A CIÊNCIA CONTRA O TERROR

Governo americano abrirá laboratório de segurança máxima para estudar possíveis ameaças bioló


Edição 26 - 29.09.21

 

Governo americano abrirá laboratório de segurança máxima para estudar possíveis ameaças biológicas à agropecuária

Em 2002, um grupo de fuzileiros navais americanos fez uma intrigante descoberta ao invadir um bunker subterrâneo utilizado por membros do grupo terrorista Al-Qaeda no Afeganistão. Em meio a centenas de documentos, uma folha de papel, com uma lista de 16 patógenos, escrita à mão, chamou a atenção dos militares, a ponto de ser levada ao general Richard B. Myers, então comandante do Estado-Maior das forças militares americanas. Havia alguns antigos inimigos conhecidos relacionados ali, liderados pela bactéria causadora da peste bubônica. Ao lado de cada nome, informações como o período de incubação, forma de transmissão e taxa de mortalidade.

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O que despertou a curiosidade de Myers, porém, foi que a maior parte dos agentes microscópicos listados não provocavam mal direto a humanos. Na coluna das doenças provocadas por eles apareciam pragas como ferrugem do caule, brusone do arroz, febre aftosa, gripe aviária, cólera suína. Em um possível ataque biológico, concluiu o general, o alvo não eram pessoas – pelo menos não diretamente –, mas o sistema global de produção de alimentos.

A suspeita confirmou-se meses mais tarde, quando um relatório de um serviço militar de inteligência informou ter descoberto uma célula da Al-Qaeda no nordeste do Iraque, cuja missão era testar o efeito de patógenos em cães e cabras. Para as autoridades de segurança americana, ficou claro que, diferentemente do que ocorreu no atentado às Torres Gêmeas do World Trade Center, em Nova York, em 11 de setembro de 2001, eventuais novas ações do grupo terrorista poderiam ter como alvo áreas menos visíveis dentro do território americano: as fazendas que fazem dos Estados Unidos um dos principais produtores de alimentos do mundo.

As imagens não seriam tão espetaculares, mas os efeitos poderiam ser ainda maiores e sentidos por longo tempo. Levado ao meio rural americano, o terror biológico encontraria uma área menos vigiada pelos aparatos de segurança. Além disso, o investimento em multiplicar e espalhar pragas que afetam rebanhos ou lavouras é bem menor do que o necessário para organizar uma operação complexa em uma área urbana bem policiada. Nos Estados Unidos, a produção agropecuária é concentrada em poucos estados, o que facilitaria a proliferação dos patógenos.

dado, foram necessárias quase duas décadas e um investimento de cerca de US$ 1,25 bilhão para que os Estados Unidos apresentassem uma resposta efetiva a ela. Batizado de National Bio and Agro-Defense Facility (NBAF – Laboratório Nacional de Defesa Biológica e Agrícola, em uma tradução livre), deve ser inaugurado no ano que vem o mais moderno centro de pesquisas voltado à proteção do sistema americano de produção de alimentos.

Localizado em Manhattan, cidade do estado do Kansas bem no coração do cinturão agrícola do país, ele receberá equipamentos de última geração e o mais alto nível de segurança disponível para desenvolver mecanismos que impeçam ações de terrorismo biológico ou antídotos para o caso de essas ações terem ocorrido. O laboratório não estará sob supervisão da USDA, similar a um ministério de agricultura americano, mas do Departamento de Segurança Interna, que comanda todo o aparato de combate a ameaças ao território dos Estados Unidos.

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Até a abertura do NBAF, toda a pesquisa relacionada a possíveis agentes infecciosos com potencial de serem usados como armas biológicas sobre o rebanho americano está concentrada em uma única instalação do governo americano, o Animal Disease Center (Centro de Doenças Animais), inaugurado nos anos 1950 pelo USDA na ilha de Plum, na costa do estado de Connecticut. É lá, por exemplo, que se realizam as pesquisas para desenvolvimento de uma vacina contra a peste suína africana, considerada uma das mais letais ameaças à produção global de suínos.

Envolto em mistério e lendas, o laboratório de Plum já foi objeto de uma reportagem da PLANT (edição 17). Seu grande trunfo é a localização em uma ilha de acesso restrito. Mas as autoridades americanas há tempos consideram essa proteção natural pouco efetiva e vinham reclamando do fato de o local não estar adequado ao nível 4 de biossegurança, o mais alto patamar para evitar a disseminação de vírus e outros micro-organismos.

Além disso, as instalações de Plum não estão preparadas para receber grandes animais para serem estudados em condições de isolamento. Atualmente, há apenas três laboratórios no mundo nesse estágio – um na Alemanha, um na Austrália e outro no Canadá. O quarto será justamente o NBAF. Para lá serão levadas amostras dos piores inimigos do agronegócio global. A esperança é que, com a ajuda de cientistas atuando em segurança máxima, a lista da morte da Al-Qaeda dê origem a uma lista da vida.

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TAGS: Agro, agropecuária, Estados Unidos, Produção de alimentos, Segurança, sistema global de produção de alimentos., terrorismo