Conectividade rural no agronegócio brasileiro: uma resenha

Coluna ESALAQUEANOS, em parceria com a Adealq


Edição 15 - 26.07.19

Por Frederico Augusto Peres Correia*

Como brasileiro, é sempre um orgulho ler ou ouvir os números que sustentam a nossa agropecuária em uma posição de destaque nacional e de grande interesse internacional. Por outro lado, há ainda desafios e pontos de melhorias que merecem muita atenção, mas não os aprofundarei aqui. Quero apenas discorrer rapidamente sobre um assunto que vem ganhando destaque nas mídias: conectividade rural.

Ao redor desse tema, facilmente escutamos o clichê: “Não tem sinal no campo”. Será que um dia essa realidade irá mudar? Este ano, tive a oportunidade de participar pela segunda vez consecutiva como expositor da Agrishow, uma das maiores feiras do agronegócio no hemisfério sul, depois de muito tempo distante da região de Ribeirão Preto (SP). Como estou ligado ao mercado de transformação digital, pude presenciar o anseio de muitos visitantes no estande perguntando por infraestrutura de redes sem fio em áreas rurais.

Analisando essa geração, é indiscutível o tremendo avanço da tecnologia agrícola, mais precisamente dentro das máquinas e implementos, que facilitam a realização das atividades agrícolas em extensas áreas: é uma evolução que passou da tração animal até tratores com mais de 400 cavalos-vapor (cv) de forma impressionante. Esses veículos pesados são obras de arte de metal e circuitos internos que trabalham horas a fio para entregar resultados impressionantes quanto a preparo do solo, adubação, plantio, proteção da cultura e colheita.

Esse avanço, de certa forma, favoreceu também a agricultura de precisão e aumentou seu espaço no serviço de manejo específico mediante análise de parâmetros bióticos e abióticos no sistema produtivo agrário. Esse olhar analítico de cada ponto do talhão oferece melhorias sensíveis no curto prazo e de alto valor no final da safra. Por isso, é possível ver como a digitalização rural vem, cada vez mais, endereçando dores do agronegócio de forma acelerada. Assim, fabricantes, revendas e prestadores de serviços, sejam multinacionais, sejam startups, conquistam participação de mercado resolvendo problemas antes desapercebidos ao produtor durante a safra.

Exemplificando, posso citar a telemetria das operações em campo, que ajudam a identificar desvios em confronto com o planejamento da safra, ou até a agrimensura de alta precisão, que auxilia na tomada de decisão sobre o manejo de solo, água e planta de acordo com fatores ambientais. Estes e outros exemplos necessitam de parâmetros digitalizados e, juntos, facilitam uma informação virar uma ação. Isso, inclusive, se torna bem mais ágil quando há a esperada conectividade rural que garantirá a comunicação de voz, troca de mensagens e imagens em tempo real na lavoura.

A boa notícia é que empresas de tecnologia de comunicação continuam com grandes investimentos em pesquisa e desenvolvimento em cima desse tema, dispondo hoje de uma série de sensores e dispositivos que se conectam de diferentes modos. Citando alguns: 2G, 3G, 4G, NB-IoT, Wi-Fi, Rádio IP, LoRa, Sigfox, ZigBee, Bluetooth e satélite. O desafio agora é levar toda essa infraestrutura para a zona rural em um modelo de negócio que traga retorno de investimento para todos os participantes da cadeia.

Conclusão: não só na Agrishow, mas em outros eventos ligados à tecnologia agropecuária, existem companhias envolvidas com o assunto conectividade rural e se esforçando para criar ecossistemas com soluções colaborativas. Esse será mais um capítulo a ser vencido na agricultura brasileira, que comentaremos futuramente com familiares e amigos sobre os feitos desta geração digital.

*Frederico Augusto Peres Correia (Paulistiña, F08, Ano Xupeta, República Taverna) é engenheiro agrônomo e especialista em arquitetura de soluções para o agronegócio.

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