Três décadas de transformações

Plant + Rabobank: Como a trajetória do banco no Brasil se relaciona com a expansão do agronegócio


Edição 21 - 24.08.20

O ano é 1989 e o mundo está em transformação. Símbolo de uma era na geopolítica internacional, o Muro de Berlim vai ao chão. No Brasil, os brasileiros vivem uma campanha eleitoral para presidente depois de mais de duas décadas e meia. São momentos para a história. Mas há também uma revolução silenciosa em curso nos recantos remotos do interior brasileiro. Com ciência e resiliência, produtores rurais arrojados expandem novas fronteiras agrícolas no Cerrado e começam a mudar a geografia da produção global de alimentos.
Mais de 30 anos se passaram e é possível dimensionar o impacto desse movimento: em 2020, as lavouras brasileiras produzirão seis vezes mais soja do que em 1989 – e 451% mais milho ou 352% mais algodão, para citar alguns de nossos principais produtos agrícolas. Hoje mais de 200 países consomem alimentos comprados do Brasil. A exportação de carne bovina, por exemplo, saltou de 249 mil toneladas para 2,3 milhões de toneladas nesse período, quase oito vezes mais – isso embora a área destinada a pastagens no País tenha sido reduzida em 15%.
A análise de números como esses é corriqueira no cotidiano das áreas agrícolas dos bancos. Para uma instituição, porém, tem significado especial. Com uma história de mais de 120 anos dedicados ao incentivo da produção de alimentos, o holandês Rabobank pode relacionar esses números na linha do tempo de sua presença por aqui. De um simples escritório de representação, aberto em São Paulo justamente em 1989, a uma estrutura com mais de 500 funcionários, 17 agências, mais de US$ 10 bilhões em ativos e cerca de 1,5 mil clientes, a trajetória do principal banco dos setores agrícola e alimentício do mundo está umbilicalmente ligada ao salto exponencial na produção, que colocou o Brasil como peça-chave no tabuleiro global da segurança alimentar.

CONHECIMENTO EM CAMPO
O ano é 2020 e o mundo está em transformação. O planeta enfrenta os severos efeitos sociais e econômicos provocados por uma pandemia ainda fora de controle. As cidades ficam silenciosas e o ruído das máquinas, agora, vem do interior brasileiro. “Pelos modelos de produção voltados para exportação e polos afastados dos grandes centros urbanos, o agronegócio tem sido menos afetado durante a pandemia”, afirma Fabiana Alves, diretora do Wholesale Banking do Rabobank Brasil. “Com exceção dos setores de flores e etanol, as demais cadeias do agronegócio continuam funcionando bem e esperam bons resultados nesta safra.”
Três décadas de conhecimento e relacionamento profundo com os principais atores da saga agropecuária brasileira embasam a análise confiante. O Rabobank trabalha exclusivamente com agronegócio. E, a despeito da incrível curva ascendente dos indicadores de produção, viveu junto aos produtores e à agroindústria outros momentos igualmente desafiadores. As lições aprendidas nos momentos difíceis – como a crise financeira global de 2008/2009 – são valiosas no cenário atual. A primeira é a compreensão de que, em ambientes especialmente difíceis, decisões precisam ser tomadas com agilidade e com senso de parceria com os clientes. A extensão de prazos de vencimentos nos financiamentos, por exemplo, ajudou a manter vários deles ativos, assim como a ampliação do acesso ao crédito no Rural Banking.
Presente em cerca de 40 países, o Rabobank utiliza sua ampla rede em benefício de toda a cadeia de alimentos – da fazenda à mesa do consumidor –, seja desenhando soluções financeiras estratégicas para o agronegócio, seja coletando e compartilhando informações que permitirão aos seus clientes a tomada de decisões mais assertivas, mesmo nos momentos de menor estabilidade. Em sua área de pesquisa, a Raboresearch, mais de 80 analistas espalhados pelo mundo inteiro estão permanentemente atentos ao que acontece nos principais mercados. Isso permite que o banco antecipe tendências, projete cenários e apresente soluções com base no que acontece em outros players.
Nos anos 2000, por exemplo, pesquisas do Rabobank indicaram como uma macrotendência para o setor a crescente demanda da China por commodities agrícolas, fruto do ritmo intenso de crescimento econômico e ampliação do poder de consumo da população do gigante asiático. Produtores brasileiros foram alguns dos maiores beneficiados por essa ampliação de mercado e o Rabobank esteve entre os principais apoiadores dos produtores que passaram a exportar. No algodão, por exemplo, esse apoio acompanhou uma incrível virada brasileira no mercado internacional. Em 1996 – ano que marcou a organização de todos os processos do banco dentro das exigências do Banco Central –, o País era importador da pluma. Em 2019, segundo dados da Secex, exportou mais de 1,6 milhão de toneladas, gerando uma receita de US$ 2,64 bilhões e consolidando sua posição de segundo maior vendedor de algodão do mundo – cerca de 60% das operações de exportação foram financiadas pelo Rabobank.

Conteúdo produzido pela Plant para o Rabobank

CONEXÕES GLOBAIS
Se abrir mercados é difícil, muito mais complexo é mantê-los. Há cerca de duas décadas, as pesquisas e relatórios publicados pelos especialistas do Rabobank começaram a apontar também que a adoção de critérios de produção sustentável seria uma exigência cada vez mais frequente de clientes internacionais. Em 2006, o banco foi pioneiro ao estabelecer uma política própria de sustentabilidade para o mercado financeiro ligado ao agro. Isso estimulou muitos de seus clientes a reverem seus modelos de produção, se adequando aos parâmetros exigidos, não apenas para a concessão de crédito, mas também para o acesso aos mercados de alguns países. As métricas utilizadas pelo Rabobank para a avaliação de critérios socioambientais são reconhecidas globalmente.
O compromisso com o agronegócio sustentável está expresso como um dos principais pilares da missão global do banco, “Cultivando um Mundo Melhor Juntos” (“Growing a Better World Together”). Ela resume uma série de ações incentivadas pelo Rabobank, como programas de fomento a iniciativas que tenham como objetivo resolver problemas relacionados à produção e à distribuição de alimentos no mundo ou integrar produtores de diversas regiões do planeta para compartilharem conhecimento e experiências.
Além da atuação de sua área exclusiva de pesquisas, o Rabobank conecta players e clientes ao redor do mundo por meio de eventos com especialistas e programas de network. No Brasil, por exemplo, mantém há mais de uma década o Agrolíderes, que reúne jovens agricultores com o objetivo de formar futuras lideranças rurais. Em nível internacional, os clientes do banco são interligados através da plataforma digital Global Farmers, uma “rede social” exclusiva que permite o intercâmbio de experiências e conhecimento entre produtores de diferentes países.
Criada e desenvolvida a partir de valores cooperativos, a instituição atua com uma visão de longo prazo e parceria com os clientes. Assim, muitas de suas contribuições ao agronegócio brasileiro não podem ser expressas em indicadores financeiros. “O crescimento e a profissionalização do agronegócio proporcionaram o desenvolvimento de muitas regiões, gerando empregos e renda, e elevando substancialmente o IDH de muitas cidades focadas na produção e industrialização de alimentos, melhorando a qualidade de vida da população”, analisa Fabiana Alves. “Tal desenvolvimento aumenta o interesse dos jovens por carreiras ligadas ao agro e reduz o ‘envelhecimento da mão de obra no campo’, que é uma preocupação de muitos países. A tecnificação do agronegócio incentiva a educação, o treinamento e a construção de um pool de mão de obra mais especializada.”
A revolução agrícola das últimas três décadas deixa, assim, um importante legado ao País. E permite ao time do Rabobank, que participou ativamente desse período único, vislumbrar cenários de retomada pós-pandemia. “Acreditamos que o Brasil tem condições de continuar contribuindo para a segurança alimentar global, já que nos últimos anos se tornou referência mundial em produtividade, tecnologia e sustentabilidade socioambiental”, diz a diretora. “Mais do que nunca, o consumidor cobrará essa postura do agronegócio, bem como transparência, rastreabilidade e sanidade. Para manter nossa posição de liderança global como um grande produtor, precisamos garantir inteligência de mercado, estratégia clara e coordenada ao longo de toda a cadeia, e forte atuação no estabelecimento de acordos comerciais internacionais adequados.”

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