Rodrigo Santos vai liderar Bayer-Monsanto na América Latina

Presidente da Monsanto na América do Sul ganha espaço na estrutura da nova companhia

“Se nossa floresta tem mesmo valor para o mundo, por que o Brasil não é reconhecido e recompensado como grande guardião desses recursos?”

Caio Penido, ativista agroambiental e empresário, Top Farmer Sustentabilidade 2018


11.05.18

Por Luiz Fernando Sá

O anúncio da saída do CEO da Monsanto, Hugh Grant, da companhia após a efetivação da fusão com a Bayer foi o estopim para a divulgação das primeiras informações sobre qual será a cara da empresa que surgirá após a concretização dessa união. Desde a última segunda-feira, dia 7, tanto a gigante alemã quanto a americana passaram a comunicar a seus funcionários e ao mercado quem serão os líderes das principais áreas de negócios em todo o mundo.

No Brasil, não foi diferente. Na sede da Monsanto na zona Sul de São Paulo, o atual CEO da empresa para a América do Sul, Rodrigo Santos, revelou a sua equipe que, a partir do momento em que a fusão receber a derradeira aprovação — ainda pendente no Departamento de Justiça dos Estados Unidos, mas com previsão de ser concluída ainda este mês — ele receberá novas atribuições, passando a responder por toda a América Latina, incluindo o México e toda a América Central. Uma nota distribuída para o mercado tornou pública a informação, mas com um detalhe: não citava que sua alçada incluirá, então, a totalidade das operações de Crop Science de Bayer e Monsato juntas, conforme apurou a PLANT.

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Santos, engenheiro agrônomo formado pela Esalq, se reportará a Brett Begemann, também oriundo da Monsanto, que se tornará o principal executivo da áera comercial da nova companhia, abaixo apenas de Liam Condon, futuro presidente global. Condon é, atualmente, membro do Conselho de Administração da Bayer e presidente mundial das áreas de Crop Science e saúde animal.

Os nomes de Condon e Begemann foram confirmados como líderes de um time de executivos que parece ter sido montado para gerar equilíbrio de forças entre as duas companhias na futura estrutura corporativa. Embora a Bayer esteja no papel de compradora, percebe-se pelos nomes e pela manutenção do comando de algumas áreas também em St. Louis, nos Estados Unidos, que em Monheim, na Alemanha, houve cuidado em valorizar os ativos e as cabeças da Monsanto.

Há importantes quadros oriundos na Monsanto no novo esquadrão de elite. Sobretudo na área de agricultura digital, que permanecerá baseada nos Estados Unidos. Para o comando dessa divisão os alemães escolheram Mike Stern, atual CEO da The Climate Corporation. Há cerca de três anos a Monsanto havia pago quase US$ 1 bilhão pela empresa, transformando-a no primeiro unicórnio AgTech. Há cerca de um ano, Stern visitou o Brasil e falou com exclusividade para a Plant.

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