Uma nova safra começando

Coluna A REVOLUÇÃO DAS MÁQUINAS - Por Marco Ripoli


12.04.19

Marco Lorenzzo Cunali Ripoli, Ph.D. é Engenheiro Agrônomo e Mestre em Máquinas Agrícolas pela ESALQ-USP e Doutor em Energia na Agricultura pela UNESP, executivo, disruptor, empreendedor, inovador e mentor. Proprietário da BIOENERGY Consultoria, da ENERGIA DA TERRA empresa de alimentos saudáveis e investidor em empresas. Acesse www.marcoripoli.com. Email: mr@marcoripoli.com

Ano após ano, devido principalmente a mecanização da colheita do canavial, o setor sucroalcooleiro se depara com a necessidade de se reinventar de maneiras diferentes.

Vivemos mudanças relevantes no sistema produtivo desde o planejamento dos talhões, preparo do solo propriamente dito, escolha das variedades mais adaptadas (inclusive transgênicas), técnicas de plantio (seja manual, mecanizada, com MPB ou até mesmo o desenvolvimento da semente artificial de cana), controle fitossanitário da lavoura, colheita e manejo da biomassa (palhiço), que são fatores relevante na equação do custo da cana produzida, que são de alguma forma fruto da atividade da colheita mecanizada.

O uso de inteligência artificial e técnicas de agricultura de precisão como ferramentas de apoio e redução de custos é cada vez mais comum.

O consumo de etanol maior que o esperado nos primeiros meses de 2019, aliado aos seus preços e à relação entre o valor do açúcar, irá forçar o mix de produção das usinas em direção ao biocombustível.  O consumo interno de combustível aumentando cada vez mais acaba comunicando ao setor que será clara a necessidade de maior produção e como uma alternativa às importações de gasolina, podendo chegar até 64% da balança de produção geral.

Todavia, tudo pode mudar, pois a sacarose, principal matéria-prima estará em uma corrida mais acirrada do que nas safras anteriores principalmente se a gasolina aumentar além do previsto, levando os preços do etanol hidratado para cima.

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Além de todo este cenário, R$ 100 bilhões é valor aproximado do endividamento das usinas e destilarias brasileiras em março de 2019, segundo consultorias internacionais, uma alta de 12% em relação ao ano passado e maior para o período o mesmo período entre muitos anos.  Este aumento ocorreu devido, entre algumas coisas, à valorização do dólar e preço da tonelada de cana moída.

Minha análise para a próxima safra 2018/2019 é novamente pessimista. Vejo uma nova quebra de produção ano que vem, onde a moagem não ultrapassa 565 milhões de toneladas no Centro-Sul, com uma produção de açúcar de superior a 31 milhões de toneladas e 26 bilhões de litros de álcool. O ATR da cana no acumulado para 78 milhões de toneladas e o Kg de ATR por tonelada de cana não ultrapassará os ~136,50, com um mix de produção alcooleiro acima de 60%.

O Agro não para!

TAGS: biocombustíveis, Cana de Açúcar, Etanol, Setor sucroenergético