Agrotrends: Um setor com menos intermediários

Tecnologias e marketplaces vão mudar a atuação das tradings


Edição 18 - 27.02.20

Por André Sollitto

O surgimento de marketplaces e o avanço das agfintechs, criando novos mecanismos eletrônicos de negociação entre produtores, financiadores e indústria, devem provocar transformações drásticas nas atividades de alguns dos principais atores do agronegócio. O avanço tecnológico do setor acendeu luzes de alerta, por exemplo, nas grandes tradings – como Cargill, ADM e Bunge, por exemplo, que controlam grande parte do mercado de commodities no mundo, atuando como intermediários entre mercados e ajudando a financiar a produção agrícola.

 “Elas não vão deixar de existir, mas tendem a mudar”, afirma Bernardo Fabiani, CTO da agtech TerraMagna, agfintech que utiliza inteligência artificial e big data para mitigar riscos em operações de crédito rural. Segundo ele, novas opções para o crédito rural devem ter impacto nas relações entre tradings e agricultores, que ficarão menos dependentes das operações com essas empresas para financiar suas lavouras. 

Isso vale também na ponta da venda da produção, graças à chegada de plataformas como o Orbia, parceria da Bayer com a empresa Bravium. Com o ambicioso o objetivo de se tornar o marketplace mais popular do agro brasileiro, a Orbia vai funcionar a partir de três verticais: fidelidade, commodities e insumos, como um grande agregador de produtos. Produtores poderão fazer compras diretamente dos fornecedores e terão acesso a operações de barter. “Eles podem vender a sagra, atual ou futura, gerando um contrato de barter e créditos, que por sua vez podem ser usados na compra de insumos”, disse Ivan Moreno, CEO da Orbia, no evento de lançamento, em outubro. Nesse cenário, as próprias tradings devem buscar nas tecnologias digitais novos modelos de operação para se manterem relevantes e competitivos.

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