Em torno do vinho

Coluna TERROIR - Por Irineu Guarnier Filho


21.12.20

Vinho “Nobre”. Vinhos do Sul de Minas Gerais. Uma nova vinícola no Vale dos Vinhedos. Qual o melhor vinho? E a volta da Cabernet Franc – no Brasil e no mundo. São alguns dos assuntos da coluna Terroir, nesta edição. Recomenda-se a leitura, de preferência, com uma taça de vinho em mãos…

VINHO NOBRE

Nem todo mundo percebeu. Mas, desde a safra 2018, uma nova classificação do Ministério da Agricultura começou a aparecer em rótulos de vinhos tranquilos brasileiros: “Vinho Nobre”.

Até então, havia o “Vinho de Mesa” e o “Vinho Fino”. O Vinho de Mesa é o elaborado com uvas americanas ou híbridas (também chamado de “Colonial”). O Vinho Fino é feito com uvas vitis viniferas, de origem europeia.

E o Vinho Nobre? Pois o Vinho Nobre é um Vinho Fino com teor alcoólico mais alto – de 14,1% a 16% vol. (antes, classificado como “Licoroso”). Vamos ficar de olho nos rótulos para sabermos exatamente o que estamos bebendo, certo?

A DOBRADINHA VINHO-CAFÉ NO SUL DE MINAS

A dobradinha vinho-café ganha força no Sul de Minas Gerais. Descontentes com os preços do café, e orientados por técnicos da Epamig, cafeicultores de Diamantina, Caldas, Varginha, Três Corações e Três Pontas investem com entusiasmo na vitivinicultura.

O pesquisador da Epamig Murilo Albuquerque Regina, entusiasta da vitivinicultura regional, produziu um dos pioneiros vinhos finos locais, o Primeira Estrada, um Syrah elegante e de bom corpo. A fazenda cafeeira Capetinga, de Três Pontas, tem o seu Syrah, o “Maria, Maria” – homenagem ao cantor e compositor Milton Nascimento, filho ilustre do município.

Como chove muito no verão e faz bastante calor no inverno, os produtores locais inverteram o manejo da videira: podam em março/abril e colhem em agosto/setembro. Os resultados são animadores.

CAVE DO SOL

A Serra Gaúcha nunca deixa de nos surpreender. Mesmo num ano de poucos investimentos, um novo – e belíssimo – projeto enoturístico abriu recentemente suas portas no Vale dos Vinhedos.

A vinícola Cave do Sol, da família Passarin, tem tudo para se transformar em mais uma grande atração da primeira e por enquanto única Denominação de Origem (DO) vinícola do país.

São 5.125 m2 de área construída, sendo 2.367 m2 destinados ao enoturismo. Os visitantes podem degustar 34 rótulos entre espumantes, vinhos e suco de uva – obedecendo às regras de segurança sanitária impostas pela pandemia. Com museu, caves, obras de arte e salas de degustação, a vinícola funciona de sexta a domingo.

QUAL O MELHOR VINHO?

Poucas perguntas são tão difíceis quanto uma que me fazem: Qual é o melhor vinho? Ou: Que vinho me recomenda? Ora, existem centenas de milhares de rótulos. Milhares de castas. E muitos estilos diferentes. Tintos. Brancos. Rosés. Secos. Suaves. Licorosos. Fortificados. Espumantes. Jovens. Envelhecidos. Encorpados. Leves…

A resposta depende muito do gosto de cada pessoa, da ocasião em que vai beber, da comida, do clima e, principalmente, da disponibilidade financeira de cada um. O que posso sugerir é que cada pessoa selecione o estilo de vinho que mais lhe agrada, uma uva ou um blend, um país ou uma região de origem, uma faixa de preço, e só então decida-se pela compra. Combinado?

INDICAÇÕES GEOGRÁFICAS

As Indicações Geográficas (IGs) para vinhos brasileiros – à moda europeia – surgiram com a Indicação de Procedência (IP) Vale dos Vinhedos, na Serra Gaúcha, em 2002 (hoje, Denominação de Origem-DO). Depois vieram as IPs Pinto Bandeira, Altos Montes, Monte Belo do Sul, Farroupilha e Campanha. As IGs do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) dividem-se em Indicação de Procedência (IP) e Denominação de Origem (DO). As DOs são o topo das IGs para vinhos e alimentos.

Uma IG é um certificado de qualidade? Não necessariamente. É muito mais um atestado de identidade regional de um produto. Como tal, garante que um vinho, por exemplo, foi elaborado em determinada região geograficamente demarcada, com certas variedades de uvas, e de acordo com algumas regras para a vinificação e o amadurecimento da bebida. Se o vinho será bom ou não, isso vai depender de outros fatores. Mas um selo de IP ou DO certamente agrega valor aos vinhos.

CABERNET FRANC

A Cabernet Franc é a uva do momento. E não apenas no Brasil, onde ressurge em ótimos vinhos varietais. Também faz sucesso nos Estados Unidos e na Argentina. De coadjuvante nos grandes rótulos de Bordeaux à protagonista nos vinhos do Novo Mundo. Casta versátil e cheia de personalidade. Voltou para ficar.

TAGS: Cabernet Franc, Cave do Sol, Epamig, Indicações Geográficas, Primeira Estrada, Vinhos nobres