MENOS QUÍMICOS? SIM, É POSSÍVEL

Coluna A REVOLUÇÃO DAS MÁQUINAS - Por Marco Ripoli


26.04.19

Marco Lorenzzo Cunali Ripoli, Ph.D. é Engenheiro Agrônomo e Mestre em Máquinas Agrícolas pela ESALQ-USP e Doutor em Energia na Agricultura pela UNESP, executivo, disruptor, empreendedor, inovador e mentor. Proprietário da BIOENERGY Consultoria, da ENERGIA DA TERRA empresa de alimentos saudáveis e investidor em empresas. Acesse www.marcoripoli.com

Esta é uma pergunta que não sai de nossas cabeças…

De acordo com relatório divulgado no início do ano pelo Parlamento Europeu, a segurança alimentar e alimentação saudável necessárias para 11 bilhões de pessoas em 2100 é um dos maiores desafios do século e requer que todo sistema agrícola cumpra a exigência de trabalhar dentro dos limites de sustentabilidade. Isto significa aumentar a produção sem perder a biodiversidade, sem aumentar a geração de gases de efeito estufa e minimizar o impacto ambiental.  A pergunta – é possível manter os rendimentos atuais no noroeste da Europa e aumentar os rendimentos em outras regiões do mundo sem produtos químicos (herbicidas, fungicidas e inseticidas)? O mesmo se aplica ao Brasil.

O desenvolvimento de novos produtos convencionais (sintéticos) diminuiu, em parte devido a questões de legislação, enquanto o número de bio-pesticidas aumentou nas últimas décadas, impulsionando a “revolução verde” e contribuiu para o aumento de 2,5 vezes a produtividade das culturas nos países desenvolvidos.

A introdução de novas moléculas é estritamente regulamentada e envolve um procedimento longo, incluindo uma avaliação de risco, avaliação dos efeitos tóxicos em seres humanos e outros organismos. Os produtos químicos atuais, quando aplicadas corretamente, são muito mais seguros do que no passado e existe um rigoroso controle sobre os seus resíduos. A tecnologia de aplicação também melhorou consideravelmente, o que contribui para redução dos impactos sobre o ambiente e saúde humana. Os custos de avaliação de risco para a indústria de produtos de proteção de cultivos por substância ativa aumentaram de US$ 41 milhões em 1995 para US$ 71 milhões hoje em dia.

A ação de proteção dos cultivos durante a safra não só implica no uso de insumos químicos, mas também em outras medidas alternativas, como a rotação de culturas, a implementação de cultivares resistentes, manejo do solo, entre outros. Sem estes insumos a segurança alimentar de 11 bilhões pessoas no futuro está ameaçada. A questão em aberto ainda continua se é possível reduzir a utilização sem a redução das produtividades… Há indicações para cultivos específicos de que uma redução no uso é viável.

Acredita-se em uma redução significativa no caso das culturas que utilizam uma maior carga de produtos químicos, mas não no caso daquelas que já são tratadas com baixas doses de aplicação, mas ainda assim existem efeitos secundários indesejados e inevitáveis, tais como o seu impacto negativo na biodiversidade. Estudos científicos indicam que o aumento da biodiversidade é bastante marginal, mas que, a nível mundial, haverá uma diminuição da biodiversidade.

Embora houve muitos progressos no passado no que diz respeito ao impacto do uso de produtos fitossanitários nos seres humanos e  ambiente, são ainda possíveis melhoramentos consideráveis. A redução do uso destas moléculas parece uma forma, por exemplo, baseada em sistemas sofisticados de alerta e apoio à decisão, mas tal redução só é realista quando o risco de rendimento ou redução da qualidade dos alimentos é aceitável para o agricultor.

A agricultura de precisão, incluindo sensoriamento remoto com veículos aéreos não tripulados, contribui para uma aplicação mais direcionada e redução do uso insumos. O desenvolvimento de novas variedades mais resistentes, tanto por reprodução clássica como por novas técnicas de reprodução (via CRISPR-Cas), são boas alternativas.

O Agro não para!