O Brasil no xadrez global do alimento

O que o País deve fazer para conquistar espaço no mercado internacional de produtos agrícolas


Edição 15 - 01.07.19

O xadrez do comércio internacional é um jogo de movimentos cada vez mais imprevisíveis. Líderes personalistas ignoram o fair play e movem suas peças desconsiderando, muitas vezes, as regras que historicamente eram aplicadas no tabuleiro da diplomacia global. E quem depende desses lances para tomar suas decisões corre o risco de ser descartado, reduzido ao papel de mero peão em um embate dominado por uma poderosa minoria.

Seria essa, hoje, a posição brasileira no cenário mundial das transações comerciais? Enquanto Estados Unidos e China medem forças, a União Europeia tenta evitar um fracionamento e outros blocos e países tentam costurar ambiciosos acordos bilaterais, o Brasil, sob nova gestão, parece ainda não saber de que forma moverá suas próprias peças. Sobretudo aquela que impõe mais respeito aos demais competidores: a produção de alimentos. Na geopolítica do agronegócio, o País é uma potência incontestável, mas que ainda hesita em exibir seus trunfos e, assim, impor-se como um protagonista.

Há, no entanto, sinais de mudança de estratégia no horizonte. Se ainda não está no centro de um projeto nacional de desenvolvimento, o agronegócio começa a ganhar corpo na nossa estrutura diplomática e, com isso, relevância nas negociações com eventuais parceiros internacionais. No final de junho, o Brasil assinau, juntamente com os parceiros do Mercosul, um acordo histórico de comércio com a União Européia, que vinha sendo negociado há quase duas décadas e que pode ajudar a impulsionar mercados para produtos agropecuários brasileiros, embora tenha ficado aquém das expectativas do setor. Semanas antes, representantes do setor, liderados pela ministra Tereza Cristina, da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, estiveram em missão pela Ásia e voltaram confiantes de que o continente que nos reserva as maiores oportunidades está ávido por nos conhecer melhor e, então, fazer mais negócios conosco.

Antes disso, porém, o Brasil precisa fazer sua lição de casa. Nesse mesmo período, PLANT convidou quatro especialistas na área para escrever sobre suas percepções sobre os movimentos que o País precisa fazer para se fortalecer na geopolítica do alimento. Suas visões você confere clicando nos links abaixo:

A Geopolítica do Agro, por Odilson Luiz Ribeiro e Silva

A Disrupção Chinesa e as Carnes do Brasil, por Ricardo Santin

A Política da Comida e o Agronegócio Brasileiro, por Ibiapaba Netto

China: Casasmento, Namoro ou Amizade, por Caio Penido

 

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