Vinhos de pequenas tiragens são diferenciados

Coluna TERROIR - Por Irineu Guarnier Filho


16.08.19

Irineu Guarnier Filho é jornalista especializado em agronegócio, cobrindo este setor há três décadas. Metade deste período foi repórter especial, apresentador e colunista dos veículos do Grupo RBS, no Rio Grande do Sul. É Sommelier Internacional pela Fisar italiana, recebeu o Troféu Vitis, da Associação Brasileira de Enologia (ABE), atua como jurado em concursos internacionais de vinhos e edita o blog Cave Guarnier. Ocupa o cargo de Chefe de Gabinete na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, prestando consultoria sobre agronegócio.

Um dos mais originais e interessantes eventos enoculturais da Serra Gaúcha é a Colheita Simbólica no Vinhedo do Mundo, promovida anualmente, no mês de fevereiro, pela vinícola Dal Pizzol, da Rota das Cantinas Históricas, em Bento Gonçalves (RS).

Tradicionalmente, a Dal Pizzol convida jornalistas, artistas, políticos, enófilos e autoridades para efetuarem a colheita simbólica (um cacho por pessoa) no Vinhedo do Mundo, a maior coleção privada de videiras do país. Em menos de 1 hectare, a vinícola serrana cultiva mais de 400 espécies diferentes de videiras de cinco continentes e mais de 30 países, algumas muito raras ou desconhecidas por aqui. Com as uvas colhidas no Vinhedo do Mundo é elaborado o Vinum Mundi, um blend composto por mais de cem castas diferentes, que já se tornou item disputado por colecionadores. Mas essa não é a principal atração da vinícola.

Há treze gerações (sete na Itália e seis no Brasil) a família Dal Pizzol faz vinhos. Desde sua fundação, em 1974, a vinícola Dal Pizzol se especializou em vinhos de pequenas e exclusivas tiragens. Os vinhos finos da Dal Pizzol se caracterizam, principalmente, por não utilizarem barricas de carvalho em sua elaboração. A primeira exceção foi o tinto comemorativo aos 40 anos da vinícola, lançado em 2014, que teve uma parcela afinada em madeira.

Agora, no ano em que completa quatro décadas e meia de atividade, a vinícola familiar do bucólico distrito de Faria Lemos está lançando outro vinho comemorativo muito especial em que volta a utilizar madeira no afinamento: o rótulo dos 45 anos é um blend de uvas Marselan, Petit Verdot e Alicante Bouschet, da safra 2017, com estágio de apenas 20% do volume em barricas de carvalho francês. O enólogo Dirceu Scottá assina o corte.

A experiência com o carvalho pode marcar uma mudança no estilo dos futuros vinhos da Dal Pizzol? Quem pode dizer? O enófilo brasileiro gosta de madeira, haja vista a paixão pelos encorpados caldos chilenos e argentinos. Mas o frescor e a vivacidade dos vinhos com pouco carvalho, ou nenhum, são incomparáveis.

Com madeira ou sem madeira, o certo é que o toque artesanal das pequenas tiragens faz dos rótulos da tradicional “cantina” uma atração à parte na Serra Gaúcha.

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