Notas ao pé da taça

Coluna TERROIR - Por Irineu Guarnier Filho


05.01.21

Afinal, vinho faz bem à saúde? Tinto ou branco? Como harmoniza-lo com massas? Como saber se um rótulo vale a pena? Quem faz o quê no mundo do vinho? Dá pra fazer vinho com chuva? Essas são as perguntas que tento responder neste coluna. Saúde!

VINHO FAZ BEM À SAÚDE?

A pergunta já foi respondida pela ciência. Mas sempre há quem tenha dúvidas. Então, vamos lá. Centenas de estudos científicos, realizados por instituições sérias em todo o mundo, mostram que o vinho faz bem ao sistema cardiovascular, à pele, aos ossos, ao aparelho digestivo e até ao cérebro – desde que consumido moderadamente, é claro.

O resveratrol e outras substâncias benéficas encontradas no vinho são aliados da saúde – mas o álcool em excesso faz mal. Então, duas taças de vinho tinto por dia para os homens e uma taça para as mulheres, durante as refeições, são as quantidades indicadas para uma vida saudável. E, para quem bebe regularmente, a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda pelo menos um dia de abstenção por semana.

TINTO X BRANCO

O vinho tinto é melhor do que o branco para a saúde do coração? Sim. Mas vinho não é remédio. E se o vinho branco alegra a alma tanto quanto o tinto, então indiretamente também faz bem ao coração… Sendo assim, vamos aproveitar o calor pra beber mais vinhos brancos gelados. Saúde! (Foto: Isadora Guarnier)

VINHEDOS IRRIGADOS PELO “VELHO CHICO”

Fora do Rio Grande do Sul, poucas regiões brasileiras possuem uma vitivinicultura tão antiga e consistente, em área e volume de produção, como o ensolarado Médio Vale do São Francisco.

Por lá, desde a década de 1980, municípios como Juazeiro e Casa Nova, na Bahia, ou Petrolina e Lagoa Grande, em Pernambuco, abrigam grandes projetos vitivinícolas nacionais e estrangeiros, como o da Fazenda Ouro Verde (Miolo) e o da Dão Sul (português), que elaboram vinhos finos.

Os destaques são as uvas uva Syrah e Moscato – cultivadas com irrigação, o que permite até 2,5 safras por ano. Já são mais de 800 hectares de vinhedos em plena caatiga nordestina.

ENÓLOGO, ENÓFILO E SOMMELIER

Muita gente ainda se confunde com esses termos. Mas não existe razão para confusões. Resumidamente, quem faz o quê:

ENÓLOGO é o profissional de nível superior que elabora o vinho. É ele quem decide o blend, ou o tempo de estágio da bebida em barricas.

ENÓFILO é o amigo do vinho, o consumidor final, aquele que aprecia, hedonicamente, a bebida.

SOMMELIER é o profissional responsável pelo serviço do vinho. É ele que cuida da adega, elabora a carta de vinhos, orienta o cliente da loja e serve a bebida no restaurante. Se for mulher, é sommelière. (Na foto, aula de formação de sommeliers).

VINHO & MASSA

Harmonizar vinhos com massas é relativamente simples. A massa é neutra. Não tem sabor marcante. Melhor harmonizar os vinhos com os molhos. Molhos brancos, leves, temperados com ervas finas, combinam melhor com vinhos brancos, mais delicados. Um Chardonnay é uma boa opção.

Molhos vermelhos, bem temperados, combinam melhor com tintos não muito encorpados. Um Merlot, por exemplo. Um “coringa”, neste caso, é o tinto leve Pinot Noir, que pode escoltar bem tanto os molhos brancos quanto os vermelhos.

CHUVA E VINHO

Chego à vinicola Dal Pizzol, na Serra Gaúcha, numa manhã de muita chuva, e sou recebido pelo amigo Rinaldo Dal Pizzol, um dos proprietários. Pergunto:

– Como vocês conseguem fazer vinho com tanta chuva?

Ele me responde:

– Fazer vinho é fácil. Difícil é fazer uva.

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