O conceito do Uber na roça

Startups e grandes empresas de máquinas geram novos negócios com base na tecnologia


Edição 13 - 26.02.19

Por COSTABILLE NICOLETTA

Depois de passar dois anos nos Estados Unidos, aonde foi vivenciar o ecossistema de inovação e o que estava acontecendo por lá, o empresário Marco Aurélio Chaves voltou com a ideia fixa de empreender no Brasil. Sua família vem do agronegócio e, a partir de uma conversa com um tio que se queixava das dificuldades de encontrar máquinas boas e bons prestadores no período de colheita, veio a ideia de montar uma plataforma que conectasse produtores rurais interessados em alugar máquinas com outros produtores com equipamentos ociosos para locação, além de empresas especializadas no aluguel desses bens e profissionais que fazem o transporte das máquinas. No final de 2016, a plataforma começou a operar com o nome de Alluagro.

Chaves, que preside a Alluagro, conta que o mercado de locação agrícola com a terceirização já existe há muito tempo, mas tem suas fragilidades, é muito desorganizado e sem modelos de bons prestadores. “Queremos ser referência no Brasil para locação agrícola com os melhores prestadores de serviço do País. Temos que fazer um trabalho de evangelização para o mercado se planejar melhor nas janelas agrícolas.”

A remuneração da Alluagro vem da retenção de uma comissão pela transação realizada na plataforma. “Em 2018, trabalhamos 29 mil hectares e tivemos mais de 70 clientes utilizando nossa plataforma, com atuação em nove estados no Brasil”, diz Chaves. “Em 2019, nossa expectativa é dobrar nossos números.” Serviços de colheita são seu carro-chefe, mas outras operações vêm demostrando grande demanda, como locação de tratores, aplicação de corretivos de solo e pulverização.

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O prazo médio de aluguel gira em torno de 30 a 45 dias para colheita. Para aluguel de trator, por volta de um mês, dependendo da operação a realizar. Já nos trabalhos de aplicação de corretivos, de 15 a 30 dias. “Inicialmente, estamos focando na cultura de grãos, soja, milho, feijão, mas temos intenção de entrar nos mercados de cana e algodão, em um futuro próximo”, afirma Chaves.

Outra empresa que se beneficia do aluguel de máquinas é a Komatsu. De acordo com Luciano Rocha, gerente-geral de vendas e marketing, embora a companhia não fabrique equipamentos agrícolas, e sim para o setor de construção, o segmento rural tornou-se importante nos últimos anos, como forma de compensar a retração das encomendas no setor de construção.

As máquinas da Komatsu (principalmente pás carregadeiras), diz Rocha, vêm sendo empregadas na agroindústria, a exemplo das usinas de cana-de-açúcar, para a preparação do solo e para movimentação de biomassa (bagaço de cana). A indústria de fertilizantes também entra nesse rol, com equipamentos de movimentação, extração, blendagem (mistura) do produto e seu despacho.

Segundo o gerente-geral da Komatsu, baseado em estatísticas da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), aproximadamente 20% das máquinas de construção no Brasil vão para o segmento de aluguel. Desse montante, 30% destinam-se à agricultura. “Se fizermos um cruzamento simples, em torno de 5% das máquinas de construção produzidas no Brasil são alugadas para a agricultura.”

A Região Centro-Oeste é a que mais demanda aluguel de máquinas da marca Komatsu. “São Paulo também é importante, pois possui forte presença no setor de cana-de-açúcar”, diz Rocha. “No Sul do Brasil, os clientes são agricultores de menor porte, principalmente para recuperação de áreas degradadas, em locações que chamamos de ‘spot’ (eventuais e por prazo mais curto).”

A fabricante de máquinas John Deere não atua no segmento de aluguel, mas, desde 2017, informa que adotou no Brasil um programa de venda de peças remanufaturadas para o segmento agrícola, o que pode render uma economia de até 30% aos clientes que optarem por esses itens, segundo a empresa, com o mesmo prazo de garantia e a tecnologia e desempenho de uma nova peça.

Após o cliente entregar sua peça usada como troca, o componente é avaliado pelo concessionário e, baseado na qualidade do item usado, é oferecido um desconto na peça remanufaturada. De volta à fábrica da John Deere, o item dado pelo cliente é inspecionado, e os elementos necessários, trocados e atualizados. Segundo a John Deere, não se trata de reparo ou reciclagem, e sim de reutilização de uma carcaça seminova que atenda as especificações da empresa, remontada com componentes atualizados e novos.

Além da economia de até 30% em relação a uma peça nova, a troca pela peça remanufaturada é mais rápida do que um conserto, o que reduz o tempo de máquina parada e aumenta a produtividade no campo. Atualmente, estão disponíveis nessa categoria o bico injetor, um monitor e o turbo alimentador.

“Para os clientes, significa qualidade, segurança e performance similares a componentes novos, além do menor custo de aquisição, com as mesmas garantias de uma peça nova. Consequentemente, o produtor sofre menos com uma máquina parada no campo, que afeta diretamente o resultado da lavoura”, explica Marcelo Pimenta, gerente comercial de pós-vendas da John Deere Brasil. “Além disso, em termos ambientais, reduz significativamente o descarte de toneladas de peças usadas.”

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