Agrotrends: O consumidor como protagonista

Demandas do público agora pautam a indústria


Edição 18 - 02.03.20

Por André Sollitto

Os motivos que levam um consumidor a colocar um produto em seu carrinho de supermercado não estão mais ligados apenas ao preço e ao sabor dos alimentos. Levar para casa um pacote de comida envolve uma série de decisões relacionadas a suas preferências, crenças e preocupações com o meio ambiente. Esse protagonismo foi uma das tendências identificadas pela Embrapa no estudo “Visão 2030: O Futuro da Agricultura Brasileira”. Divulgado em 2018, ele lista áreas que sofrerão grandes mudanças ao longo dos próximos dez anos – e seu impacto terá um efeito em toda a cadeia de produção de alimentos.

Hoje, é importante saber o teor de sódio e de açúcar de um alimento, bem como as condições em que os animais foram criados e quais são as ações que as empresas produtoras adotam para garantir a sustentabilidade dos recursos naturais. É uma tendência associada principalmente às classes com maior poder de compra, mas o estudo da Embrapa indica que o preço deixou de ser o único fator determinante em toda a sociedade brasileira.

Como exemplo, Cleber Oliveira Soares, diretor de Inovação e Tecnologia da Embrapa, cita o McDonald’s. Uma das maiores redes de fast-food do mundo, a empresa anunciou neste ano que todos os ovos usados em suas receitas serão provenientes de criações de galinhas de livres até 2025. “O mercado do mundo inteiro vai ser ter que se adaptar. E tudo porque o consumidor exige”, afirma ele.

Francisco Jardim, cofundador da SP Ventures, fundo de venture capital focado em agtechs e food techs, diz que o consumidor exige principalmente três coisas: sustentabilidade, saudabilidade e bem-estar animal. São essas exigências que vão ditar inclusive onde aportes serão feitos e quais empresas e startups os
receberão.

Esse cenário pode parecer preocupante para as empresas. Afinal, há um ano ninguém falava em proteínas alternativas e carne à base de vegetais, mas hoje esse nicho de mercado se consolidou – é inclusive uma das tendências listadas em nossa reportagem – e fabricantes de alimentos tiveram que correr atrás da demanda
de seus clientes. Mas abre uma gama enorme de oportunidades, especialmente para startups – sejam elas capazes de oferecer soluções de rastreabilidade, usando tecnologias como blockchain para oferecer maior transparência, ou atender às demandas de dietas específicas por meio de planos alimentares personalizados.

Confira as outras tendências identificadas pela nossa reportagem:

Agbiotech para mudar o mundo

Produção em escala, cuidados individuais

Até onde vão as proteínas alternativas

Uma década para as agfintechs

Um setor com menos intermediários

Cannabis e o medo de uma viagem errada

Cultivo high tech: a segunda geração das fazendas urbanas

Pulses: vida nova para os antigos grãos

Índia, a próxima fronteira

Pecuária 4.0 vai digitalizar os rebanhos

Agricultura regenerativa

As proteínas que vêm da água

A tecnologia promove o bem-estar animal

TAGS: Blockchain, Embrapa, Microsoft, SP Ventures