Os versáteis vinhos rosés

Coluna TERROIR - Por Irineu Guarnier Filho


23.01.20

Irineu Guarnier Filho é jornalista especializado em agronegócio, cobrindo este setor há três décadas. Metade deste período foi repórter especial, apresentador e colunista dos veículos do Grupo RBS, no Rio Grande do Sul. É Sommelier Internacional pela Fisar italiana, recebeu o Troféu Vitis, da Associação Brasileira de Enologia (ABE), atua como jurado em concursos internacionais de vinhos e edita o blog Cave Guarnier. Ocupa o cargo de Chefe de Gabinete na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, prestando consultoria sobre agronegócio.

Os vinhos rosés já foram muito consumidos mundo afora – quem não lembra do best seller português Mateus Rosé? Mas, depois, caíram em desgraça e passaram a ser desprezados em alguns círculos. Infelizmente, foram considerados, por certos enochatos, vinhos “de quem não sabia beber”. Dizia-se até que os vinhos tintos eram ideais para acompanhar carnes, os brancos para acompanhar peixes, e os rosés para quem nada entendia de vinho… Grande bobagem.

Hoje, felizmente, isso está mudando, e os vinhos rosados estão novamente na moda. Foram reabilitados pelo público e pela crítica. Em boa hora, diga-se, porque assim como os licorosos, os espumantes, os frisantes e outros tipos de vinho, o rosé também tem seu espaço na adega de enófilos sem preconceitos. Nas harmonizações com comidas são excelentes “coringas” – vão bem com qualquer prato, da pizza ao sushi.

Os injustiçados rosés são geralmente vinhos jovens, leves, frutados, ligeiramente suaves, ideais para situações informais e dias mais quentes. Não são feitos de uma uva específica. Sérgio de Paula Santos, em seu livro “Vinhos”, ensina que os vinhos rosados podem ser feitos: 1) a partir de um tinto normal, clarificado com gelatina ou betonina; 2) pela fermentação conjunta de uvas brancas e tintas; 3) ou simplesmente por meio de um “corte” (mistura) de vinhos tinto e branco.

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Mas, acrescenta Santos, os verdadeiro rosés, os “autênticos rosados”, são elaborados a partir da prensagem e fermentação de uvas tintas, com as cascas, as quais são separadas do mosto após algumas horas, dando-se seguimento à fermentação normal, como um vinho branco. Ou seja, o breve contato com as cascas de uvas tintas no início da fermentação serve apenas para dar o “toque” que confere ao vinho rosé a sua bela cor característica de salmão ou casca de cebola. A coloração do vinho, como se sabe, provém da pigmentação das cascas da uva, já que a polpa de qualquer variedade, tinta ou branca, geralmente é incolor ou amarelada.

Portanto, deixemos de lado os preconceitos que ainda perseguem certos tipos de vinhos e aproveitemos os dias mais quentes deste verão para beber, sem culpa, um despretensioso rosé gelado. Se for o caso – suprema heresia, só que não – até com uma pedrinha de gelo.

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