Por Amauri Segalla
Em 2025, mais uma vez, o PIB brasileiro se apoiou no campo. Enquanto outros setores patinavam entre juros altos, incertezas fiscais e crescimento morno, o agronegócio entregou expansão robusta: o PIB do agro fechou o ano com alta de 9,6%, alcançando R$ 3,1 trilhões. Sem esse desempenho, o País provavelmente estaria discutindo um cenário de política monetária ainda mais dura e uma recuperação bem mais lenta.
Não é um feito isolado. Relatórios da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) mostram que a participação da agropecuária no PIB brasileiro já se aproxima de 7%, impulsionada por uma safra histórica e pela retomada de segmentos que sofreram em ciclos anteriores. A safra de grãos na casa de 350 milhões de toneladas, combinada à recuperação da pecuária, reforça o papel do Brasil como fornecedor confiável de alimentos num mundo cada vez mais tenso em termos geopolíticos.
E 2026? Do ponto de vista macroeconômico, será um ano de travessia. Juros ainda elevados, crédito rural mais seletivo, câmbio volátil e um mundo crescendo menos compõem um quadro de aperto, descrito em relatórios de bancos como Rabobank e Itaú BBA. Ou seja, haverá menos folga para errar, mas o agro entra nesse cenário com um trunfo que poucos setores têm: produtividade crescente, base tecnológica instalada e demanda estrutural por seus produtos – de grãos a proteínas, de fibras a bioenergia.
É aqui que começa a parte otimista da história. As mesmas projeções que falam em margens apertadas também apontam para um espaço real de crescimento em novas frentes: biocombustíveis, etanol de milho, maior mistura de biodiesel, expansão do uso de biomassa, integração entre lavoura, pecuária e floresta, além de toda a agenda de descarbonização que reposiciona o Brasil na conversa global sobre clima e segurança alimentar. A realização da COP30, em Belém, foi um símbolo poderoso desse movimento – e uma vitrine em que o agro brasileiro mostrou casos concretos de redução de emissões.
Se o Brasil quiser crescer com estabilidade e relevância internacional no futuro próximo, o agronegócio continuará sendo um pilar indispensável. A diferença é que, a partir de agora, não basta produzir muito – será preciso, cada vez mais, produzir bem, com eficiência, tecnologia e, claro, visão de longo prazo. Nesse jogo, o agro brasileiro já entra em campo ocupando o centro da cena.

