Como o novo coronavírus está afetando os eventos do agro no Brasil

Grandes feiras estão mantidas, mas encontros menores são cancelados


12.03.20

Atualizado 17/03, às 12h47

Para tentar diminuir os impactos da pandemia do novo coronavírus (Covid-19), governos têm decretado medidas de segurança e organizadores estão se movimentando para adiar eventos. Estreias de filmes, grandes festivais musicais e outras aglomerações de pessoas estão sendo canceladas. Por aqui, movimentações começam a ser feitas para garantir que alguns eventos sejam remarcados e outros sejam realizados com algumas precauções.

No final da semana passada, o governador de São Paulo, João Doria, afirmou que “não há razão para pânico neste momento”, e decidiu manter os eventos do calendário oficial do Estado. Na segunda-feira (16), no entanto, anunciou novas medidas para conter a pandemia, como a permissão para que funcionários públicos com mais de 60 anos trabalhem de casa, o fechamento de museus e outras instituições, bem como a suspensão das aulas. 

A Agrishow, em Ribeirão Preto, também foi adiada. Inicialmente, os organizadores optaram por manter a data original, dia 27 de abril. Notícias sobre o adiamento da Agrishow para julho chegaram a circular nas redes sociais na segunda-feira (16), mas os organizadores desmentiram os boatos. Na terça-feira (17), no entanto, o adiamento foi confirmado.

A Expozebu, que teria início no dia 25 de abril em Uberaba, Minas Gerais, divulgou na terça-feira (17) que será adiada. Em um comunicado oficial, os organizadores da feira disseram que a segurança de todos era prioridade e as novas datas serão definidas assim que o cenário permitir.

Outros eventos, no entanto, foram cancelados ou remarcados. É o caso da Femec 2020, em Uberlândia (MG). Inicialmente programada para acontecer entre os dias 24 e 27 de março, será feita posteriormente, em data ainda não definida. E da Tecnoshow Comigo, em Rio Verde (GO). O presidente, Antonio Chivaglia, gravou um vídeo em que afirma que o evento será realizado posteriormente para evitar aglomerações neste momento.

O impacto do cancelamento de um evento desse porte é enorme. Espera-se que a movimentação geral da ExpoZebu, por exemplo, passe de R$ 250 milhões. A Femec estimava mais de R$ 500 milhões em negócios durante os quatro dias. Além disso, o adiamento das grandes feiras para o segundo semestre vai exigir cuidados com a programação. Várias delas devem acontecer simultaneamente, e eventos menores podem sair prejudicados.

Antes das grandes feiras, encontros menores já estavam sendo cancelados. O Fazenda Inteligente, realização do Grupo Atto, que aconteceria em 17 de abril, foi adiado. A nova data ainda não foi divulgada. O lançamento oficial do Global Agribusiness Forum 2020, marcado para o dia 17 de março, também foi cancelado. O próprio GAF, programado para acontecer entre 27 e 28 de julho, foi redirecionado para o mês de novembro.

Eventos relacionados ao setor também estão sendo remarcados lá fora. O encontro do Thought for Food, instituição que promove um desafio anual de startups, foi adiado para o fim do ano. Ele seria realizado agora, em Kuala Lumpur, na Malásia. O Forum For the Future of Agriculture, que aconteceria em Bruxelas, na Bélgica, foi cancelado.

Se a situação se intensificar, os organizadores podem rever a decisão. O primeiro caso no Brasil foi descoberto no dia 24 de fevereiro. Nesta última semana, no entanto, o número saltou para mais de 77 casos, e as atualizações não param. O governo de Minas Gerais decretou emergência, e o Rio de Janeiro estuda liberar home office para trabalhadores.

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