Mecanização e sustentabilidade devem andar juntas

Coluna A REVOLUÇÃO DAS MÁQUINAS - Por Marco Ripoli


11.05.18

Marco Lorenzzo Cunali Ripoli, Ph.D. é Engenheiro Agrônomo e Mestre em Máquinas Agrícolas pela ESALQ-USP e Doutor em Energia na Agricultura pela UNESP, executivo, disruptor, empreendedor, inovador, professor e mentor. Proprietário da Bioenergy Consultoria e da Energia da Terra.

Mecanização e sustentabilidade são duas terminologias muito comuns no dia-a-dia, não apenas daqueles envolvidos no agronegócio. Antes de associadas, devem ser conceituadas corretamente.

Para o ex-professor titular da ESALQ-USP, Dr. Luis Geraldo Mialhe, a Mecanização Agrícola é uma das áreas da Engenharia Agronômica e Agrícola dedicada ao planejamento, execução e desenvolvimento das operações agrícolas por meio da utilização de máquinas, implementos e outras ferramentas mecânicas.  A mecanização tem como objetivo básico a racionalidade das operações agrícolas, podendo ser definida como o meio mecânico utilizado nos processos da agricultura.

A eficiência destes sistemas é um elemento importante para o sucesso das empresas agrícolas. Os sistemas mecanizados contribuem com a urbanização e as economias industriais, melhoram a eficiência produtiva e incentivam a produção em grande escala.

De acordo com a World Wild Foundation (WWF), sustentabilidade ou desenvolvimento sustentável conceitua-se como o desenvolvimento para atender as necessidades da geração atual, sem comprometimento da capacidade de atender as necessidades das gerações futuras. Ou seja, o desenvolvimento que não esgota os recursos para o futuro.

Sustentabilidade é a responsabilidade de avançar de forma a sustentar a vida que permitirá futuras gerações tenham conforto, um mundo amigável, limpo e saudável onde as pessoas assumam a responsabilidade pela vida em todas as suas formas, bem como respeitem o trabalho humano, os direitos individuais e as responsabilidades comunitárias. Reconhecer que os sistemas sociais, ambientais, econômicos e políticos são interdependentes, ponderar os custos e os benefícios das decisões plenamente, reconhecer que os recursos são finitos e que há limites para o crescimento e que a nossa capacidade de ver as necessidades do futuro é limitada. Qualquer tentativa de definir a sustentabilidade deve permanecer tão aberta e flexível quanto possível.

Outro conceito é relacionado a “meio-ambiente”… o que é uma redundância.  Vamos deixar claro que não existe um “meio” que não seja “ambiente” ou um “ambiente” que não seja “meio”. Sendo assim, vou apenas mencionar “ambiente”.

Novas tecnologias têm por objetivo proporcionar ao agricultor máquinas, equipamentos, ferramentas e técnicas que menos impactem o ambiente.  A agricultura, como vários outros pilares da economia, está adotando medidas socioambientais responsáveis na prerrogativa de maior sustentabilidade do setor.  Quando são abordados temas sobre agroquímicos nas lavouras, a temática de sustentabilidade volta a aparecer.  Estes produtos, acreditem (isso eu garanto), quando corretamente ministrados não são prejudiciais ao homem, à fauna ou mesmo à flora e ajudam no aumento da produtividade no campo.

Na cana-de-açúcar, como em outras muitas culturas, a mecanização é condição básica para atender ao protocolo ambiental e para manter o seu meio de produção. Em vista a sua rápida intensificação (medida pelo índice de mecanização das operações do sistema produtivo, mais especificamente da etapa de colheita) vem se tornando cada vez mais necessária.

Como exemplo prático, o estado de São Paulo, no tema da cana-de-açúcar, foi o primeiro a apresentar medidas agroambientais específicas que ajudam a assegurar o avanço da mecanização.  Ainda existe um longo caminho a ser galgado, onde são necessários mais diretrizes e diálogos que apoiem o Agro nacional.

Mecanizar de forma consciente e avançar tecnologicamente significa cuidar do ambiente!

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