Zero emissões?

Coluna A REVOLUÇÃO DAS MÁQUINAS - Por Marco Ripoli


13.03.20

Marco Lorenzzo Cunali Ripoli, Ph.D. é Engenheiro Agrônomo e Mestre em Máquinas Agrícolas pela ESALQ-USP e Doutor em Energia na Agricultura pela UNESP, executivo, disruptor, multiempreendedor, inovador e mentor. Proprietário da BIOENERGY Consultoria e investidor em empresas. Acesse www.marcoripoli.com

O desafio dos produtores rurais e empresas em todo o mundo é produzir comida suficiente para alimentar um planeta sem contribuir com as mudanças climáticas. Cerca de um quarto de todas as emissões globais de gases de efeito estufa é fruto dos processos da produção de alimentos para os sete bilhões de pessoas do mundo. Por meio de novos processos se espera um aumento de mais de 40% nas emissões de carbono até 2050 (para dar o que comer para os futuros 10 bi de pessoas). Por isso é importante transformarmos a maneira como produzimos os alimentos.

A área disponível no planeta não vai crescer, independentemente de seu bioma, então a maioria das pesquisas técnicas na agricultura envolvem estudos para fazer uso mais eficiente do solo, sem desperdícios, e encontrar novas tecnologias e alimentos para a população. Há muitas maneiras de explorar ferramentas para ajudar na diminuição das emissões durante a produção de alimentos, principalmente quando se deve levar em conta que anualmente são adicionados à atmosfera 51 bilhões de toneladas de gases de efeito estufa.

A Breakthrough Energy, empresa cuja missão é levar o mundo a um patamar de zero emissões de gases efeito estufa por meio de apoio à pesquisa e desenvolvimento de ponta, investe em empresas que criam tecnologias capazes de mudar o jogo em soluções escaláveis e transformadoras. Eles defendem as políticas que aceleram a inovação para o mercado, como por exemplo:

Redução das emissões de CH₄ e N₂O na Agricultura
A agricultura é responsável por aproximadamente 10% das emissões globais de gases de efeito estufa, incluindo cerca de 60% do óxido nitroso global (N2O) e 50% das emissões de metano. A aplicação e o uso ineficazes de fertilizantes é uma das principais fontes de emissões de N2O. Juntas, essas duas fontes de emissões provenientes da agricultura são responsáveis por 2,4% das emissões globais de efeito estufa.

Redução das emissões de metano de animais ruminantes
Os animais ruminantes, como bovinos e bubalinos, são uma fonte significativa de metano através de seus processos digestivos, representando aproximadamente 4% das emissões globais de gases de efeito estufa. As oportunidades de reduções significativas nas emissões de metano provenientes da pecuária incluem o desenvolvimento de aditivos nutricionais avançados.

Produção de Amônia Zero-GHG
Cerca de 1% das emissões globais de gases de efeito estufa vêm da produção intensiva de energia de amônia para uso em fertilizantes. As oportunidades transformadoras para a produção de amônia de baixa emissão incluem processos de conversão eletroquímica direta e solar, além de processos que poderiam fornecer hidrogênio de baixo custo e baixa emissão.

Desenvolvendo novas fontes de proteína de baixo custo
Devemos encontrarmos novas maneiras de obter a proteína que atualmente vem da carne. Podemos ajudar a manter essas emissões para baixo buscando alternativas em insetos, microalgas, bactérias e carne sintética ou produzida em laboratório. Novas fontes de ração animal não só tornarão mais proteína disponível para comermos, mas também reduzirão a pressão sobre o uso da terra.

Desmatamento relacionado à agricultura
O desmatamento e as mudanças no uso da terra relacionadas à agricultura são responsáveis por aproximadamente 10% das emissões globais de gases de efeito estufa. As oportunidades nesta área incluem tecnologias para aumentar a produtividade pecuária e agrícola para reduzir as necessidades totais de terra e o desenvolvimento de substitutos para culturas particularmente de alto impacto.

Eliminando a perdas na cadeia logística de alimentos
Um terço dos alimentos produzidos para consumo humano é perdido ou desperdiçado. A redução significativa do desperdício de alimentos reduzirá drasticamente os requisitos globais de produção agrícola e, consequentemente, teria impacto nas emissões de gases de efeito estufa em todo o setor agrícola. Existem oportunidades para reduzir a deterioração em toda a cadeia de produção e entrega de alimentos.

Chegar a zero na produção de gases efeito estufa será um enorme desafio. Significa transformar praticamente todas as atividades da vida moderna e de todos os setores da economia: eletricidade, agricultura, manufatura, transporte e edifícios. Criar um mundo em que todos em todos os lugares tenham acesso à energia renovável, confiável, acessível e limpa de que precisam para prosperar.

O Agro não para!

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TAGS: Efeito Estufa, Emissões