De olho no etanol de milho

Coluna A REVOLUÇÃO DAS MÁQUINAS - Por Marco Ripoli


07.06.19

Marco Lorenzzo Cunali Ripoli, Ph.D. é Engenheiro Agrônomo e Mestre em Máquinas Agrícolas pela ESALQ-USP e Doutor em Energia na Agricultura pela UNESP, executivo, disruptor, empreendedor, inovador e mentor. Proprietário da BIOENERGY Consultoria e investidor em empresas. Acesse www.marcoripoli.com

A maior razão de investimento na produção de etanol de milho no Brasil reflete o fato da enorme oferta no estado do Mato Grosso, principal produtor da cultura, onde o consumo interno é muito pequeno e 70% do volume produzido está destinado as exportações.

O biocombustível é uma parte considerável do setor energético mundial, considerado uma alternativa aos combustíveis fósseis e menos poluente ao ambiente. Uma nova forma de agregar valor ao milho, em que a usina opera o ano todo sem entressafra, produzindo etanol hidratado, etanol anidro e DDGs (farelo para ração animal), contribuindo com pecuária de corte e de leite, suinocultura, piscicultura e avicultura.

Aproveitando o grande crescimento da produção do grão no país, a FS Bioenergia, primeira usina do Brasil produtora etanol exclusivamente a partir do milho, está localizada em Lucas do Rio Verde, estado do Mato Grosso. Inicialmente com capacidade produtiva de 240 milhões de litros por ano do biocombustível, moendo 530 mil toneladas do grão (Fase 1), busca atingir um milhão de toneladas na Fase 2.

Cada tonelada de milho processado gera 420 litros de etanol, 380 kg de DDGs e 20 kg de óleo bruto.  A cogeração de energia elétrica é oriunda da biomassa, abastecendo a usina e permitindo a comercialização do excedente para empresas e municípios. Com capacidade de cogeração de 60.000 MWh pode atender até 25.000 pessoas.

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O grupo divulgou recentemente a construção de mais três usinas de etanol de milho em Mato Grosso – a primeira em Nova Mutum com investimentos mais de R$1 bilhão.  A nova unidade terá capacidade anual de 530 milhões de litros de etanol, 340 mil toneladas de farelo de milho, 17 mil toneladas de óleo de milho e cogeração de energia elétrica de 130 mil MW, abastecendo até 55 mil habitantes com energia elétrica. As outras duas unidades serão construídas em Campo Novo do Parecis e Primavera do Leste, no mesmo estado.

No Brasil, muitos ainda têm a percepção de que somente a cana-de-açúcar deveria produzir etanol e de que o milho deveria ser apenas destinado a comida. A empresa foi atrás da tecnologia – processos e máquinas de ultima geração, da experiência – pessoas que trazem consigo conhecimento e da vontade de investir – parcerias locais, estando hoje a frente de um negócio bilionário.

Vamos cada vez mais escutar a falar sobre a FS e futuros grupos que buscam trazer novos modelos de negócios para o Brasil e o mundo.

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TAGS: biocombustíveis, Etanol de milho, F&S Bioenergia