UMA LUZ PARA A CONECTIVIDADE

Superar obstáculos físicos passando, literalmente, por cima deles é a solução mais simples.


Edição 25 - 02.07.21

A IMAGINAÇÃO VOA ALTO sinal 

Superar obstáculos físicos passando, literalmente, por cima deles é a solução aparentemente mais simples. Por isso, vem sendo o caminho utilizado com mais frequência. A própria Alphabet já segue nesse rumo há mais de uma década. Um de seus projetos mais promissores foi a utilização de balões estratosféricos para levar sinal 4G para conectar vilas rurais. Batizado de projeto Loon, a ideia também foi primeiro testada no Quênia, no Peru e em Porto Rico, mas enfrentou problemas que acabaram por inviabilizá-lo. Os principais foram a ação.

A universalização da conectividade, fazendo chegar acesso de internet a toda a população da Terra, é um desafio de proporções bíblicas. Estima-se que cerca de 3 bilhões de pessoas – cerca de metade dos habitantes do planeta – estejam fora de áreas de cobertura, em regiões remotas ou que, em função de dificuldades geográficas, são inviáveis para um modelo comercial de conexão, com base em cabos de fibra ótica ou as torres convencionais de telecomunicações sem fio.

Para as maiores empresas da era digital, porém, esse contingente representa uma grande oportunidade de expansão de seus mercados, inclusive aumentando a oferta de serviços para setores como o agronegócio. Por isso, gigantes como Google e Facebook mantêm permanentemente equipes voltadas a desenvolver novas abordagens para vencer esse desafio. Algumas das mais originais estão em testes em pontos distantes da África, continente com menor taxa de população atendida por internet. É lá, em plena savana do Quênia, que a Alphabet, holding que controla o Google, estuda a viabilidade de uma ideia que pode se mostrar revolucionária: usar feixes de luz invisíveis para fazer o fluxo de dados entre pontos distantes. O conceito se assemelha ao das fibras óticas, que também usa a luz para transportar os dados, com a diferença, aqui, que esses finíssimos feixes de luz viajam pelo ar, sem uma estrutura de cabos.

Batizado de Projeto Taara, o experimento utiliza pequenas caixas no alto de torres para emitir esses feixes luminosos, que podem percorrer até 19 quilômetros, conectando as áreas no seu entorno. O problema maior enfrentado é que eventuais interrupções no feixe fazem a conexão cair. Assim, as caixas emissoras precisam ser instaladas em pontos acima de edificações ou árvores. Poluição e chuvas também podem afetar o sinal. E pássaros também, caso cruzem inadvertidamente, o seu caminho. Neste caso, pelo menos, os cientistas dizem já terem uma solução: o sistema foi “treinado” para, em caso dessas interrupções breves, reenviar o sinal. O Taara está em testes também em zonas rurais na Índia.

dos ventos nas faixas altas da atmosfera e a durabilidade dos balões utilizados pela companhia, que se deterioravam depois de alguns meses. Outras empresas, porém, oferecem essa solução, com balões de altitudes mais baixas e, por

balões estratosféricos para levar sinal 4G para conectar vilas rurais.
CRIATIVIDADE NO CHÃO

isso, com menor área de cobertura, inclusive no Brasil.

CRIATIVIDADE NO CHÃO

Enquanto a universalização não chega, os engenheiros desenvolvem soluções criativas para levar a conectividade, ainda que temporária, às áreas produtivas. Transformar reboques em roteadores móveis é a proposta da empresa Prime Field, de Jaú (SP). Ela desenvolveu uma pequena carreta que pode ser levada a qualquer ponto das fazendas e é capaz de captar sinal de satélites e reproduzi-lo, criando uma rede com cerca de 2 quilômetros de raio. O roteador móvel é dotado de uma antena Ka e uma antena transmissora wi-fi e é energizado por placas solares

MAIS ALTO, MAIS ALTO…

Imagem torre de sinal
MAIS ALTO, MAIS ALTO

Para o Facebook, a combinação de várias alternativas, cada uma mais adequada a uma região, é que

vai permitir a universalização da conectividade. O grupo tem uma subsidiária dedicada ao tema, a Facebook Connectivity, que em dezembro passado, depois de anos de testes em parceria com operadoras de telecom, lançou o seu modelo baseado em megatorres com células de grande alcance. A empresa afirma, com base em testes feitos na Nigéria, que a sua SuperCell, instalada a 250 metros de altura, pode cobrir uma área 65 vezes superior à de uma antena convencional, com 30 metros. Assim, a sua supercélula substituiria, a um custo 33% mais competitivo, uma rede de 15 a 25 células tradicionais utilizadas atualmente pela indústria de telecomunicações para cobrir áreas maiores. O ponto-chave do sistema seria a localização da torre, que precisa estar posicionada em uma situação que permita superar problemas da topografia de cada região.

6G NO ESPAÇO

Satélite no espaço com visão parcial da terra
6G NO ESPAÇO

Serviços de internet via satélite já são conhecidos e bastante utilizados em áreas rurais, inclusive no Brasil. O que limita sua expansão, por enquanto, é o custo, ainda salgado para boa parte da população de áreas rurais, e a latência (tempo de resposta) do sinal, longe do ideal para quem pretende utilizar equipamentos que utilizam dados em tempo real, como pilotos automáticos de máquinas agrícolas autônomas. O quadro pode mudar nos com a entrada em operação de constelações de satélites dotados de equipamentos da quinta geração de comunicações móveis. Estima-se que o número de satélites estacionários de baixa órbita voltados para o 5G chegue a 30 mil nos próximos anos. Com isso, será mais fácil instalar torres receptoras em qualquer lugar do planeta, levando cobertura de alta velocidade para áreas remotas. O próximo passo será o 6G, com conexões 40 vezes mais rápidas que as 5G. A empresa chinesa Hauwei já prepara o lançamento do primeiro satélite com a tecnologia e acredita poder torná-la comercial em menos de uma década. Os americanos também estão na corrida: criaram a The Next G Alliance, associação entre as principais empresas do setor nos EUA para o desenvolvimento de soluções 6G.

PLANT PROJECT 

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