POTPOURRI DE FATOS

Coluna A REVOLUÇÃO DAS MÁQUINAS - Por Marco Ripoli


09.05.20

Marco Lorenzzo Cunali Ripoli, Ph.D. é Engenheiro Agrônomo e Mestre em Máquinas Agrícolas pela ESALQ-USP e Doutor em Energia na Agricultura pela UNESP, executivo, disruptor, multiempreendedor, inovador e mentor. Proprietário da BIOENERGY Consultoria e investidor em empresas.  Acesse www.marcoripoli.com

Voltando à década de 1920, quando o mundo vivia um importante momento de desenvolvimento, a criação de riquezas e novas tecnologias acabou sofrendo com a aparição das bolhas financeiras que culminaram na crise da Bolsa americana de 1929, levando ao desemprego e piorando a condição de vida.  Os profissionais naquele momento acabaram sofrendo com a perda do emprego – muitos devido ao despreparo –, gerando insatisfação social.  Estas insatisfações muitas vezes foram manipuladas por grupos políticos que desejavam pleitear ações de interesse direcionadas…  Prática comum ainda atualmente.

Países asiáticos, como a China, onde se acredita que surgiu o Covid-19, já têm longa história sob regimes de governo mais autoritários – o que torna os habitantes mais adaptados a conviver e aceitar um regime de lockdown em cidades e regiões especificas…  Diferente do que aconteceu em muitos países que decretaram o fechamento, na China lockdown significa lockdown!  Fator de sucesso do controle da pandemia.  A China é um país muito rico, porém a população, na sua maioria, muito pobre.

A quarentena é momentânea e o importante é promover esta passagem de forma segura, rápida e eficiente, salvando o maior número de pessoas contaminadas, evitando a propagação do vírus.  Saúde se adquire com boa alimentação e os alimentos vêm da Agropecuária.

Existem probabilidades de termos novas epidemias, oriundas provavelmente da China e Índia, devido a concentração de quase metade do total da população mundial.  Logo, a alta demografia, aliada aos atuais hábitos alimentares por estes países, pode ser fator de novas doenças.

Hoje, falando de transformação digital, nos últimos 2 meses avançamos mais do que nos últimos 5 anos. Os eventos digitais estão cada vez mais comuns – congressos, palestras, “lives”, reuniões de trabalho e familiares, não deixando de lado o significativo aumento considerável das compras realizadas por marketplaces digitais.  Com novas tecnologias, as empresas terão reduções significativas de custos na sua estrutura organizacional, mas por outro lado a transformação digital pode trazer a individualização e isolamento das pessoas.

Empresas devem descobrir a melhor forma de impactar positivamente a sociedade e aquelas que se mostrarem capazes disso irão se beneficiar por manter e agregar novos clientes, pois terão sua lealdade pós-crise.  Mais que vender, o importante é servir bem!  Não basta gerir a crise, mas também devemos gerir a inovação!

Muito falam “as notícias me deixam mal”.  Na verdade, não são as notícias, mas sim a forma que cada um reage a elas.  Devemos parar de acreditar que momentos de crise nos trazem oportunidades…  O que realmente acontece é que as crises trazem mudanças e, se tivermos atentos para entender o que está mudando, aí sim podemos criar oportunidades.  Cabe a cada um de nós desenvolvermos esta dinâmica, pois quem ficar sentando esperando uma oportunidade aparecer “vai morrer sentado”.

Vale lembrar que na crise global financeira de 2008/9, com o aumento novamente do índice de desemprego nos Estados Unidos e Europa – 85% dos jovens desempregados – empreendedores viram oportunidades de mudar a forma de prover serviços no mercado.  Foi o caso dos fundadores do AirBnB e Uber, que buscaram compreender como prestar melhores serviços aos clientes no setor de hotelaria e mobilidade, trazendo suas empresas ao valor presente de bilhões de dólares.

Além do trabalho duro, outro artificio de sucesso é a capacidade de se fazer uma leitura “instantânea” do mundo, e para isso você deve ter curiosidade, contexto, perspectiva, agregar informações de diversos setores e fontes.  Devemos entender a importância da informação para ajudar na tomada de decisões.

Me lembro durante minha infância quando a informação era muito mais limitada em termos de fontes e acessibilidade.  Hoje existe literalmente excesso de informações, as quais atualizadas minuto a minuto e neste mesmo cenário, também promovem muita desinformação.  Analise aquilo que tem relevância e não se contamine com irrealidades. Existem “filtros” que devem ser aplicados, amparados em fontes seguras de divulgação, reduzindo o “ruído” (fake news) e promovendo informações relevantes.

Exponho tudo isso pois o valor não está apenas na informação, mas na capacidade de transformá-la em conhecimento.  Tire do seu caminho tudo aquilo que te distraia!  O conteúdo que busca deve ser agradável e vindo das melhores referências do setor de interesse…  Lembrem-se que nos tornamos parecidos com as pessoas que nos relacionamos.

Nunca tanta gente saiu da zona da pobreza como vem acontecendo nas últimas décadas…  Essa é a boa notícia. Por outro lado, nunca neste mesmo período se polarizou e politizou tanto as coisas!  Seguimos em frente.

O Agro não para!

TAGS: China, digitalização, Índia, oportunidades