Os vinhos do verão

Coluna TERROIR - Por Irineu Guarnier Filho


17.12.19

Irineu Guarnier Filho é jornalista especializado em agronegócio, cobrindo este setor há três décadas. Metade deste período foi repórter especial, apresentador e colunista dos veículos do Grupo RBS, no Rio Grande do Sul. É Sommelier Internacional pela Fisar italiana, recebeu o Troféu Vitis, da Associação Brasileira de Enologia (ABE), atua como jurado em concursos internacionais de vinhos e edita o blog Cave Guarnier. Ocupa o cargo de Chefe de Gabinete na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, prestando consultoria sobre agronegócio.

O calor do verão pede um bom vinho branco gelado, não? Curiosamente, num país tropical como o Brasil, com uma rica culinária à base de peixes e frutos do mar, ainda se bebe pouco vinho branco. Nem sempre foi assim: até o final da década de 1980, bebia-se mais vinho branco do que tinto no país.

Com a descoberta do Paradoxo Francês, no início da década de 1990, que conferiu ao vinho tinto poderes quase medicinais, esse hábito se inverteu. No mundo inteiro. Muita gente passou a beber quase que só tinto porque “faz bem à saúde”.

De fato, o vinho tinto, bebido moderadamente, pode fazer mais pela saúde do sistema cardiovascular do que o branco, por causa de substâncias ausentes ou em baixa concentração nos últimos, como o resveratrol e os taninos. Mas vinho não é remédio, certo?

Consumidos em quantidades civilizadas, harmonizados com boa comida, os vinhos brancos aproximam as pessoas e alegram a alma. Se fazem bem ao espírito, indiretamente podem fazer bem ao coração…

Alguns dos melhores vinhos brasileiros, produzidos na Serra Gaúcha e no Planalto Catarinense são, sem dúvida, espumantes e brancos. Temos brancos jovens, frutados, com ótima acidez, comparáveis aos melhores do mundo – e por preços bem mais acessíveis, por causa da menor procura.

O portfólio de brancos importados é grande e surpreendente – do refrescante vinho verde português aos minerais Riesling alemães. Indiscutivelmente, são os vinhos que melhor combinam com o clima tropical brasileiro. Sobretudo porque podem ser bebidos gelados, em qualquer lugar, na mesa de calçada do boteco ou à beira da piscina, com comidas leves. E até, se for preciso, com uma pedrinha de gelo.

Leia também: O vinho é obra da natureza ou da civilização?

Nicolás Catena, o vinhateiro que “inventou” o Malbec argentino de Mendoza, já disse que alguns vinhos brancos brasileiros que ele provou estão entre os melhores do mundo. Não se entende porque os brancos são tão subestimados pelos próprios brasileiros.

Vamos esquecer, portanto, aquela bobagem de que “vinho branco é bebida de quem não entende de vinho” (há brancos entre os melhores e mais caros rótulos do mundo, como alguns Chablis e Montrachet franceses) e abrir uma garrafa de Chardonnay, Viognier ou Sauvignon Blanc resfriada na próxima noite quente. Combinado?

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TAGS: Serra Gaúcha, Vinhos brancos