Uma briga de gigantes na aviação

Coluna AGRO COM ASAS - Por Tiago Dupim


17.07.18

Com 13 anos de experiência no mercado aeronáutico, o paranaense Tiago Dupim atuou como repórter, editor-executivo e editor-chefe de algumas revistas do setor. Atualmente, comanda a B2B Comunicação. Morou duas décadas em São Paulo e está há dois anos no Rio de Janeiro. Nas horas vagas (que são muito poucas) gosta de ouvir um bom rock’n roll, beber um bom vinho ou cerveja e acompanhar, mesmo que a distância, o Clube Atlético Paranaense, seu time de coração.

O principal assunto do momento na aviação é sem dúvida a parceria entre a brasileira Embraer e a norte-americana Boeing. Ambas assinaram recentemente um memorando de entendimentos com as premissas básicas para a criação de uma empresa de capital fechado, que receberá a parte de aviões comerciais da companhia brasileira.

O movimento por parte das empresas faz sentido. No final do ano passado, a gigante europeia Airbus e a Bombardier se tornaram parceiras no programa CSeries da empresa canadense para os jatos CS100 e CS300, que, assim como os bem-sucedidos EJets (jatos da Embraer para a aviação comercial), atuam na faixa de 100/150 assentos.

No entanto, diferentemente do programa da brasileira, líder e sucesso absoluto no seu segmento, o CSeries enfrentou inúmeros problemas durante o seu desenvolvimento e as vendas não evoluíram como esperado. A solução foi incluir no programa a Airbus, que ainda não atuava nesse nicho de jatos menores. Com isso, a Embraer ganhou um concorrente difícil de ser batido sozinho. A solução foi agir rápido e estabelecer uma parceria com a Boeing. Não havia outra saída e, por mais que muita gente torça o nariz, a decisão foi a correta.

O resultado da nova “guerra dos ares” começou a aparecer na semana passada, quando a companhia aérea JetBlue, até então um dos principais clientes da Embraer, anunciou a encomenda de 60 jatos A220-300 (novo nome do CS300) que substituirão 60 aeronaves Embraer 190.

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Você pode estar se perguntando o porquê do tamanho interesse de Airbus e Boeing pelo nicho das aeronavaes médias (mais usadas na aviação regional, que atende a boa parte das linhas mais relevantes para o agronegócio), dos quais ambas nunca dependeram antes para serem companhias de sucesso. O fato é que, para os próximos 20 anos, mercado que prevê a entrada de 6.000 jatos. Não é pouco.

Quando a Embraer decidiu ingressar no mercado de aviação comercial produzindo aeronaves para 80-124 assentos, no começo dos anos 2000, certamente não imaginava que alcançaria tamanho sucesso. A empresa foi precisa ao identificar um novo segmento a ser explorado (assim como, anos depois, faria na aviação executiva) e, durante anos, dominou o mercado enquanto a rival canadense patinava.

Agora, o cenário é outro. O acordo com a Boeing ainda é embrionário e só deve ser finalizado em 2019, mas é sim um grande passo para manter a divisão de aviação comercial viva e competitiva. Ainda não se sabe onde ficará a linha de produção dos EJets. A quem diga que, pelo fato de 80% do mercado de aviação regional da Embraer (que consome esse tipo de jato) estar nos Estados Unidos, não faz mais sentido mantê-la no Brasil. Enquanto isso, a Airbus já anunciou que o CSeries será montado na planta industrial da empresa no Alabama, EUA. Coisas de um mundo globalizado.

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TAGS: Airbus, Boeing, Bombardier, Embraer