Santander DATAGRO: Abertura de Safra

"Santander DATAGRO: Abertura de Safra Cana, Açúcar e Etanol 2021/22” por Ronaldo Luiz


05.05.21

A FRASE "SANTANDER, NA CIDADE OU NO CAMPO, A GENTE APOIA O EMPREENDEDOR" SOBRE UM FUNDO VERMELHO
SANTANDER, NA CIDADE OU NO CAMPO, A GENTE APOIA O EMPREENDEDOR

Santander DATAGRO: Abertura de Safra Cana, Açúcar e Etanol 2021/22 destaca resultados e potencial de descarbonização promovida pelo setor sucroenergético nacional

Brasil é exemplo global de matriz energética limpa e renovável, tendo o potencial da bioenergia, especialmente a originária da cana-de-açúcar, como pilar.

Ronaldo Luiz

Os ministros Bento Albuquerque (Minas e Energia) e Ricardo Salles (Meio Ambiente) destacaram todo o esforço de descarbonização promovido pelo setor sucroenergético nacional, como item-chave para que o Brasil tenha uma das matrizes energéticas mais renováveis e limpas do planeta. Os ministros foram as principais autoridades, que participaram da cerimônia de abertura do tradicional evento, que em sua 5ª. edição já se tornou referência absoluta para o setor, o “Santander DATAGRO: Abertura de Safra Cana, Açúcar e Etanol 2021/22″, realizado nos dias 10 e 11 de março em formato on-line, devido às recomendações de distanciamento social e de saúde como medidas de segurança em relação à covid-19.

“O Brasil é exemplo de matriz energética limpa, tendo o potencial da bionergia proveniente da cana-de-açúcar – 2a. fonte energética do país – como um de seus pilares”, ressaltou Albuquerque, que, em sua fala, também mencionou a resiliência do RenovaBio [Política Nacional de Biocombustíveis] ao ser implantado em 2020, ano absolutamente desafiador, em razão, dos impactos decorrentes da pandemia.

Em sua exposição, o ministro Albuquerque adiantou, ainda, que a pasta de Minas e Energia trabalhava, na ocasião, no desenvolvimento do programa “Combustível Futuro”, que terá como objetivo fomentar políticas públicas, que combinem o avanço de combustíveis verdes com novas tecnologias automotivas. E, pouco mais de um mês depois, no dia 20 de abril, de fato, a pasta confirmou aprovação, por parte do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), de resolução que instituiu o Programa.

Já o ministro Salles acentuou que o setor sucroenergético brasileiro é exemplo global de sustentabilidade. De acordo com o titular da pasta do Meio Ambiente, o portfólio nacional de atributos e ativos ambientais é gigantesco, mas precisa ser monetizado por meio de mecanismos de mercado, que atestem a descarbonização, citando, como exemplo, os Créditos de Descarbonização (CBios), títulos atrelados ao RenovaBio. “Precisamos dar o devido valor, dar preço à nossa biodiversidade e sustentabilidade.”

Salles frisou que o governo federal irá atuar para, cada vez mais reafirmar, que o carro movido a biocombustíveis, especialmente o etanol, é a alternativa mais viável, confiável e adequada para o Brasil se comparada à tendência pura e simples dos veículos elétricos europeus, que é ancorada na obtenção de energia a partir de fontes fósseis. “Precisamos frequentemente mostrar à indústria automobilística, que o mais coerente para o Brasil é o carro híbrido elétrico-etanol.”

Mais lideranças em destaque

O vice-presidente executivo do Santander, Mário Opice Leão, classificou o RenovaBio como exemplo de programa, que une o agronegócio e a sustentabilidade, e antecipou que o banco prepara o lançamento de uma publicação dedicada à Política Nacional de Biocombustíveis.

Já o deputado federal Arnaldo Jardim, um dos principais parlamentares ligados ao setor sucroenergético, elencou, em sua participação, alguns desafios do segmento, como, por exemplo, a tributação incidente sobre os CBios – que não está totalmente equacionada, segundo ele -, bem como que a cadeia produtiva precisa estar disposta a discutir de modo mais enfático o cenário de aumento no preço dos combustíveis.

Também presente à transmissão, o presidente da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), Evandro Gussi, frisou a envergadura do RenovaBio, o potencial dos CBios – como ativos para o mercado de créditos de carbono – e o começo de um entendimento por parte da indústria automobilística instalada no país, de que a eletrificação da frota, de acordo com o modelo europeu, não é a mais indicada para o Brasil.

O presidente do Fórum Nacional do Setor Sucroenergético, André Rocha, lembrou ainda da importância da manutenção de ações de comunicação como processo imprescindível para valorização do etanol. Ademais, o presidente da DATAGRO, Plinio Nastari, fez um breve balanço da safra 2020/21, assim como registrou algumas expectativas para o novo ciclo – agora já em curso.

“A temporada 2020/21 foi extremamente desafiadora, devido à pandemia, clima, volatilidade nos mercados, oscilações no câmbio, mas o setor sucroenergético se manteve firme, e entregou produção recorde tanto em açúcar e etanol, bem como cumpriu o objetivo de implantação do primeiro ano do RenovaBio. A despeito dos efeitos do clima, que também devem impactar este novo ciclo, a safra 2021/22 promete ser exitosa.” Também participaram da cerimônia de abertura, o prefeito de Ribeirão Preto, Duarte Nogueira; Alexandre Andrade (Feplana), Luiz Carlos Jorge (CeiseBR) e Denis Arroyo (Orplana).

Luiz Felipe Nastari durante evento.

Raio-x dos principais painéis

:: Segmento avança forte em políticas de ESG

Reunidos em painel sobre a agenda (ESG) – Environmental, social and corporate governance, na sigla em inglês -, especialistas enfatizaram os avanços do setor sucroenergético em ações de caráter socioambiental e de governança. Participaram deste painel Mario Campos Filho, presidente do Siamig; Otávio Tufi, auditor do Benri; Renata Camargo, coordenadora da Unica; e Benjamin Bourse, diretor da Control Union.

Segundo eles, os esforços de ESG da cadeia produtiva sucroenergética fortalecem e mostram o grau de transparência, profissionalismo e modernização do segmento, endereçando um processo favorável de elegibilidade para o acesso a mercados diferenciados – tanto em nível doméstico, e sobretudo externo -, bem como também para captação de novos investimentos.

“O mercado valoriza cada vez mais a agenda ESG, e isso é passaporte para clientes e recursos”, ressaltou Campos Filho. De acordo com Bourse, o volume de certificações socioambientais existentes no setor sucroenergético é uma clara demonstração de que o segmento está atento à importância desta temática para a estratégia de negócios.

Em sua exposição, Tufi mostrou, por exemplo, a busca contínua por economia de combustível no maquinário agrícola usado no dia a dia das fazendas e usinas de cana, além da expansão do uso de fontes renováveis, como, por exemplo, o biometano para o funcionamento dos equipamentos. Já Renata apresentou a iniciativa estruturada do segmento para recuperação e conservação florestal, especialmente no tocante às Áreas de Preservação Permanente (APPs), entre as quais as matas ciliares.

:: Financiamento do agro avança em captação no mercado privado

A agenda de financiamento do agronegócio como um todo – inclusive, claro, o setor sucroenergético – será cada vez mais vinculada à captação no mercado privado [bolsas, fundos de investimentos, títulos verdes, entre outras fontes], com o crédito rural oficial sendo direcionado às atividades de subsistência, afirmaram os especialistas Carolina Troster, sócia da DATAGRO Financial; Fabian Valverde, da Paketá Crédito; e Fabrizzio Sollito Marchetti, da Navi, em painel sobre o tema.

De acordo com os participantes, o avanço de ferramentas digitais no dia a dia do agro, seja no campo ou nos processos de inteligência para análise de dados da atividade em si, contribui, cada vez mais, para um diagnóstico mais preciso do compliance socioambiental e da saúde financeira dos negócios, em uma espiral, que pode favorecer a diminuição do custo de capital junto a fontes privadas.

Entretanto, segundo os especialistas, ainda falta um maior conhecimento, por parte dos agentes do mercado privado, das especificidades do agro e de como estas particularidades, que são diferentes de cultura para cultura, são itens-chave como critérios para oferta personalizada de crédito. Ademais, os participantes também destacaram as oportunidades de financiamento, que despontam das agrofintechs, bem como que surgirão a partir do Fiagro (Fundos de Investimento para o Setor Agropecuário).

:: Preços do açúcar devem continuar em margens confortáveis

Com a expectativa de ligeiro déficit no mercado mundial na safra 2021/22 – consumo levemente superior à oferta -, os preços do açúcar devem continuar apresentando margens confortáveis para os produtores do adoçante, destacaram Maurício Sacramento, executivo de açúcar da Cofco; Ulysses Carvalho da Sucden; e Ivan Melo Filho, sócio da DATAGRO Financial, em painel relativo ao assunto.

De acordo com Carvalho, os preços do açúcar têm registrado máximas históricas, o que endereça uma safra, no ciclo 2021/22, novamente mais açucareira. “De fato, o açúcar, assim como o etanol estão com boa remuneração”, ressaltou Sacramento.

Segundo Mello, o avanço no controle da pandemia da covid-19, em nível global, sinaliza que o mercado de açúcar possa registrar uma alta no consumo de aproximadamente 1,5%. No que diz respeito às exportações brasileiras do adoçante, o sócio da DATAGRO Financial mencionou que a China deve permanecer com um dos grandes importadores nesta nova temporada.

:: Internacionalização do uso do etanol

Representantes dos ministérios das Relações Exteriores (MRE) e das Minas e Energia (MME) trataram das oportunidades e, sobretudo, dos desafios para viabilização de uma trajetória bem-sucedida de internacionalização do uso do etanol.

De acordo com o chefe da divisão de promoção de energia do MRE, Renato Godinho, a energia limpa e renovável, gerada a partir de biomassa, é primordial para que a matriz energética brasileira seja considerada uma das “mais verdes” do planeta. “Este cenário, tem o etanol, seja como aditivo ou combustível principal, protagonista. A experiência brasileira é exemplo concreto para que países, que tenham potencial similar, possam replicá-la.”

Segundo o diretor do departamento de biocombustíveis do MME, Pietro Mendes, a expansão do uso do etanol passa, impreterivelmente, pelo esforço contínuo de comunicação da mensagem de que a utilização de biocombustíveis acarreta, obviamente, não somente em vantagens ambientais [pela melhoria do ar e consequentemente da saúde pública em geral], bem como também traz benefícios econômicos e sociais, como geração de novos negócios, renda e emprego em sintonia com agenda global de sustentabilidade.

Nesta linha, o embaixador indiano em solo nacional, Suresh Reddy, enalteceu o intercâmbio cada vez maior entre ambos os países. “Todos os dias, acompanho notícias sobre novos projetos, que estão sendo desenvolvidos no Brasil, e muitos de nossos empresários do setor de cana manifestam cada vez mais interesse em visitar as usinas brasileiras.”

:: Plantio e reaproveitamento de resíduos

O reaproveitamento de sobras e resíduos da cadeia produtiva da cana-de-açúcar como matérias-primas para fabricação, por exemplo, de fertilizantes, e a consolidação do sistema de Mudas Pré-Brotadas (MPB), desenvolvido pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC), foram destaques de painel sobre tecnologia agrícola para o segmento.

O fundador da Agrion Agrisolutions, Ernani K. Judice, ressaltou que sobras e resíduos, como, por exemplo, torta de filtro, vinhaça, – somente para citar dois – passaram a não ser mais totalmente descartados pelas usinas, sendo compreendidos como subprodutos/coprodutos para reutilização em processos como o de adubação.

Já o diretor do Centro de Cana do IAC, Marcos Landell, falou sobre o avanço e uso cada vez maior no setor do modelo de (MPB), tecnologia que contribui para produção rápida de mudas combinada ao elevado padrão de fitossanidade e vigor, que resulta em uma boa uniformidade das linhas de plantio. Segundo ele, o sistema vem aumentando a eficiência e os ganhos econômicos na implantação de viveiros, no replantio de áreas comerciais e na renovação e expansão de canaviais.

A tecnologia de MPB permite mudar a forma de produção de mudas. No lugar dos colmos como sementes, entram as mudas pré-brotadas que são produzidas a partir de cortes de canas, chamados minirrebolos – onde estão as gemas. Depois passam por uma seleção visual e são tratados com fungicida. São colocados em caixas de brotação, com temperatura e umidade controlada, e ao final colocadas em tubetes que passam por duas fases de aclimatação. O ciclo completo leva 60 dias. O sistema envolve a formação de viveiros para multiplicação rápida de novos materiais de cana. É um método simples, que também pode ser adotado por pequenos produtores e cooperativas, não ficando restrito às usinas.

Condições de mercado devem garantir rentabilidade aos produtores de cana-de-açúcar na safra 2021/22, diz estudo da Conab

Segundo o órgão, no caso do açúcar, perspectiva é que exportações continuem aquecidas, o que deve dar suporte aos preços internos.

As condições de mercado devem garantir a rentabilidade dos produtores de cana-de-açúcar para a safra 2021/22. O cenário externo apresenta estabilidade quando comparado ao período anterior. Se no início da pandemia a desvalorização do petróleo influenciou na queda dos preços internacionais entre março e abril de 2020, os meses seguintes foram marcados pela recuperação das cotações, em razão da limitação dos estoques globais da safra 2020/21. Tendência que pode ser mantida para esta safra, conforme indica estudo da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Segundo a análise, a perspectiva é que as exportações continuem aquecidas, o que deve dar suporte aos preços internos. A conjuntura da taxa de câmbio elevada, aliada a preços internacionais atrativos, contribuiu para uma exportação de cerca de 32,2 milhões de toneladas de açúcar na safra 2020/21, o que representa um aumento de 69,8% na comparação com o mesmo período de cultivo em 2019/20. As expectativas atuais são otimistas e indicam forte crescimento da venda antecipada de produção no mercado futuro.

As cotações internacionais do açúcar voltaram a recuar no último mês de março, no entanto, a queda dos preços é limitada pela estimativa de redução dos estoques globais na safra 2020/21 e adversidades climáticas em países produtores. No caso do etanol, o país também registrou aumento nas vendas externas. A exportações foram de cerca de 2,9 bilhões de litros na safra 2020/21, um aumento de 55,1% em relação à temporada anterior. Já as importações tiveram queda de 65,2% e estão estimadas em 581,6 milhões de litros. A perspectiva é que o fator cambial continue favorecendo as exportações e limitando as importações do biocombustível nesta safra. Já a demanda interna de etanol deve apresentar melhora à medida que a vacinação contra a covid-19 for avançando.

 

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