Trump e o agro

Coluna A REVOLUÇÃO DAS MÁQUINAS - Por Marco Ripoli


08.10.20

Marco Lorenzzo Cunali Ripoli, Ph.D. é Engenheiro Agrônomo e Mestre em Máquinas Agrícolas pela ESALQ-USP e Doutor em Energia na Agricultura pela UNESP, executivo, disruptor, multiempreendedor, inovador e mentor. Proprietário da BIOENERGY Consultoria e investidor em empresas.  Acesse www.marcoripoli.com

Os pagamentos do governo americano aos agricultores subiram a patamares históricos sob o mandato do Presidente Donald Trump, à medida que o Departamento de Agricultura americano direciona dinheiro para conter as perdas financeiras devido às lutas tarifárias de Trump e à pandemia do novo coronavírus.

À medida que a agricultura se torna mais e mais dependente do suporte sem precedentes dos contribuintes, especialistas em políticas agrícolas alertam que os subsídios estão crescendo e muito rápido, sem amarras e pouca supervisão do Congresso.

A título de alerta, a ajuda agrícola direta americana subiu a cada ano da presidência de Trump, de US$ 11,5 bilhões em 2017 para mais de US$ 32 bilhões este ano — a maior alta de todos os tempos.  Os pagamentos maciços têm sido um benefício político de Trump para os produtores rurais e espera não criarem uma cultura de dependência, à medida que agricultores e pecuaristas trabalham os subsídios de bônus em seus planos financeiros ao fazer grandes investimentos em todo o sistema produtivo.

Especialistas comentam que isso é um problema para a agricultura por não ser uma atividade sustentável, uma vez que você está fornecendo aos agricultores tanto dinheiro agora e depois este recurso irá acabar! Existe um grau significativo de confiança e esperança que os agricultores usarão este auxílio de forma sábia, pois o dinheiro vem do contribuinte, arrecadado por meio de impostos.

Em meados de 2018 houve aumento dos gastos, quando o Departamento de Agricultura Americano (USDA) começou a enviar dinheiro para os produtores rurais par reduzir os danos da guerra comercial de Trump, principalmente com a China, que vem provocando tarifas altas que prejudicam as exportações agrícolas e os preços das commodities.

As vendas agrícolas para a China caíram de US$ 19,5 bilhões em 2017 para apenas US$ 9 bilhões no ano seguinte; à medida que os produtores continuaram contabilizar perdas de receitas em 2019.  Tanto que 20% das muitas propriedades rurais chegaram a falência no ano passado, um número alarmante.

As eleições presidenciais deste ano nos Estados Unidos já geram muito pontos de atenção. Dependendo do vencedor muitas incertezas ainda pairam sobre a nova política agrícola e isso abre oportunidades para o agronegócio brasileiro, independente de qual seja o resultado.

O Agro não para!

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