Plant lança primeira temporada da websérie Top Farmers

Com dez episódios, produção estreia no próximo dia 19 de janeiro

“O sucesso do (agronegócio do) Brasil está baseado em dados”

Joseph Byrum, cientista de dados do Principal Financial Group (EUA)


11.01.18

Por Romualdo Venâncio e Ariosto Mesquita/Ilustrações de Caio Borges

Responsáveis por produzir os alimentos que chegam à mesa de bilhões de pessoas em todo o mundo, os agricultores e pecuaristas brasileiros são heróis anônimos da humanidade. Eles fazem do Brasil uma potência global da comida e formam a base de uma enorme cadeia produtiva que movimenta mais de 25% do PIB nacional. Tamanho esforço merece um reconhecimento à altura. Para fazer justiça a esse trabalho quase missionário, a plataforma PLANT PROJECT desenvolve há mais de um ano o projeto TOP FARMERS, que visa a homenagear e dar visibilidade aos produtores rurais de diversas culturas e segmentos e às melhores práticas utilizadas para dar eficiência e produtividade às suas propriedades. O projeto inédito vai identificar a cada ano, os melhores produtores em cada cultura e contar as suas histórias. Ao longo de 2017, elas estiveram retratadas em reportagens impressas nas páginas da PLANT. A partir do próximo dia 19, poderão ser vistas também em uma websérie exclusiva, em 10 episódios, divulgada em nossos canais digitais.

Patrocínio: Mitsubishi Motors

Em sua primeira temporada, o projeto TOP FARMERS mostra a trajetória de dez produtores que se tornaram referência em suas culturas ou área de atuação. Eles foram escolhidos pelo corpo editorial da PLANT, após consultas a lideranças de entidades agropecuárias, produtores, empresários e aos conselheiros do Global Agribusiness Forum (GAF), principal evento do agronegócio mundial. Ao relacioná-los, procuramos fazer um mosaico diversificado do enorme e eficiente universo agropecuário nacional.São dez histórias fascinantes pela competência de seus protagonistas, cada um a seu modo. Há gente de longa tradição familiar no campo, inclusive no comando de grupos centenários. Há desbravadores, homens que ajudaram a abrir e consolidar fronteiras agrícolas. Também estão na lista, representando seus pares, produtores com a marca da persistência, lado a lado com jovens que, em pouco tempo dedicado à agricultura, incorporaram novos modelos de gestão vindos de outras áreas de atuação e construíram uma reputação de inovação e qualidade ou buscando novas formas de produzir com sustentabilidade e foco na preservação ambiental.

As lições e exemplos da primeira turma dos TOP FARMERS, além das perspectivas dos segmentos que representam, serão debatidos com outros produtores, promovendo a difusão das melhores práticas de gestão e produção e reforçando a real imagem empreendedora e desenvolvimentista do agronegócio brasileiro.

Conheça a seguir os dez produtores que integram a primeira temporada dos TOP FARMERS:

ISMAEL PERINA JÚNIOR – TOP FARMER CANA

Liderança por natureza e convicção

Enquanto a produtividade média dos canaviais brasileiros não chega a 80 toneladas por hectare, na Fazenda Belo Horizonte, em Jaboticabal (SP), esse índice foi superior a 110 t/ha em 2016. A notória eficiência resulta, em grande parte, do trabalho realizado pelo engenheiro agrônomo Ismael Perina Júnior, que desde 1980, ano em que se formou na Unesp de sua cidade, está à frente da gestão da propriedade de sua família. Sua atenção é cada vez maior com detalhes que podem gerar ganhos significativos, seja nas lavouras, seja no balanço econômico da atividade. “Como no macro já estamos bem resolvidos, procuramos olhar com cuidado o que é micro, usando tecnologias e produtos mais novos”, observa Perina. “Todo ano procuramos, por exemplo, administrar cada um dos talhões dentro de um novo modelo de utilização de insumos.”

A programação de reforma dos canaviais é outro bom exemplo dessa gestão. Do total de 670 hectares da propriedade, cerca de 580 são dedicados ao plantio da cana. Anualmente 20% dessa área passava por reforma – com um custo de R$ 8 mil por hectare – e no lugar da cana entrava o cultivo de amendoim, soja ou até feijão. “A cada cinco anos, toda a área estaria reformada e dávamos início a um novo ciclo”, explica Perina. Agora, o processo é feito em apenas 10% das terras e o tempo para fechar o ciclo é de dez anos. “Dá para ter uma ideia da redução de custo.”

Perina consegue colocar em prática essas melhorias dedicando apenas entre 25% e 30% de seu tempo à fazenda, pois está sempre envolvido com alguma outra atividade. Ele é presidente da Organização de Plantadores de Cana da Região Centro-Sul do Brasil (Orplana), diretor financeiro do Sicoob/Coopercredi e esteve por dois anos à frente da Câmara Setorial do Açúcar e do Álcool do Ministério da Agricultura. Constantemente é convidado para debates, palestras, congressos e vários outros eventos do setor. “Gosto muito desse ambiente, de poder discutir, ouvir, palpitar”, afirma.

Leia aqui a reportagem completa sobre Ismael Perina Júnior

FRANKE DIJKSTRA – TOP FARMER MILHO

A proteção do solo em primeiro lugar

Franke Dijkstra é um dos pioneiros e, até hoje, um dos principais propagadores do plantio direto sobre a palha no Brasil. E um dos motivos pelos quais tem sido tão eficiente ao difundir essa tecnologia é poder comprovar sua base teórica com o que acontece em seu próprio quintal – as terras pertencentes a sua holding familiar somam mais de 2 mil hectares. Há mais de 40 anos todas as lavouras da Fazenda Frank’Anna (Carambeí, PR) são cultivadas dessa forma. “O impacto sobre a terra é muito positivo e a produtividade melhora ano a ano”, afirma o produtor, que já emenda com os resultados atuais dos campos de milho: “O índice médio é de 12 toneladas por hectare, mas há algumas áreas em que chega a 15”. A média brasileira é de 5,3 toneladas por hectare.

O tema tecnologia, de maneira geral, deixa Dijkstra empolgado. Ele lamenta, no entanto, que muita gente ainda não entenda bem o quanto o plantio direto protege o solo. Vem daí sua preocupação com a formação técnica dos profissionais que passam a atender os agricultores nas fazendas. “Precisamos de pessoas com visão de médio prazo, pelo menos”, observa. “É uma questão cultural. Nada vem pronto, é necessário ir aprendendo, mudando quando for o caso. Comigo também foi assim.”

Esse desafio de transformar informação em conhecimento certamente aumentou o valor que Dijkstra dá ao planejamento de longo prazo. Para ele, essa preparação, somada a tecnologia e ferramentas de gestão, é fundamental para que não precise ficar correndo atrás do mercado. “Tecnologia é produtividade, e é assim que se consegue boas negociações”, analisa. “Na safra passada, ao contrário de muita gente, apostamos ainda mais no plantio de milho, e foi uma ótima escolha.”

Leia aqui a reportagem completa sobre Franke Dijkstra

WALTER HORITA – TOP FARMER ALGODÃO

Uma história construída com fibra

Quando chegaram ao Brasil, em 1938, para trabalhar em lavouras de café e algodão, a intenção dos avós do empresário Walter Horita era retornar ao Japão assim que conseguissem juntar dinheiro suficiente para isso. Os rumos mudaram. “Hoje, nosso empenho está na consolidação de toda a estrutura de produção, na gestão profissionalizada do negócio, com implantação de governança corporativa, e na sucessão familiar”, diz o homem que comanda o grupo que, cerca de 80 anos depois, é quase um sinônimo de algodão no País.

Walter Horita administra, ao lado dos irmãos Ricardo e Wilson, um dos empreendimentos que mais cresceram no agronegócio brasileiro. A área inicial de 1,2 mil hectares, adquirida no Oeste da Bahia, em 1984, já passa de 140 mil. Desse total, 98 mil estão cultivados com soja (62 mil) e algodão (36 mil), o carro-chefe do Grupo Horita. “É muito gratificante saber que fiz parte do crescimento e do desenvolvimento do Oeste da Bahia, ajudando a transformar uma região que há 30 anos não tinha nenhuma expressão agrícola em referência de produtividade e utilização de tecnologia, conciliada à preservação ambiental”, comenta o empresário.

Ao longo dessas três décadas, a adoção de técnicas inovadoras, sob a orientação de profissionais especializados, permitiu que as lavouras chegassem a uma produtividade de 15% a 25% acima da média regional. “Credito essa evolução à experiência na aplicação de insumos e recursos no momento certo”, explica Horita. E a expectativa para a próxima colheita é bastante positiva, sobretudo por causa do clima, que tem ajudado, conforme diz o produtor. “Diferentemente da temporada anterior, quando sofremos com falta de chuvas, até o final do ano passado vínhamos contanto com uma regularidade, o que torna esta safra muito promissora.”

Leia aqui a reportagem completa sobre Walter Horita

JOSÉ ANTONIO GORGEN

Olhar amplo e atento para dentro e fora da porteira

Segundo um dito popular do meio agrícola, siga a trilha da expansão das lavouras de soja pelo Brasil e sempre encontrará um gaúcho. Folclore à parte, a verdade é que na região do Matopiba, um dos nomes mais representativos na cadeia produtiva de grãos é originário de Não-Me-Toque (RS). José Antonio Gorgen, titular do Grupo RISA, chegou à cidade de Balsas (MA) na década de 1980 em busca de novas fronteiras para plantar soja e milho. Começou com 400 hectares. Essa área foi crescendo e hoje chega a quase 70 mil hectares, distribuídos em seis fazendas. “Exclusivamente com soja, temos mais de 52 mil hectares plantados”, comenta o produtor.

Além da expansão em área plantada, o Grupo RISA também cresceu em diversidade de negócios, abrangendo, além da produção agrícola, defensivos, máquinas, fertilizantes, logística e trading. Segundo Gorgen, essa ampliação foi impulsionada por uma necessidade de dar mais sustentabilidade à produção e reduzir custos, mas impactou também na produção agrícola de toda a região, a exemplo da implantação da primeira fábrica de fertilizantes de Balsas. A meta em termos de produtividade é manter o índice médio próximo de 50 sacas por hectare.

Problemas climáticos nas últimas três safras não desanimaram o desbravador. Ele agora avança com outro projeto, o de produzir soja transgênica com preparação do solo, adubação e controle de pragas orgânicos. Estruturas próprias estão em construção para armazenar exclusivamente esses grãos. “Teremos um produto diferenciado”, comenta Gorgen. “Mas será necessário que o porto tenha estrutura para segregar o embarque dessa soja, sem o risco de contato com o grão convencional”.

A trajetória da família Gorgen tem uma participação relevante na história da formação e do crescimento do Matopiba. Há dois anos o empresário tem se dedicado a um projeto de Parceria Público Privada para a construção de um aeroporto regional em Balsas. A área para essa obra foi doada por ele. “A cidade se desenvolve, a região se desenvolve e todos ganham”, explica.

 

JULIANA ARMELIM E PAULO SIQUEIRA

Entre um café e outro, eles acumulam dólares

O sabor de uma xícara de café jamais será o mesmo para o casal paulistano Juliana Armelim e Paulo Siqueira. No início desta década, ambos deixaram a carreira profissional, construída em setores sem relação direta com o campo – ela, em consultoria gerencial; ele, em fundos de investimento – para se tornarem cafeicultores. Em um curto espaço de tempo, passaram de aprendizes de agricultores a produtores premiados e exportadores, expoentes de uma nova geração de produtores. O plantio na Fazenda Terra Alta, em Ibiá (MG), começou em janeiro de 2011, com apenas 50 hectares. O zelo com a qualidade em cada processo logo rendeu reconhecimentos como o título de Campeã Nacional e 1º Lugar da Região do Cerrado Mineiro no 25º Prêmio Ernesto Illy de Qualidade do Café para Espresso (2015).

O interesse do casal pela cafeicultura surgiu como uma ajuda ao pai de Juliana, que havia comprado a propriedade para investir em produção de madeira. O café já era tradicional na região, então seria um pecado ignorar a atividade. Conforme a análise avançava, mais eles se interessavam pelo assunto.

A decisão de trabalharem somente com terreiros suspensos chama a atenção de outros produtores. A experiência do casal em gestão ajudou no desenvolvimento de um projeto bem estruturado e preparado para avançar, o que aconteceu de forma rápida. Atualmente, são 210 hectares de café, tudo irrigado e com colheita mecanizada. “A produtividade média que buscamos é de 55 sacas/ha”, diz Juliana. Esse resultado foi alcançado na safra passada, mas para este ano deve ser menor, em torno de 40 sacas/ha, devido a problemas climáticos. “Quando o rendimento no cafezal não vai tão bem quanto esperamos, temos de buscar negociações mais vantajosas.” Praticamente toda a produção da fazenda é exportada, e para buscar melhores preços o casal partiu para a venda direta e abriu uma empresa em Orlando, nos Estados Unidos. “É uma satisfação muito grande ver nosso café sendo consumido lá”, diz Juliana.

Leia aqui a reportagem completa sobre Juliana Armelin e Paulo Siqueira

PEDRO PAULO DINIZ

A corrida agora é pelo meio ambiente

Quando resolveu mudar seu estilo de vida, deixando para trás toda a badalação a que estava acostumado, o empresário e ex-piloto de Fórmula 1 Pedro Paulo Diniz realmente levou essa decisão muito a sério. A regeneração ambiental passou a fazer parte de suas prioridades. Em 2009, ele fundou a Fazenda da Toca, empreendimento que no ano passado produziu cerca de 3 mil toneladas de alimentos orgânicos – sucos, ovos e molhos. Além de toda a infraestrutura diretamente relacionada com essa atividade, a propriedade de 2,3 mil hectares, instalada na cidade de Itirapina, no interior de São Paulo, abriga também matas nativas, vilas de moradores e áreas de pesquisa agrícola regenerativa.

Aliás, essa é uma palavra que tem destaque no negócio: regenerar. Por meio de atividades agroecológicas, a Toca investe em pesquisa e desenvolvimento de sistemas agroflorestais em larga escala que regeneram e nutrem um solo rico, vivo e diverso. Nessas condições, as plantas crescem saudáveis para produzir frutos mais nutritivos e com mais sabor, de acordo com a empresa. A produção de ovos – 100% própria – é outro exemplo do equilíbrio com o ecossistema. As galinhas vivem soltas e recebem uma alimentação orgânica variada e balanceada, contendo folhagem, frutos e grãos. Quando precisam de algum medicamento, são tratadas com homeopatia, florais e extratos vegetais.

O trabalho desenvolvido na Toca incentiva o debate sobre o paradigma de não ser possível produzir alimentos orgânicos em escalas maiores, o que até poderia reduzir os custos para o consumidor final. E se a ampliação da distribuição desses produtos anima quem espera ver mais opções nas gôndolas e geladeiras do varejo, também é um estímulo aos produtores locais, que veem aí uma oportunidade de alcançar diversas localidades nas regiões Sul e Sudeste do Brasil.

Leia aqui a reportagem completa sobre Pedro Paulo Diniz

VICTOR CAMPANELLI

Oferta de boi o ano inteiro

Sinergia é uma palavra que se usa com frequência na Agro-Pastoril Paschoal Campanelli S/A, empresa familiar de Altair (SP). “Cada um de nossos negócios começa onde o outro ainda não terminou”, diz Victor Campanelli, um de seus sócios, fazendo referência à forma como as divisões da companhia se integram: gado de corte, cana-de-açúcar, milho e nutrição animal. São vários negócios que, no fundo, convergem para um principal: o confinamento, que tem 25 hectares e reúne 55 mil cabeças por ano. A alimentação desses bovinos vem de uma fábrica de rações própria, complementada com palha da cana. O milho, utilizado na produção de silagem de grão úmido, também entra na reforma dos canaviais.

Os resultados dessa verticalização, feita com a mais moderna tecnologia disponível para o setor, fizeram de Campanelli uma referência na pecuária de corte e serviram de estímulo para a construção de uma nova unidade de negócios, uma fábrica de rações e sal proteinado. “Por enquanto ela atende a nossa própria demanda, mas em breve vai abastecer criadores da região”, explica Campanelli, que faz uma rigorosa seleção do gado que entra em seu confinamento. “Nossa compra de bois é feita de duas maneiras. Uma delas é adquirindo animais com cerca de nove arrobas, que passam quatro meses na recria, em uma propriedade que temos em Araçatuba, e depois entram no confinamento. A outra envolve bovinos mais pesados, já com 12 arrobas.” O gado é abatido com menos de 30 meses de idade e pesando em torno de 21 arrobas.

Todo o rebanho é rastreado e certificado para atender o mercado europeu. Essa condição rende bonificações na remuneração. Mas há ainda outra característica altamente favorável para as negociações com a indústria. “Temos oferta de boi o ano todo”, ressalta Campanelli, e acrescenta: “Soltamos 5 mil bois todo mês”. A frequência no fornecimento e a padronização do rebanho elevam a conversa com os frigoríficos para outro patamar.

Leia aqui a reportagem completa sobre Victor Campanelli

GERALDO MARTINS

Uma fábrica de touros de capim

Em 2018, a Agro-Pecuária CFM completará 110 anos. Deve haver muita festa nas propriedades da empresa, distribuídas nos estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Bahia. Nelas, a CFM conta com um rebanho de 30 mil cabeças de bovinos Nelore. O criatório é todo voltado à produção de animais melhoradores para atender fazendas com sistemas pecuários totalmente a pasto, conceito que ajudou a fazer da empresa uma referência na geração de touros comerciais para as condições brasileiras. “O projeto Nelore CFM é o pioneiro na seleção para características econômicas”, diz Geraldo Toledo Martins, presidente da empresa.

Gestão e investimento em inovação ajudam a explicar a vitalidade de uma empresa com tanta história. “Somos extremamente profissionais na condução da pecuária e da agricultura, sempre avaliando custos e retorno dos projetos”, afirma Martins. Exemplo de como a CFM procura estar à frente da demanda está no fato de ser dela o primeiro projeto de Nelore aprovado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para emissão do Certificado Especial de Identificação e Produção, o CEIP.

O padrão de qualidade desse gado, reconhecido pelo mercado e pela comunidade científica, é resultado de um programa de seleção que já dura mais de 35 anos, produz cerda de 2 mil touros por ano e tem o maior banco de dados individual de avaliação genética da raça, com mais de 467 mil informações de animais desmamados.

A partir dessa conquista, a CFM multiplicou as oportunidades de ne-gócios, saindo na frente com a comercialização de reprodutores com 24 meses e a realização de remates com grande volume de animais avaliados e certificados, os Megaleilões. “Já ultrapassamos a marca de 35 mil touros Nelore negociados desde o início da seleção desses animais”, comenta Martins. Entre o material genético para uso próprio ou vendido ao mercado, já são mais de 1,5 milhão de doses de sêmen.

Leia aqui a reportagem completa sobre Geraldo Martins

JONAS BARCELLOS

O embaixador do Nelore no caminho da Índia

O melhor Nelore do mundo pode evoluir ainda mais. A seleção realizada com a principal raça de corte no Brasil está passando por uma importante renovação, baseada em novas importações de diferentes linhagens diretamente da Índia, país de origem do zebuíno. O nome forte por trás dessa onda de aquisições é Jonas Barcellos, dono do Grupo Brasif e da Chácara Mata Velha, um dos nomes mais tradicionais no segmento de genética bovina. O empresário liderou o processo de abertura de mercado para a vinda desses produtos e a concretização das negociações propriamente ditas. “Foram mais de vinte anos de luta, desde que começamos a fazer a seleção nas aldeias da Índia”, conta Barcellos.

A saga toda é longa e difícil. Além do mercado fechado para importação de gado vindo da Ásia, o grupo de pecuaristas liderado por ele enfrentou questões de estrutura e até religiosas na terra de origem das raças zebuínas. Antes desse esforço, as últimas importações de material genético indiano havia sido em 1962, quando chegaram ao Brasil touros como Karvadi, Taj Mahal e Godhavari, que ajudaram a formar a base do Nelore no País – apenas 7 mil matrizes genéticas estão na origem de um rebanho de mais de 180 milhões de cabeças. Dois anos depois, a porteira das operações com a Índia voltou a ficar fechada, sendo reaberta somente em 2009.

Assim que terminou esse período de quase 40 anos, Barcellos já estava de prontidão. Ele chegou a investir na construção de um laboratório na Índia para a produção de embriões. Em dois anos, conseguiu trazer para o Brasil cerca de 1,7 mil produtos. Por aqui, o investimento em infraestrutura deu origem à Geneal, empresa da Brasif que tem parceria com a norte-americana ViaGen para desenvolver processos de clonagem. Em 2016, levou ao mercado os primeiros animais com o novo sangue indiano. “Nosso trabalho agora é incentivar que esse novo material genético, com mais rusticidade e fertilidade, ajude a melhorar o rebanho de produção”, afirma Barcellos.

Leia aqui a reportagem completa sobre Jonas Barcellos

CARLOS ALBERTO DE SOUZA

DNA de campeão em leite

Em 1964, com nove anos de idade, Carlos Alberto Pasetti de Souza assistiu ao começo da Fazenda Colorado, em Araras, no interior de São Paulo. Eram 266 hectares que abrigavam um diminuto rebanho de vacas mestiças. A produção mal passava dos 50 litros de leite/dia. Ao longo dos anos, ele acompanhou a luta, a determinação e o empreendedorismo do pai, Lair Antônio de Souza, que transformou a propriedade em referência na produção, processamento e envasamento de leite Tipo A no Brasil (marca Xandô). Mais do que isso: ao superar a marca dos 53.000 litros/dia, em 2013, “seu” Lair passou a ser considerado o maior produtor brasileiro e não escapou mais da chancela de “Rei do leite”.

Com a morte do patriarca, em janeiro de 2015, Carlos Alberto assumiu a empresa e o título. Ele preside hoje o Conselho de Administração da Grupasso (holding que controla os negócios da família, envolvendo também seis outras fazendas produtoras de laranja e unidades industriais), formado ainda pelos irmãos Luiz Antonio, Célia Maria e Regina Helena e a mãe, Maria Pasetti de Souza. Primogênito, graduado em Administração, Carlos Alberto viveu de perto e auxiliou o trabalho do pai ao longo dos anos. Ao assumir, deu sequência ao plano de modernização da produção de leite deflagrado no início da atual década. Em setembro de 2016, a Colorado bateu em 73.700 litros/dia, mantendo o título de maior produtora brasileira.

Companhia Aérea Oficial

A modernização envolveu a implantação de uma moderna estrutura de ordenha (sistema carrossel), a construção de pavilhões e de uma rede climatizadora (para garantir o conforto do ambiente para os animais) e a elaboração e execução de um plano de melhoramento genético (sob a consultoria da Alta Genetics, de Uberaba, MG). Focada em qualidade, a Fazenda Colorado usa apenas 600 dos seus atuais 1.700 hectares para a produção de leite. Nesta área estão todas as estruturas, um rebanho médio de 2.050 vacas, lavoura de milho para silagem, residências (cerca de 200 funcionários) e o laticínio para processamento e envasamento do Leite tipo “A” Xandô (capacidade para até 10.000 litros/hora). Entre os próximos saltos vislumbrados pela Colorado com o leite Xandô está o possível investimento na produção de derivados como queijo e bebida láctea.

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