Colheita 2020

Coluna A REVOLUÇÃO DAS MÁQUINAS - Por Marco Ripoli


22.05.20

Marco Lorenzzo Cunali Ripoli, Ph.D. é Engenheiro Agrônomo e Mestre em Máquinas Agrícolas pela ESALQ-USP e Doutor em Energia na Agricultura pela UNESP, executivo, disruptor, multiempreendedor, inovador e mentor. Proprietário da BIOENERGY Consultoria e investidor em empresas.  Acesse www.marcoripoli.com

O plantio da nova safra de cana-de-açúcar ocorreu entre março e abril de 2019 e é possível verificar que a cultura sofreu menos – devido às boas chuvas – que o ano passado, com períodos de secas ao longo do ano.  Incêndios ainda são comuns e prejudicam o crescimento da cana.

A produtividade agrícola média da área colhida atingiu cerca de 77 toneladas por hectare, nos últimos cinco anos, muito inferior aos patamares desejados e possíveis.  A idade média do canavial se mostra em queda (3,7 anos) e a renovação dos canaviais de 2019/2020 foi de 15%, com possibilidade de ser menor para 2020/2021.

A colheita mecanizada permanece malvista por muitos, mas a tendência inevitável é que irá continuar aumentando, pois ajuda na redução dos custos de produção garantindo que o canavial será colhido com qualidade no momento adequado, se realizada da forma correta.  O parque de máquinas aumenta anualmente e as estas máquinas têm ganhado novas tecnologias: piloto automático, gerenciamento de desempenho de motores, mapas de produtividade, motores mais eficientes, telemetria e eletrificação de dispositivos são exemplos claros. A intensificação do uso de inteligência artificial para o preparo de mão-de-obra qualificada, de novas variedades de cana com transgenia e até mesmo o desenvolvimento de sementes artificiais, são exemplos do caminho para onde estamos indo.  Para tudo isso funcionar bem precisamos da conectividade rural disponível onde o produtor necessita, não apenas no escritório.

Como aumentar mais a produtividade dos canaviais e das máquinas? As variedades de cana (atuais, transgênicas e  artificiais), os espaçamentos de plantio, o número de linhas de plantio para colher de uma vez só, o consumo de combustível em toda a frota e compactação no solo são exemplos de variáveis relevantes, onde fabricantes e pesquisadores devem investir em pesquisas e desenvolvimento para trazerem novas soluções.

Uma breve análise para a safra 2019/2020 é uma moagem por volta de 585 milhões de toneladas no Centro-Sul, não levando em consideração cenários de cana-bisada.  A produção de açúcar deve chegar 33,7 milhões de toneladas e 26,6 bilhões de litros de álcool, com um ATR acumulado para 80 milhões de toneladas e 133 Kg de ATR por tonelada de cana, com um mix de produção açucareiro de 55%.

O setor melhorou seu planejamento, mas é preciso atenção em relação aos próximos 10-15 anos. Minha preocupação não é quanto vamos produzir em 2020 ou 2021, mas sim com a sustentabilidade no futuro. O setor sucroenergético estará sólido e estruturado? Irá gerar receitas e empregos suficiente para se manter? Como serão as novas tecnologias? São algumas das perguntas que trago comigo.

Vale ressaltar que com a quebra da produção de açúcar no hemisfério norte, especialmente na Índia e Tailândia, é esperado que o Brasil supra a demanda. Ponto positivo é que não existe risco de falta de demanda e estamos testemunhando embarques recordes nos portos brasileiros, cifras acima de 2,4 milhões de toneladas/mês, com aumento do “line up” de navios, principalmente no Porto de Santos.

Enfim, enquanto torço para um cenário mais positivo, desejo a todos uma ótima safra!

O Agro não para!

TAGS: colheita mecanizada, conectividade rural, Setor sucroenergético