Vinho em prosa

Coluna TERROIR - Por Irineu Guarnier Filho


28.01.21

Na nossa prosa sobre vinhos desta edição, explico por que o pequeno município de Pinto Bandeira, na Serra Gaúcha, é um dos melhores terroirs para produção de espumantes. Falo sobre a harmonização entre vinhos e queijos. E dou algumas dicas para saber se um vinho é bom ou não, entre outros tópicos.

OS ESPUMANTES DE PINTO BANDEIRA

Em um dos pontos mais elevados da Serra Gaúcha, acima de 700 metros, Pinto Bandeira se destaca pela produção de espumantes. A altitude, os invernos muito frios, as encostas ensolaradas, o solo argiloso e a longa tradição vitivinícola dos descendentes de imigrantes italianos têm contribuído para fazer do lugar um dos mais promissores terroirs do Brasil para a produção de espumantes.

Do enólogo chileno Mário Geisse, proprietário da Cave Geisse, de Pinto Bandeira, que faz vinhos em vários países, ouvi que, depois da Champagne, na França, Pinto Bandeira seria um dos melhores lugares no mundo para a elaboração de espumantes. Entre outras razões porque nas frias encostas locais as uvas amadurecem completamente conservando muito de sua acidez. E é a acidez que aporta frescor e vivacidade aos espumantes.

COMO SABER SE UM VINHO É BOM?

O preço não é o melhor critério. Há vinhos ruins bem caros e ótimos vinhos por preços civilizados. Objetivamente, o bom vinho é o mais natural possível, elaborado com uvas sadias, sem adições químicas além das legalmente permitidas, e, sobretudo, com um bom equilíbrio entre álcool, açúcar, taninos e acidez.

Tem de ter um aspecto saudável, límpido, brilhante. Uma boa cor rubi ou violeta, nos tintos, e amarelo palha ou esverdeado nos brancos (tintos amarronzados ou brancos alaranjados, se não forem vinhos muito antigos, podem estar defeituosos), com aromas agradáveis de frutas, flores ou especiarias. E, claro, um preço justo.

VINHO & QUEIJO

Vinho e queijo parecem ter sido feitos um para o outro, não? Mas não é bem assim. Para que esse casamento não termine em divórcio litigioso, algumas regrinhas precisam ser observadas. Por exemplo: queijos de massa mole, como Brie ou Camembert, vão melhor com vinhos brancos elaborados com a uva Sauvignon Blanc.

Queijos semimoles, como Gouda ou Estepe, com Chardonnay ou Pinot Noir. Queijos de massa dura, mais temperados, pedem um Merlot, um Syrah e até um Cabernet Sauvignon. Já os queijos Gorgonzola, de veios azuis, harmonizam melhor – por contraste – com vinhos doces ou licorosos, como os de colheita tardia.

BORBULHAS DA FRONTEIRA

Espumantes na Serra e tintos na Campanha? Certo? Não é bem assim. A geografia do vinho gaúcho ainda não se consolidou. Somos uma vitivinicultura muito jovem. Da Serra, saem ótimos tintos, sobretudo da uva Merlot, por que não?

E da Campanha Gaúcha têm saído cada vez mais bons espumantes. Este premiado Extra Brut, elaborado pelo Método Tradicional, vindo da extremidade oriental da Campanha, fronteira do Brasil com a Argentina, foi um dos melhores espumantes da região que já provei, faz muito tempo. Dele, só restou a foto, infelizmente.

UM NOME PARA O ESPUMANTE BRASILEIRO

Muitos países têm um nome específico para seus vinhos espumantes. A França tem o Champagne, o mais famoso do mundo. Fora da região de Champagne, outros espumantes franceses são chamados de Crémant. A Espanha tem o Cava. A Alemanha, o Sekt. Nos EUA, a bebida é conhecida por Sparkling. E assim por diante. Por que o espumante brasileiro ainda é chamado pelo seu nome genérico? Você acha que o espumante brasileiro deveria ter um nome próprio? Alguma sugestão?

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