Dilema nas pistas

Coluna AGRO COM ASAS - Por Tiago Dupim


29.08.18

Com 13 anos de experiência no mercado aeronáutico, o paranaense Tiago Dupim atuou como repórter, editor-executivo e editor-chefe de algumas revistas do setor. Atualmente, comanda a B2B Comunicação. Morou duas décadas em São Paulo e está há dois anos no Rio de Janeiro. Nas horas vagas (que são muito poucas) gosta de ouvir um bom rock’n roll, beber um bom vinho ou cerveja e acompanhar, mesmo que a distância, o Clube Atlético Paranaense, seu time de coração.

Nos corredores da última edição Labace, maior evento de aviação de negócios da América Latina que aconteceu no começou de agosto, em São Paulo, entre os fabricantes e principais dirigentes do setor havia uma unanimidade: a recuperação das vendas de novas aeronaves passa sobretudo pelo agronegócio.

Conversando com um alto executivo de um dos maiores conglomerados aeronáuticos do país, uma frase que ele tinha ouvido numa palestra me chamou a atenção: “No passado, a máxima era: meu filho, se você não estudar você vai ficar na roça. Hoje, se quiser ficar na roça, tem que estudar”. Isso também passa sobre qual tipo de aeronave fará a cabeça dos fazendeiros num futuro próximo. Explico.

A tecnologia que permeia a agricultura digital tem começado a moldar também o perfil do novo empresário, que tem colocado a modernidade acima de tudo na hora de adquirir um novo bem de consumo, pois este já domina não somente os gadgets, mas também os softwares que o ajudam na gestão agrícola. E isso, obviamente, requer estudo e conhecimento.

Hoje, a média de idade dos aviões convencionais (a pistão de asa fixa) no Brasil é de 30 anos. E uma parte considerável deles opera nas fazendas. Em breve, assim que a tão sonhada estabilidade econômica voltar a reinar no país, essa frota começará a ser renovada rapidamente. Aí entra um dilema: o que o novo empresário do campo vai buscar para ganhar tempo no seu dia a dia?

Em se tratando de aeronaves, as principais novidades e evolução não estão na maioria dos aviões monomotores e bimotores que operam no Brasil. Atualmente, os jatos de pequeno porte e até mesmo os helicópteros estão em vantagem nesse quesito. Até mesmo as pistas não preparadas, que sempre foram o principal motivo para que os empresários da lavoura optassem pelos aviões a pistão ou turbo-hélices, já começam a não ser o maior dos empecilhos. Tem executivo optando por pavimentar a sua pista particular para poder operar os jatinhos.

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Os fabricantes aeronáuticos estão muito atentos a essa transformação do campo. A chegada de jovens empresários à lavoura, ávidos por tecnologia de ponta, tem feito com que o mercado olhe ainda mais para os seus próprios produtos, buscando melhorias constantes para atender essa importante fatia do mercado.

É claro que o tipo de missão de cada futuro proprietário ainda pesa demais na escolha da sua “máquina de economizar tempo”, ainda mais com a escassa cobertura da aviação comercial nas regiões onde o agro pulsa no Brasil. Mas, com a entrada de novos produtos, a sofisticação começa a pesar na balança. Entender (e ter) o que o cliente precisa nunca foi tão importante para o sucesso das vendas.

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