruto. Por ano, cerca de 50 mil mudas, com maior potencial de produção e resistência a pragas, são distribuídas aos agricultores parceiros da empresa, os principais responsáveis pela matéria-prima usada na fabricação do Guaraná Antarctica. Apenas 10% da demanda é colhida na Santa Helena.

“Em Maués, são mais de mil famílias produtoras de guaraná, que utilizam predominantemente mão de obra familiar e possuem, em média, 3 hectares de guaraná. A maioria possui baixa escolaridade e faz pouco uso das tecnologias existentes para a cultura”, conta a gerente agronômica da fazenda, Miriam Frota. “Nos últimos anos, com os trabalhos desenvolvidos, temos melhorado a organização dos produtores, a fim de fortalecer suas representatividades e lucro na comercialização da produção, com a venda direta. Além de buscar novos produtos e mercados a partir de certificações orgânicas e selo de Indicação Geográfica – IG”, destaca ela.

Porteira da fazenda e o beneficiamento dos frutos: Cultivo gera impacto para mil famílias da região.

 O Dia do Guaraná

Guardada pela exuberância da floresta amazônica, a fazenda tem 1.070 hectares de extensão. Cerca de 80% dessa área é de preservação e os outros 20% são destinados ao cultivo de mudas, desenvolvimento de novas variedades e à produção do guaraná. Números que demonstram a preocupação com a sustentabilidade e a conservação da biodiversidade. “A melhor forma de evitar o desmatamento é promover o desenvolvimento local”, reforça Figueiredo. Por isso, além de fornecer mudas de qualidade aos produtores, a empresa também promove treinamento e capacitação sobre as melhores práticas de cultivo.

Uma das principais ações organizadas pela marca é “O Dia do Guaraná”. Celebrada anualmente no município desde 1998, a data é marcada por comemorações e capacitação técnica. “Nesta ocasião, o Guaraná Antarctica convida os produtores agrícolas, técnicos e instituições voltadas ao setor rural de Maués para apresentar as técnicas desenvolvidas pela marca em nossa fazenda para aprimorar o cultivo do fruto”, conta Miriam.

Por muito tempo o evento foi realizado no período próximo à safra. Depois passou a ocorrer no início do ano, entre janeiro e fevereiro. ““Assim, podemos repassar orientações sobre manejo dos novos plantios aos produtores que estão recebendo as mudas, trocar experiências da última safra, comemorar os resultados e ainda propor ações aos desafios da cultura ao longo do ano”, explica a gerente da Santa Helena.

Com a pandemia, o evento foi suspenso, mas as orientações pontuais aos produtores continuaram sendo feitas. “O Dia do Guaraná” vai voltar a ser comemorado em 2022. Outras ações de capacitação são realizadas com parceiros institucionais locais de assistência técnica, de pesquisa e de extensão rural, como o Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam), a Universidade Federal do Amazonas, e a Embrapa Amazônia Ocidental.

Figueiredo da Ambev: “Faz parte do nosso negócio entender a cadeia”

“Desde 1985 nosso principal parceiro para melhoramento genético é a Embrapa, desenvolvendo pesquisas para escolha dos melhores materiais genéticos a serem reproduzidos. Alguns experimentos são conduzidos dentro da Fazenda”, afirma Miriam. Como resultado das pesquisas realizadas na Fazenda Santa Helena, pode-se citar a origem da variedade BRS-Maués, considerada uma das melhores variedades da planta, de acordo com o Sistema de Produção da Embrapa.

Com o objetivo de promover o desenvolvimento socioeconômico da região, a Ambev também atua em ações e parcerias em outras áreas. Em 2017, foi criada a Aliança Guaraná de Maués, uma rede de parceiros com uma meta em comum: melhorar a qualidade de vida da população. Grupos de trabalho para desenvolver atividades relacionadas ao turismo, educação, produção sociocultural e sustentável surgiram como resultado. “Tudo para que a comunidade evolua e cresça, valorizando sempre sua cultura e biodiversidade”, destaca a gerente agronômica.

Dessa forma, o guaraná se consolida como importante agente de transformação social, ambiental e econômica. Tripé que, como já sabemos, é essencial para o futuro da floresta amazônica.

 

TAGS: Amazônia, AmBev, Guaraná, Produção Sustentável