“Os benefícios do mundo digital estão só começando no agro”

A visão de futuro de Fernando Gonçalves, presidente da Jacto


Edição 14 - 25.04.19

Por Costábile Nicoletta

O diretor-presidente da Jacto, Fernando Gonçalves, afirma que, desde o seu primeiro produto, uma polvilhadeira costal manual, a companhia se guia pela busca da excelência e pelo compromisso de jamais abandonar o agricultor à própria sorte, dando toda a assistência que ele precisar: “Agora, com 70 anos de existência, comemorados em 2018, as raízes e valores empresariais construídos e cultivados ao longo dos anos, nos mantêm firmes e possibilitam olhar para o presente e para o futuro em busca de novas oportunidades, com o mesmo entusiasmo, a mesma paixão pelas pessoas e pela excelência que eram os princípios de nosso fundador”.

Segundo Gonçalves, as potencialidades do cenário digital na agricultura estão apenas começando e essa é uma demanda real que impactará em todos os negócios. “Para acompanhar esse cenário, precisamos ter agilidade, flexibilidade e firmeza, e, ao mesmo tempo, abraçar a digitalização de nossas atividades, renovar e aumentar o portfólio de produtos e serviços”, diz ele. “Nesse contexto, há anos estamos desenvolvendo dispositivos, softwares, sensores e outros equipamentos que vão se conectar para subsidiar melhor as informações para os produtores rurais.”

A incorporação de tecnologias de agricultura de precisão e mais recentemente a adoção da agricultura digital (Agricultura 4.0), com a possibilidade de conexão via internet de máquinas e serviços, equipamentos autônomos, drones e big data, estão transformando a paisagem, as rotinas, os processos e os hábitos do homem do campo.

Para o executivo, existem diversas maneiras de observar os benefícios dessas tecnologias no campo. Equipamentos com sensores acoplados garantem informações imediatas que são usadas na elaboração de mapas para predições, facilitando o planejamento de ações de curto, médio e longo prazo, em ações como ajustes na quantidade de fertilizante, na profundidade adequada de plantio e na distância entre linhas, por exemplo.

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Tudo isso com a intenção de aperfeiçoar os processos, evitando perdas ou gastos desnecessários. O histórico de produtividade de uma área pode ser cruzado com dados relacionados a adubação, deficiência de nutrientes do solo, estratégias de manejo, umidade e índices de precipitação, revelando cenários mais realistas e que devem ser observados na tomada de decisões. “Considerando também o big data como um composto dos negócios digitais, haverá ainda informações complementares importantes, como taxa de insolação, temperatura média e amplitude térmica, além da direção e da velocidade de ventos, tornando essa investigação ainda mais completa e eficaz.”

Para manter a competitividade e evitar desperdícios, acredita o diretor-presidente da Jacto, é fundamental utilizar informações atualizadas e confiáveis para dar suporte à tomada de importantes decisões, incluindo investimentos em maquinário, tecnologia e treinamento da mão de obra.

Sustentabilidade

Com a modelagem agronômica, diz Gonçalves, é possível antecipar problemas, como a ocorrência de uma doença específica. Os dados são usados para simular diferentes hipóteses e calcular a probabilidade de infestação de diversas pragas. Dessa forma, o agricultor consegue estipular corretamente onde pulverizar, além do volume apropriado de inseticida ou fungicida a ser aplicado naquela lavoura, o que contribui para o fim do uso exagerado de insumos, incluindo os produtos químicos e biológicos. Assim, a chance de contaminação de rios e lençóis freáticos diminui consideravelmente, protegendo os ecossistemas locais.

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De acordo com o executivo, com a queda do consumo de água, de fertilizantes e de defensivos, há uma sensível redução dos custos operacionais e, consequentemente, um aumento da rentabilidade do agricultor. A implantação desses controles também favorece o surgimento de novas oportunidades e a exploração de outros mercados, pois a conscientização dos consumidores sobre a importância da preservação ambiental já afeta o comportamento e a preferência por determinadas marcas e produtos.

Gonçalves entende que a análise de dados propicia ainda a detecção de gargalos e instabilidades, que devem ser eliminados por meio de projetos pontuais. Para ele, o big data na agricultura também possibilita uma reorganização dos ciclos de plantio, assegurando a total recuperação do solo para a próxima safra. Dessa maneira, é um dos pilares de uma gestão mais eficiente e sustentável, capaz de alinhar a produção de alimentos em larga escala e a conservação do meio ambiente.

“Todo esse ecossistema sempre vai trazer à tona discussões sobre a posse das informações, privacidade e as respectivas regulamentações”, diz o diretor-presidente da Jacto. “Uma coisa parece certa: aquelas empresas que quiserem deixar o agricultor como ‘refém’, ou seja, fazer com que o agricultor fique amarrado a uma marca com as informações travadas, sairão perdendo. Parece que o direito de escolha é mandatório no novo ecossistema no qual estamos inseridos.”

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