Café, a última nota da sinfonia

Coluna TERROIR - Por Irineu Guarnier Filho


21.12.18

Irineu Guarnier Filho é jornalista especializado em agronegócio, cobrindo este setor há três décadas. Metade deste período foi repórter especial, apresentador e colunista dos veículos do Grupo RBS, no Rio Grande do Sul. É Sommelier Internacional pela Fisar italiana, recebeu o Troféu Vitis, da Associação Brasileira de Enologia (ABE), atua como jurado em concursos internacionais de vinhos e edita o blog Cave Guarnier. Ocupa o cargo de Chefe de Gabinete na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, prestando consultoria sobre agronegócio

Peço licença aos meus amigos baristas e experts em café por essa minha breve incursão ao mundo desta nobre bebida (cuja cultura considero tão rica e fascinante quanto a do vinho). Hoje, escrevo apenas como consumidor e, claro, como entusiasta de um bom café.

Não raras vezes um almoço ou um jantar esplêndidos desandam no último ato: o café. Fraco, forte demais, amargo, mal torrado, frio… Muitas são as maneiras de destruir a boa impressão deixada por uma refeição, ou por um restaurante bacana, se o derradeiro cafezinho não estiver à altura de tudo o que nos foi servido antes. Como a nota final de uma sinfonia, o café tem de deixar uma última lembrança agradável em nossos sentidos.

Em conversas com baristas e donos de cafeterias, a maioria repete o mesmo mantra: muitos restaurantes, mesmo alguns de nível superior em menu e preços, ainda descuidam da qualidade do café servido ao final das refeições. Dão total atenção à cozinha, naturalmente. Cuidam muito bem de suas adegas. Mas a “cafeteria” muitas vezes é levada de qualquer jeito. Uma máquina de “espresso”, um funcionário geralmente mal treinado, que pouco ou nada sabe sobre café, e o resultado são xícaras lamentáveis – ou, na melhor das hipóteses, medíocres – para encerrar uma refeição que deveria ser inesquecível do pãozinho do “couvert” ao cafezinho que chega com a conta.

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Hoje em dia, com consumidores de melhor renda dispostos a pagar mais por alimentos de melhor qualidade, e com a diversidade da produção nacional de café, não se justifica que muitos restaurantes de prestígio ainda tratem o cafezinho final com tamanha displicência. Em casa, os apreciadores de café já dispõem de boas cafeteiras e selecionam os grãos (que eles mesmos moem) por região produtora e pelas características relacionadas aos diferentes e abençoados terroirs de que o Brasil dispõe. Por que deveriam aceitar menos em restaurantes que cobram muito bem pelos seus serviços?

E olhe que não estamos falando aqui de restaurantes modestos, que ainda oferecem a seus infelizes clientes o abominável café de garrafa térmica, passado sabe-se lá há quantas horas…

Esse desleixo obriga o cliente que muitas vezes pagou caro por uma refeição a sair do restaurante descolado e procurar por uma boa cafeteria nas redondezas para, só então, concluir o seu almoço ou jantar. Assim não dá, não é, gente?

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