Força Renovada

Conteúdo Especial Plant + IHARA


Edição 22 - 09.12.20

Plant + IHARA

Lançamento de linha de herbicidas da IHARA abre caminho para vencer a crescente resistência das plantas daninhas

 Nem mesmo os desafios logísticos impostos pela pandemia foram obstáculo. Nos últimos meses, os laboratórios da fabricante brasileira de defensivos agrícolas IHARA foram abastecidos com cerca de 20 toneladas de ingredientes ativos exclusivos vindos do Japão. Não havia nada rotineiro na operação. Primeiro, pelo meio de transporte utilizado para que a carga chegasse ao seu destino. Normalmente, as encomendas são enviadas do Oriente por via marítima, mas em função das dificuldades em se garantir que, em um período de restrições de locomoção, os prazos fossem cumpridos, a empresa optou pelo transporte aéreo. Segundo, pelo conteúdo transportado, que serviria de matéria-prima para a formulação de uma nova geração de herbicidas, com potencial para combater, com eficiência inédita, um problema crescente na agricultura brasileira e mundial nas últimas décadas: a resistência das plantas daninhas aos herbicidas atuais.

O esforço extra da IHARA visa permitir que estas tecnologias estejam disponíveis aos agricultores brasileiros na próxima safra de verão. Batizados como família Yamato, os novos produtos se encaixam no nicho de herbicidas pré-emergentes, aqueles que – como o próprio nome já diz – são aplicados antes da erva daninha emergir. Hoje, este nicho representa apenas 25% do mercado de herbicidas no Brasil, contra 70% nos Estados Unidos e 55% na Europa. “Eles eliminam a matocompetição inicial. A soja, por exemplo, sai no limpo, germina primeiro e ganha a dianteira competitiva”, diz o consultor e pesquisador Dr. Pedro Christoffoleti, especialista no manejo de plantas daninhas. “Outra vantagem é dar flexibilidade ao produtor na aplicação dos herbicidas pós-emergentes, “o agricultor não precisa aplicar naquele dia determinado, pode aplicar um dia depois ou uma semana depois, porque o mato vem de forma menos agressiva”, acrescenta.

O cenário do combate às daninhas no Brasil explica a urgência de ações como a da IHARA. “A resistência é o problema número 1 no mundo nessa área”, afirma Dr. Rubem Oliveira, professor de Agronomia na UEM. Isso acontece pelo manejo inadequado, aplicação repetitiva e continuada de um mesmo produto ou produtos com modo de ação semelhantes por um longo período de tempo. Tal processo seleciona as plantas invasoras resistentes que não mais respondem àquele herbicida. O resultado é perda de produtividade. “A resistência tem feito com que o mato tenha mudado recentemente e esteja causando cada vez mais problemas, custando cada vez mais caro fazer seu controle em praticamente todas as culturas agrícolas”, diz Dr. Aldo Merotto Jr., professor na área de plantas daninhas na UFRGS.

Os números comprovam. Segundo a Base Internacional de Dados para Ervas Daninhas Resistentes a Herbicidas (Heap, na sigla em inglês), o Brasil tem 50 casos de resistência que envolvem 28 espécies de plantas daninhas. Anualmente, só na cultura da soja são gastos R$ 4,2 bilhões no controle à resistência e ainda há perdas de R$ 9 bilhões em decorrência da matocompetição na cultura.

R$ 9 bilhões é o total de perdas em decorrência da matocompetição na cultura da soja

A carência de novas moléculas para o controle das daninhas tem impacto nesse quadro. O último lançamento significativo de herbicidas para as culturas de grãos, por exemplo, aconteceu na década de 1980. “Estamos esperando que as empresas nos ofertem novos mecanismos, com novas moléculas e novas estratégias para serem aplicadas”, afirma Leandro Vargas, pesquisador da Embrapa Trigo. Ciente desse contexto, a IHARA trabalhou 10 anos na adaptação de quatro novos produtos pré-emergentes – desenvolvidos em parceria com a Kumiai Chemical, uma de suas controladoras japonesas – para a realidade brasileira. “Estes herbicidas do futuro, que são moléculas inovadoras, se adequam melhor às condições encontradas pelos produtores no campo”, diz André Nannetti, gerente geral de Marketing da IHARA.

O grande diferencial da família Yamato é diversificar a forma como os herbicidas combatem às plantas invasoras. “A tecnologia inibe a síntese de ácidos graxos, que são os responsáveis pela formação da membrana celular [da planta] e, consequentemente, inibe a germinação da erva daninha”, explica Christoffoleti. A importância de controlar essas ervas daninhas está no seu poder de disseminação. “Uma única buva produz 200 mil sementes, o que significa que haverá 20 sementes por metro quadrado”, acrescenta.

Um dos produtos da família, KYOJIN, é destinado justamente à mitigação de plantas invasoras de folhas estreitas e folhas largas (como buva, caruru, capim amargoso, capim pé-de-galinha, entre outras) nas culturas de soja e milho. “Para algumas delas, não havia mais eficácia de controle com os produtos até então disponíveis”, diz Christoffoleti. “Essa nova solução se destaca por sua seletividade, capacidade de controlar a erva daninha sem injuriar a soja. A razão técnica para isso é que a tecnologia permanece apenas nos primeiros centímetros superficiais [do solo], não chega ao sistema radicular da soja, o que é importante do ponto de vista agronômico e ambiental”, diz.

Os produtores de trigo do Sul do país, por sua vez, sofrem com a incidência do azevém. “Hoje o Brasil só tem moléculas para pós-emergência [na cultura]. O nosso produto , o YAMATO,  será o primeiro para o manejo em pré-emergência na cultura”, diz Elton Visioli, gerente de produtos Herbicidas da IHARA. Para a cana-de-açúcar, a solução apresentada para combater ervas daninhas se destaca pela seletividade. “O produtor de cana reclama de problemas de injúrias de herbicidas que podem afetar o desenvolvimento da lavoura. Mas este produto (FALCON) é 100% seguro, desde que usado dentro das recomendações de bula”, diz Christoffoleti. Versátil, a tecnologia pode ser utilizada para combater invasoras também em plantações de eucalipto, pinus, mandioca, café e citrus. Há ainda uma quarta tecnologia (RITMO) voltada exclusivamente para o combate de plantas daninhas de folha estreita e sementes grandes nos canaviais no período seco. “Nossa expectativa é alcançar vendas de R$ 200 milhões com estes quatro herbicidas no próximo ano”, diz Visioli.

Não é nada fácil a tarefa de desenvolver novas moléculas para a agricultura. “Há 20 anos, eram necessárias 50 mil pesquisas para chegar a uma tecnologia. Hoje estimamos 160 mil pesquisas para chegar a uma nova molécula”, diz Nannetti. Nos últimos cinco anos, a IHARA investiu R$ 200 milhões em desenvolvimento no Brasil, o que tornou ainda mais robusto seu portfólio que conta atualmente com mais de 60 produtos para mais de 100 culturas.

A empresa mantém o ritmo. Neste ano, aportou R$ 40 milhões na construção de novos centros de pesquisas, um em Primavera do Leste (MT) e outro em Sarandi (PR). Isso sem contar os R$ 20 milhões anuais aplicados em pesquisa.  “Pretendemos a cada dez anos renovar em torno de 80% do nosso portfólio”, diz o gerente geral de Marketing da IHARA. Tal renovação é essencial para a agricultura tropical, uma vez que as altas temperaturas e umidade contribuem para selecionar ervas daninhas cada vez mais agressivas. Porteira adentro, o agricultor também pode ajudar fazendo o manejo correto para que os herbicidas tenham vida longa.

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