O Porto do Agro

Conteúdo especial PLANT + PORTO DO ITAQUI


Edição 22 - 22.10.20

PLANT + PORTO DO ITAQUI

Vantagens geográficas, capacidade para atrair investimentos e infraestrutura moderna fazem do Porto do Itaqui, no Maranhão, um dos mais eficientes para o agronegócio brasileiro.

No início de setembro passado, o Brasil ganhou um novo marco logístico. Trata-se da segunda fase do Terminal de Grãos do Maranhão (Tegram) do Porto do Itaqui, uma das mais importantes obras de infraestrutura para o desenvolvimento do agronegócio brasileiro. O projeto recebeu R$ 260 milhões em investimentos da iniciativa privada e abrirá caminho para que o Itaqui quase dobre a movimentação anual de grãos, que poderá chegar a impressionantes 20 milhões de toneladas – para efeito de comparação, o número equivale a quase 10% de toda a produção nacional de grãos.

Sob diversos aspectos, a iniciativa representa um grande passo para reforçar o papel do porto público como um dos mais relevantes do País. “Com o Novo Tegram, o Itaqui se fortalece como o grande porto da agricultura brasileira”, diz o governador do Maranhão, Flávio Dino. De fato, a nova fase colocará definitivamente a saída pelo Maranhão como uma das mais eficientes e rentáveis opções para a exportação de grãos e importação de insumos para as lavouras das mais pulsantes fronteiras agrícolas do País.

O novo terminal beneficia diretamente os produtores da região do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) e do nordeste do Mato Grosso, mas estende seus benefícios também para outras regiões. Graças à sua proximidade desses polos agrícolas, onde avança sobretudo o plantio de soja e milho, ele irá proporcionar maior agilidade no escoamento da safra para mercados estratégicos, como o europeu e o asiático. “Estamos cada vez mais preparados para contribuir para a expansão do agronegócio brasileiro”, diz Ted Lago, presidente do Itaqui.

Carregamento de soja a granel no Tegram

O novo terminal trouxe diversas inovações. Segundo Marcos Pepe Bertoni, diretor do consórcio Tegram, a segunda fase do projeto foi baseada na duplicação da moega ferroviária do porto, na instalação de novas esteiras de recepção e na aquisição de um shiploader com capacidade para carregar 3 mil toneladas por hora. “Tudo isso irá contribuir para a duplicação de nossa capacidade atual”, destaca Bertoni. O consórcio que administra o Tegram é formado pelas empresas Terminal Corredor Norte (ligada à trading NovaAgri, do grupo japonês Toyota Tsusho), Glencore Serviços (da trading Glencore), Corredor Logística e Infraestrutura (braço do Grupo CGG) e ALZ Terminais Portuários (das tradings Amaggi, Louis Dreyfus e Zen-Noh Grain).

Os projetos de modernização, os investimentos constantes e a gestão profissional colocaram o Itaqui em um lugar de destaque no mapa portuário brasileiro. Em 2019, as 25,2 milhões de toneladas de cargas transportadas representaram um avanço de 12% sobre o resultado de 2018 – nenhum público entre os cinco maiores no Brasil cresceu tanto no mesmo período. As exportações foram responsáveis por 13,7 milhões de toneladas em 2019, ou 54% da movimentação total. O principal mercado atendido pelo Itaqui é o de grãos, mas o transporte de combustíveis, fertilizantes e celulose também é vital para a solidez do porto.

Não é só. A gestão da Empresa Maranhense de Administração Portuária (EMAP), que administra o Itaqui, é reconhecida internacionalmente. O porto conta com dupla certificação, uma de qualidade de serviços (ISO 9001:2015) e outra ligada à gestão ambiental (ISO 14001:2015). Em 2020, outras duas certificações (nas áreas de segurança da informação e segurança do trabalho) estão previstas, o que diferenciará ainda mais as operações do Itaqui em relação aos seus pares. A visão da EMAP é ser, até 2022, uma empresa referência em gestão portuária no Brasil.

  Terminal para combustíveis líquidos

MAIS PERTO DOS MERCADOS

O que explica o crescimento expressivo das cargas transportadas, muito acima da média nacional, e o reconhecimento do Itaqui como um dos mais completos portos do País? Inúmeras razões justificam o notável desempenho e a ótima reputação. Uma vantagem inquestionável do Itaqui diz respeito à sua localização geográfica. Entre os grandes portos, ele é um dos mais próximos dos principais mercados internacionais do agronegócio brasileiro (veja no infográfico ao final da reportagem). Uma simples comparação demonstra por que está à frente nesse aspecto. A distância do Porto do Itaqui para o Porto de Valência, na Espanha, é de 3.566 milhas náuticas. O Porto de Santos, por sua vez, fica a 4.764 milhas náuticas daquele destino. Em termos logísticos, a diferença é significativa. Para a Europa e os Estados Unidos, a vantagem geográfica equivale a cinco dias a menos de viagem.

Outra virtude do Itaqui diz respeito a suas amplas conexões. No País, nenhum outro porto utiliza tanto o modal ferroviário, que responde por 55% no total de cargas transportadas. Além de ser o sistema mais eficiente do ponto de vista operacional, as ferrovias encurtam distâncias. Atualmente, o Itaqui usa as ferrovias para receber grãos, celulose e cobre, e para expedir combustíveis para as principais cidades de sua área de influência e futuramente elas também permitirão que o porto atenda estados em três regiões brasileiras. Teresina, no Piauí (Nordeste), é acessada pela Transnordestina. Palmeirante, no Tocantins (Norte), pela Carajás/Norte-Sul, ferrovia que também chega a Anápolis (GO), no Centro-Oeste.

A gestão da EMAP, que administra o Itaqui, é reconhecida internacionalmente e tem dupla certificação, em qualidade de serviços (ISO 9001:2015) e gestão ambiental (ISO 14001:2015).

 Visão da EMAP: Ser até 2022 uma empresa referência em gestão portuária no Brasil

Esses são apenas alguns exemplos que confirmam os amplos campos de atuação do Itaqui. Se forem consideradas todas as conexões, o complexo portuário é ligado pelas ferrovias Norte-Sul (da VLI), Norte-Sul (da Rumo), Estrada de Ferro Carajás (EFC) e a Transnordestina. “A intermodalidade entre a VLI e o Porto do Itaqui vem colhendo bons frutos para as cargas de grãos, combustível e celulose”, diz Rodrigo Ruggiero, diretor de Planejamento e Integração da VLI. “O Itaqui é parte crucial de um sistema que conecta malha rodoviária, ferrovia e porto, permitindo ao agronegócio contar com uma rota mais eficiente e adequada para grandes volumes.” Ruggiero destaca que o Terminal Portuário São Luís, administrado pela VLI, movimentou 4,1 milhões de toneladas de grãos no ano passado, um avanço de 22,7% sobre o ano anterior. A soja liderou os negócios, com 2,6 milhões de toneladas, seguida do milho, com 1,4 milhão. A soja é, de fato, o carro-chefe do Itaqui, que se consolidou como um dos três portos que mais exportam o grão no País.

Os combustíveis representam o segundo maior mercado atendido pelo Itaqui. Em 2019, foram movimentadas 8 milhões de toneladas, o equivalente a 32% do volume total. Como resultado, o Itaqui firmou-se como o terceiro maior porto de movimentação de graneis líquidos do Brasil. A maior parte dos combustíveis vem dos Estados Unidos, que respondem por 78% do total, à frente da Holanda (10%) e dos Emirados Árabes Unidos (5%). A infraestrutura para granéis líquidos está em fase de ampliação, com projetos liderados pela Granel Química, Raízen e Ultracargo, além da perspectiva de licitação para o arrendamento de mais quatro áreas para novos terminais. Iniciativas como essas devem gerar mais de R$ 500 milhões em investimentos.

A vocação eclética do Itaqui faz com que outras áreas também se destaquem. De janeiro a junho, a movimentação de fertilizantes atingiu a marca expressiva de 1,2 milhão de toneladas, o que corresponde a um crescimento recorde de 50% em relação ao mesmo período do ano passado. Novas marcas deverão ser quebradas com a entrada em operação do novo terminal de fertilizantes da Companhia Operadora Portuária do Itaqui (Copi), o que deve ocorrer nos próximos meses. O projeto receberá aportes de R$ 140 milhões, um sinal inequívoco da renovada confiança no porto. “O Porto do Itaqui hoje é a principal porta de entrada de fertilizante para o Arco Norte, e este empreendimento garantirá um rápido desenvolvimento para o agronegócio da região do MAPITOBA, incluindo o Vale do Araguaia/MT e sudeste do Pará.” diz Clawiston Mantovani, diretor administrativo e financeiro da companhia. Segundo o executivo, os fertilizantes movimentados pelo Itaqui são originários principalmente do Egito, Israel e Rússia. Ao chegar no País, o produto é distribuído para a região Matopiba.

Uma das explicações para o crescimento do Itaqui nos últimos anos se deve à parceria entre a administração pública e a iniciativa privada. A gestão transparente, pautada em regras severas de governança, traz a confiança necessária para que empresas de diversos setores se interessem em investir no porto. Há inúmeros exemplos. No ano passado, a fabricante de papel e celulose Suzano venceu o leilão para operar uma área de 53 mil metros quadrados no Itaqui. A concessão do local por um prazo inicial de 25 anos resultará em investimentos de R$ 215 milhões para a construção de um novo terminal portuário. Poucos empreendimentos no país têm captado tantos recursos. O atual ciclo de desembolsos prevê R$ 1,4 bilhão em projetos de expansão e modernização, considerando os investimentos públicos em infraestrutura portuária e, sobretudo, o aporte de capital privado no aumento da capacidade dos terminais. “O Porto do Itaqui se transformou em um grande polo de atração de investimentos”, diz o governador Flávio Dino. “Isso é ótimo não apenas para o Maranhão, mas para todo o Brasil.”

Clique na imagem ou aqui para ver o infográfico em tamanho maior

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