Hora de descentralizar

O 3º Anuário Brasileiro de Aviação Civil, lançado durante a última edição da Labace, em São


11.09.18

Com 13 anos de experiência no mercado aeronáutico, o paranaense Tiago Dupim atuou como repórter, editor-executivo e editor-chefe de algumas revistas do setor. Atualmente, comanda a B2B Comunicação. Morou duas décadas em São Paulo e está há dois anos no Rio de Janeiro. Nas horas vagas (que são muito poucas) gosta de ouvir um bom rock’n roll, beber um bom vinho ou cerveja e acompanhar, mesmo que a distância, o Clube Atlético Paranaense, seu time de coração.

O 3º Anuário Brasileiro de Aviação Civil, lançado durante a última edição da Labace, em São Paulo, revelou dados importantes sobre o setor e mostrou que, apesar de o momento econômico do País não ajudar muito, o cenário não é dos piores. Na comparação com 2016, no ano passado a frota nacional de aviação civil cresceu 0,4%. Em tempos de crises, é um resultado importante, que mostra a robustez de um mercado que ainda tem muito a ser explorado se levarmos em conta o tamanho do país.

Em 2017, nossa aviação comercial conectou 126 municípios brasileiros e 73 países. Ou seja: atingimos pouco menos de 1/3 dos países do mundo, mas não conectamos nem 3% das cidades brasileiras. E não dá nem para culpar as companhias aéreas, que obviamente buscam rentabilidade e por isso concentram os seus voos nos grandes centros (com exceção da Azul, que voa praticamente sozinha em vários municípios que ninguém quer atender).

Já a aviação geral, com todas as suas dificuldades, alcançou 1.225 cidades, passando por 2.429 aeródromos brasileiros. Ora, mas o que falta para que a aviação atinja pelo menos a metade dos 5.570 munícipios e contribua ainda mais para o desenvolvimento de outras regiões?

O principal é falta de vontade política. Dificilmente um prefeito de uma cidade localizada longe dos grandes centros, mas com potencial de desenvolvimento, terá a sapiência de perceber que a construção de um aeródromo é o primeiro passo para o sucesso. Uma das primeiras coisas que um empresário analisa antes de decidir se deve ou não investir em uma determinada região é o tempo que ele levará para se deslocar até lá. E ter um aeroporto próximo já garante essa agilidade.

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Porém, se tem um aeroporto, muitas vezes não tem a demanda suficiente para absorver uma linha aérea regular, pois o turismo interno ainda engatinha no Brasil. Mesmo que os brasileiros tenham viajado mais nos últimos anos, quase a metade deles nunca se deslocou pelo próprio País.

Então, o ponto de partida para que o Brasil se desenvolva em regiões ainda incipientes é a aviação geral. Mas, sem incentivos fiscais e na ausência de políticos com uma visão de futuro, vai ficar realmente difícil. Em tempos de eleições, em que chovem promessas e falta efetividade, olhar para o Estado como um todo e criar um ambiente favorável a novos negócios não apenas nas capitais já seria louvável. O setor já provou ser forte e importante para o País mesmo em momentos de crise. É com os aviões pequenos que conseguiremos descentralizar os investimentos dos grandes centros e fazer com que o Brasil explore realmente as suas dimensões continentais.

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