Máquina de educar

Investimento na educação foi uma forma da família Nishimura agradecer ao país que a acolheu


Edição 14 - 25.04.19

Por Costábile Nicoletta

Uma boa amostra da importância que o fundador da Jacto e seus descendentes dão à educação pode ser atestada pela presença de seu nome nas instituições de ensino de Pompeia: Faculdade de Tecnologia (Fatec) Shunji Nishimura, Escola Senai Shunji Nishimura e Colégio Shunji Nishimura. As três estão instaladas no mesmo complexo onde funciona a Fundação Shunji Nishimura de Tecnologia (FSNT), instituída em 1979, e contaram com recursos da entidade para a construção de seus prédios. Acrescente-se, ainda, a Escola Profissionalizante Chieko Nishimura, que leva o nome da matriarca da família e hoje está incorporada ao Senai Shunji Nishimura.

A intenção inicial de Shunji Nishimura (na foto que abaixo, com alunos da primeira escola que criou) era preparar jovens para saber lidar com o dia a dia de uma fazenda e com os equipamentos cada vez mais sofisticados usados nelas para as plantações, boa parte deles produzida pela Jacto. Em 1982, a FSNT instalou o Colégio Técnico Agrícola de Pompeia. Formou mais de 800 alunos até 2009, quando encerrou suas atividades.

No ano seguinte, graças ao empenho da família, Pompeia recebeu a Fatec – instituição do governo estadual cujas unidades normalmente são instaladas apenas em municípios com mais de 200 mil habitantes. A importância da formação de quadros para o agronegócio fez com que uma exceção fosse aberta e em 2010 começou o primeiro período letivo da Fatec, que, em 2019, formará sua 14ª turma. Desde 2010, segundo Alberto Issamu Honda, superintendente da FSNT, 414 alunos graduaram-se na Fatec em cursos de mecanização agrícola de precisão. No Senai, são 1.300 formados anualmente, em diversos cursos (médio, profissionalizante, técnico, de aprendizagem, de curta duração etc.).

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Em 2019, a Fatec também fará a primeira formatura do curso de big data no agronegócio, iniciado em 2017, para preparar profissionais capazes de lidar com a infinidade de dados captados pelos sofisticados equipamentos empregados atualmente no campo, tanto no plantio quanto na colheita, e extrair formas de gerar valor desse grande volume de informações.

“Consideramos que o agronegócio oferece as maiores oportunidades para extrair valor com as ferramentas de big data”, diz Luís Hilário Tobler Garcia, coordenador desse curso na Fatec. Um dos métodos de ensino empregados nas aulas de big data é o Profound Learning, desenvolvido pelo educador canadense Thomas Rudmik. Jorge Nishimura, outro filho de Shunji, conheceu o Profound Learning num evento internacional e o trouxe para as instituições que contam com o apoio da FSNT. Basicamente, consiste em inverter a lógica do aprendizado tradicional. Em vez de os professores exporem as aulas enquanto os alunos ficam em silêncio, incentivam-se os estudantes a desenvolver seu próprio aprendizado.

O Profound Learning está sendo aplicado inclusive no Colégio Shunji Nishimura, que atende alunos do maternal ao ensino fundamental. A instituição nasceu em 1988, como parte das comemorações dos 50 anos da Jacto e o início de um projeto chamado Obrigado, Brasil, uma demonstração de gratidão do fundador da companhia ao país que o acolheu.

As iniciativas em prol da educação continuaram com a segunda e a terceira geração dos Nishimura. “Meu pai fez isso por agradecimento ao Brasil”, afirma Jiro Nishimura, presidente da FSNT. “Seus filhos continuaram com a iniciativa por patriotismo. Temos de ajudar o Brasil com a educação.”

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