Agro Lu

Luiza Helena Trajano tem sido muito requisitada para falar com o agronegócio


Edição 21 - 05.10.20

Luiza Helena Trajano se tornou, por várias razões, uma das principais lideranças femininas do País. Presidente do Conselho de Administração do Magazine Luiza, ela transformou o varejo e o e-commerce no Brasil, inclusive com uma aposta arrojada de entrar no comércio eletrônico sem abrir mão das lojas físicas. Quem questionou a decisão na época foi obrigado a dar o braço a torcer, pois a empresa tornou-se um fenômeno de varejo. E, como ela faz questão de dizer, fruto de um trabalho coletivo.

Esta é outra razão de Luiza ser tão influente: sua visão comunitária, a preocupação com questões que afligem a sociedade como um todo, a exemplo do combate à violência contra a mulher. Não por acaso, desde 2013 Luiza está à frente do Grupo Mulheres do Brasil, que começou com 40 integrantes e hoje reúne mais de 40 mil, o maior grupo político apartidário do Brasil, como ela define.

Natural da cidade de Franca, no interior de São Paulo, Luiza tem se aproximado do agronegócio. Além da própria história, a forma simples, objetiva e carismática de se comunicar lhe rendeu diversos convites para participar de eventos do agro pelo País. O que só aumentou com a multiplicação de lives durante a pandemia da Covid-19. Agora até produtos agropecuários já são comercializados no marketplace do Magazine Luiza. E os acionistas controladores da empresa lideraram uma rodada de investimento em uma startup de tecnologia voltada para o setor agrícola. Nesta entrevista exclusiva para a PLANT PROJECT, Luiza Helena Trajano fala um pouco mais dessa relação. Acompanhe.

A senhora nasceu e cresceu em uma região com forte presença do agronegócio, o interior de São Paulo. Como isso influenciou a visão que a senhora tem do setor atualmente?

Toda a região de Franca tem forte presença no agronegócio, mas a indústria, especialmente do calçado, sempre foi mais visível. Aprendi a entender a expansão do Magazine Luiza observando sempre regiões onde o agronegócio fosse forte e diversificado, pois isso é um grande incentivo para toda a economia regional.

A senhora tem liderado e participado de uma série de movimentos em favor do empreendedorismo feminino. Como avalia esse movimento nas áreas urbanas e rurais? Acredita que as mulheres do campo e da cidade têm o mesmo nível de engajamento?

De engajamento e vontade sim, o que muda são as diferentes realidades e necessidades. Já dei muitas palestras exclusivamente para mulheres que trabalham com o agronegócio. Recentemente fui a Minas Gerais em um evento que reuniu centenas de mulheres que trabalham com café e fiquei maravilhada com a energia, o conhecimento e a vontade de empreender dessas mulheres. Da mesma forma ocorre com as mulheres do sertão, que trabalham com artesanato, por exemplo. São mulheres empreendedoras por natureza.

Como surgiu essa aproximação com as mulheres do agronegócio e em que pontos a senhora mais se identificou com esse grupo?

Além dessas palestras, que sempre que possível viajava para atender, o Grupo Mulheres do Brasil criou um comitê de agronegócio. Então, pude perceber melhor a força que a mulher tem no agronegócio do Brasil e que pode contribuir ainda mais com essa riqueza brasileira, assim que quebrar paradigmas do setor.

Considerando as oportunidades que teve de interagir com essas mulheres do agronegócio, que desafios acredita serem similares na comparação do meio rural com o mercado varejista?

Os desafios são os mesmos, quebrar paradigmas e vencer os preconceitos machistas enraizados. As formas de reverter isso e as histórias é que são diferentes.

Essa proximidade pode aumentar? Há pretensões de se integrar ainda mais ao grupo das mulheres do agronegócio? De que forma isso pode acontecer?

Nosso comitê de agronegócio do Grupo Mulheres do Brasil trabalha intensamente e diretamente neste mercado, tratando todas as questões que possam fortalecer o agronegócio como um todo, não apenas para as mulheres, mas para o Brasil.

A senhora afirma ser fã da Embrapa. O que mais a encanta no trabalho da Embrapa?

Costumo dizer, para exemplificar, que a Embrapa é o Sebrae do agronegócio, pois possui um leque enorme de informações sobre o setor que auxiliam os produtores e podem fazer a diferença e levar cada vez mais inovação para o agronegócio brasileiro.

Os acionistas controladores do Magazine Luiza são os âncoras de uma rodada de investimento, de US$ 40 milhões, na Solinftec, uma empresa de tecnologia na agricultura. O que motivou esse investimento? O que se espera dessa aplicação?

Sim, o investimento foi feito por meio da UnBox, que é a empresa de investimento das famílias acionistas. Estamos sempre atentos a oportunidades de investimento em empresas inovadoras em seus segmentos, e esta foi uma das características que enxergamos na Solinftec. Esperamos que a Solinftec cresça e contribua de forma significativa para a melhoria do agronegócio do País.

A expertise da Solinftec em tecnologia pode contribuir de alguma forma com a evolução tecnológica do Magazine Luiza?

Pode até acontecer. A Solinftec não faz parte do Magazine Luiza, mas sim da empresa de investimento dos acionistas, mas nada impede que encontremos sinergias em que uma possa contribuir com a outra.

O caso da Solinftec será único no portfólio da família ou existe a possibilidade de novos investimentos em empresas de tecnologia para o agronegócio (agtechs)?

A UnBox analisa estrategicamente todas as possibilidades, mas sempre procuramos empresas focadas em inovação, independentemente do segmento.

Já há empresas do agronegócio negociando seus produtos e serviços pelo marketplace do Magazine Luiza. E empresas grandes. O Magazine Luiza pode se tornar uma grande referência do varejo do agro também?

Temos investido muito em nossa plataforma de marketplace, inclusive, durante a pandemia, abrimos esta plataforma para micro e pequenas empresas e autônomos que não tinham e-commerce para que não paralisassem suas atividades. A adesão foi muito grande, e milhares de pequenos lojistas passaram a vender no Magazine Luiza, pagando comissões muito baixas. Foi uma grande contribuição da empresa durante a pandemia para os pequenos negócios. Nossa plataforma já tem empresas do agronegócio, mas queremos ampliar significativamente. Temos grande interesse em fortalecê-las com a presença muito maior do setor.

TAGS: Luiza Helena Trajano, Magazine Luiza, Solinftec