Esalqueanos, por Fernando Sampaio

Há um certo senso de orgulho em todos os profissionais de Ciências Agrárias do País. Quem poderi


Edição 8 - 26.03.18

Há um certo senso de orgulho em todos os profissionais de Ciências Agrárias do País. Quem poderia não se orgulhar de contribuir para o avanço do setor mais relevante da economia nacional?

Absolutamente todo cidadão brasileiro, e muitos fora do Brasil, da hora em que acordam à hora de dormir, comem e bebem agronegócio, vestem agronegócio, abastecem agronegócio, usam agronegócio.

Temos orgulho, sim. O brasileiro também tem orgulho, sim.

Haverá ofício mais nobre do que o de produzir alimentos? Segurança alimentar é paz, nos lembra nosso esalqueano e ex-ministro Roberto Rodrigues. Somos, portanto, mensageiros da paz.

Há um orgulho adicional em ser esalqueano.

Esalqueanos ostentam o nome da “Luiz de Queiroz” por onde passam. Esalqueanos procuram-se nos recantos mais longínquos. Esalqueanos, sempre que podem, regressam à alma mater.

É claro que existem excelentes profissionais de diferentes faculdades de Agrárias no País.

Mas não nos tiram o panache…

A Esalq atrai, transforma e liberta os seus a cumprir missão vitoriosa.

Seria temerário tentar aqui listar, sob o altíssimo risco de esquecer alguém, esalqueanos que foram e são fundamentais na história do agronegócio no País. Foram muitos. São muitos. Foi emblemático o momento no Global Agribusiness Forum de 2015 em que os esalqueanos foram chamados ao palco, deixando a plateia meio vazia. Mas esse espaço, que honrosamente inauguramos, fará jus a esses esalqueanos e suas obras, que aqui serão citados, lembrados, visitados.

Mas o que é ser esalqueano?

Dizia o Analista de Bagé, impagável personagem de Verissimo sobre sua infância: O que não aprendi no galpão, aprendi atrás do galpão. A Esalq, dentro das salas de aula, nos deu conhecimento de excelência. Plantar, criar e conservar, a Esalq existe para ensinar. A Esalq, fora das salas de aula, nos deu muito mais do que isso.

Esse muito mais traduz-se nesse sentimento de irmandade que acomete os esalqueanos pela vida toda, sentimento forjado nas alegrias e tristezas, nas agruras do primeiro ano, na vida da república, nas ruas de Piracicaba, nas celebrações, nos amores esalqueanos, nas amizades esalqueanas. Amizades da sua turma, das turmas que passaram antes, das turmas que passaram depois, da turma dos parentes esalqueanos, da turma do time, da torcida, da Atlética, da república, dos esalqueanos da mesma cidade, do mesmo estágio, dos amigos dos amigos dos esalqueanos.

E esalqueanos são versáteis. Há esalqueanos do Oiapoque ao Chuí. Há Associações de Esalqueanos no Mato Grosso (imbatível Aemat), no Mato Grosso do Sul, em Rondônia, em São Paulo, e na região de Campinas (a Aecamper) quiçá haverá outras. Há esalqueanos nos cinco continentes. E há a Adealq, associação de todos os ex-alunos da gloriosa, mãe de todos nós.

Há esalqueanos em multinacionais, em tradings, indústrias de alimentos, bancos, fundos de investimentos, fazendas, ONGs, redes varejistas, ministérios, secretarias, Big4, universidades. Há os empresários, os produtores, os melhoristas, os extensionistas, os consultores e até os cervejeiros.

É uma formidável network, diríamos nestes tempos modernos. Um Posto Ipiranga do agronegócio. Dados econômicos? Perguntamos a um esalqueano. Aquela manchinha na folha de soja? Perguntamos a um esalqueano. Oferta de milho para confinamento? Esalqueano. Vagas para agrônomos? Esalqueano. Preço do boi? Esalqueano. Carona para Cuiabá? Esalqueano. Cerveja? Esalqueano. Doação de sangue? Esalqueano. Até rezamos uns pelos outros, sempre que solicitado.

Mas enxergar essa rede de relações sólidas apenas como oportunidade de negócios é diminuí-la. Acredite, onde esalqueanos estiverem eles se encontrarão. Mesmo que não precisem de nada um do outro. E, mesmo que não se conheçam, sentarão juntos. E, caso se conheçam, melhor ainda. Perguntarão dos amigos, e se lembrarão de histórias, e de jogos de rúgbi, e de professores, e de festas memoráveis, e de viagens juntos, e de muitas outras coisas. E aprenderão sobre o que o outro anda fazendo.

Talvez seja essa a razão desse laço duradouro. A vida nem sempre é fácil depois que deixamos os bancos escolares. Aliás, nunca é fácil. Mas é mais leve quando olhamos para o lado e reconhecemos naquele que ostenta o “A” Encarnado alguém com quem partilhar essa jornada. Alguém que acredita, como você, na vocação deste País. Alguém que viveu algo que você também viveu. Alguém desse bando de irmãos.

*Fernando Sampaio é engenheiro agrônomo pela Esalq/USP (Alma F97) e atualmente é diretor executivo da Estratégia Produzir, Conservar e Incluir do Estado do Mato Grosso. 

A coluna “Esalqueanos” é publicada em parceria com a Adealq, Asociação dos Ex-Aunos da “Luiz de Queiroz” – há 75 anos conectando Esalqueanos

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