A produção de vinhos se expande pelo Brasil

Coluna TERROIR - Por Irineu Guarnier Filho


11.04.22

Irineu Guarnier Filho é jornalista especializado em agronegócio, cobrindo este setor há três décadas. Metade deste período foi repórter especial, apresentador e colunista dos veículos do Grupo RBS, no Rio Grande do Sul. É Sommelier Internacional pela Fisar italiana, recebeu o Troféu Vitis, da Associação Brasileira de Enologia (ABE), atua como jurado em concursos internacionais de vinhos e edita o blog Cave Guarnier. Ocupa o cargo de Chefe de Gabinete na Assembleia Legislativa do Rio

O mapa da produção brasileira de vinhos finos se expande atualmente para muito além das fronteiras da Serra Gaúcha, seu berço mais conhecido, e de onde ainda saem cerca de 90% do vinho fino nacional consumido no país.

Atualmente, mesmo no Estado gaúcho, novos pólos vitivinícolas conquistam espaço com vinhos premiados em concursos nacionais e internacionais, como a Campanha, a Serra do Sudeste, o Alto Uruguai, as Missões e os Campos de Cima da Serra.

No Planalto Serrano Catarinense, a mais de 1.300 metros de altitude em relação ao nível do mar, e com invernos gelados, existe hoje um importante pólo vitivinícola especializado na produção dos chamados Vinhos de Altitude.

Em torno de municípios como São Joaquim, Água Doce e Videira, empresários de outros setores da economia investem pesado em vinhedos e vinícolas modernos, e seus vinhos elegantes e criativos já começam a chamar a atenção de críticos nacionais e estrangeiros. Desta região, já saíram o primeiro vinho biodinâmico e o primeiro icewine do país, entre outras maravilhas, principalmente brancos, espumantes e tintos leves. A vindima ocorre mais tarde do que na Serra Gaúcha, as uvas amadurecem mais lentamente, e concentram cores e aromas diferenciados.

Vinho do Nordeste

O certo é que produção de vinhos finos conquista o Brasil. Produtores de outros estados vêm investindo em vitivinicultura com sucesso. Para isso, buscam variedades mais adaptáveis às condições de solo e clima de cada região, e desenvolvem técnicas de manejo adequadas à produção de uvas viníferas de qualidade em suas terras.

Dois exemplos: a irrigação de vinhedos da casta Shiraz, no Médio Vale do São Francisco, em Pernambuco e na Bahia, e a poda invertida, dupla poda ou colheita de inverno, no Sul de Minas Gerais.

No Paraná, há outro pólo vitivinícola emergente, localizado no município de Toledo. No estado de São Paulo, em torno de São Roque, também se fazem bons vinhos finos, com destaque para a uva Cabernet Franc. Em Espírito Santo do Pinhal, tradicional pólo cafeeiro paulista, outros produtores investem em vinhos elaborados a partir das castas Syrah e Sauvignon Blanc.

Vinho de Minas Gerais

A dobradinha vinho-café ganha força no Sul de Minas Gerais. Descontentes com os preços do café, e orientados por técnicos da Epamig, a empresa estadual de pesquisa agropecuária, cafeicultores de Diamantina, Caldas, Varginha, Três Corações e Três Pontas investem com entusiasmo na vitivinicultura. Há, também, produção de vinho em pequena escala em Goiás, no Rio de Janeiro, no Espírito Santo e no Maranhão.

Tudo isso possibilitou aos Brasil a criação de uma condição vitivinícola inédita no mundo. O Brasil é o único país que consegue produzir vinhos nas quatro estações do ano, em diferentes paralelos.

Do verão, temos os vinhos gaúchos, com uvas colhidas de dezembro a março.  Do Planalto Catarinense, vinhos de uvas colhidas no outono. De Minas Gerais e da Serra da Mantiqueira, saem os vinhos de inverno. E o Vale do São Francisco, no Nordeste, que produz até duas safras e meia de uvas por ano, nos presenteia com os vinhos de primavera.

Com isso, temos produção de vinhos o ano inteiro no país. Sem sair de casa, podemos viajar pela novíssima vitivinicultura brasileira a bordo de nossas taça. Uma experiência única, que só o vinho brasileiro pode proporcionar.

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