Agrotrends: Uma década para as agfintechs

O segmento de crédito agrícola é o próximo a passar por uma disrupção


Edição 18 - 27.02.20

Por André Sollitto

O Brasil possui um ecossistema de fintechs bastante evoluído. Empresas como Nubank, Pagseguro e Stone causaram uma verdadeira revolução no mercado de soluções financeiras – basta olhar para a lista de unicórnios brasileiros para ver vários desses nomes por lá. Agora, essa revolução começa a chegar ao campo. Com enorme potencial de mercado (apenas o Plano Safra, de recursos oficiais para o setor, supera R$ 225 bilhões), mas ainda concentrado, caro e ineficiente, o crédito agrícola é visto como a bola da vez na lista de segmentos a passarem por uma disrupção. As chamadas agfintechs (startups de base tecnológica voltadas para as finanças rurais) estão entre as mais promissoras para os próximos anos.

As novas startups buscam oportunidades digitalizando processos do atual mercado ou resolvendo problemas que emperravam o desenvolvimento e o barateamento das linhas de financiamento ou de seguros rurais. Empresas como Agrotools, BovControl e Bart.Digital lideram essa corrida, oferecendo ferramentas que permitem, entre outras coisas, a utilização do monitoramento em tempo real das lavouras através de dados colhidos por satélites ou sensores, o rastreamento de cadeias produtivas e a certificação de contratos por blockchain para suprir uma demanda de informação de bancos e seguradoras. A Bart, por exemplo, oferece soluções para facilitar as operações de barter – e já chegou a uma parceria coma Indigo, uma das agtechs mais valiosas do mundo. Bancos e seguradoras também têm buscado parcerias com as startups.

Da mesma forma, as ferramentas de monitoramento estão reduzindo os riscos para quem deseja investir no campo, mas ainda tem receio. São soluções que dão transparência à produção e visam garantir que os recursos investidos estão sendo usados corretamente. Com isso, a tendência é a chegada de mais recursos, através de novos mecanismos de crédito e modalidades de seguros.

À medida que a conectividade chega no campo, acompanhada por tecnologias que mapeiam todo o processo, ficará mais claro como o agro é um bom negócio para os investidores e, com isso, mais opções financeiras estarão disponíveis ao produtor.

Confira as outras tendências identificadas pela nossa reportagem:

Agbiotech para mudar o mundo

Produção em escala, cuidados individuais

Até onde vão as proteínas alternativas

Um setor com menos intermediários

Cannabis e o medo de uma viagem errada

Cultivo high tech: a segunda geração das fazendas urbanas

O consumidor como protagonista

Pulses: vida nova para os antigos grãos

Índia, a próxima fronteira

Pecuária 4.0 vai digitalizar os rebanhos

Agricultura regenerativa

As proteínas que vêm da água

A tecnologia promove o bem-estar animal