A Festa da Vindima de Mendoza

Coluna TERROIR - Por Irineu Guarnier Filho


10.01.19

Irineu Guarnier Filho é jornalista especializado em agronegócio, cobrindo este setor há três décadas. Metade deste período foi repórter especial, apresentador e colunista dos veículos do Grupo RBS, no Rio Grande do Sul. É Sommelier Internacional pela Fisar italiana, recebeu o Troféu Vitis, da Associação Brasileira de Enologia (ABE), atua como jurado em concursos internacionais de vinhos e edita o blog Cave Guarnier. Ocupa o cargo de Chefe de Gabinete na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, prestando consultoria sobre agronegócio

Verão, época de colheita de uvas, e, também, da grande Festa Nacional da Vindima, em Mendoza, na Argentina. Quase todas as regiões vinícolas do mundo comemoram, desde sempre, a colheita das uvas destinadas à elaboração do vinho. Mas poucas celebrações atingem o nível de grandiosidade da Fiesta Nacional de la Vendímia, em Mendoza. Para os mendocinos, povo que converteu o deserto aos pés da Cordilheira dos Andes em um extenso vinhedo, esta é a maior festa do gênero no planeta. Depois de conhecê-la, é impossível duvidar deles.

A história das festas argentinas da colheita da uva remontam ao século 17, quando os mendocinos agradeciam a Deus pelas boas safras, que garantiam frutas saudáveis e suculentas para a elaboração dos adocicados vinhos de missa. Já naquela época havia muita música, danças, bebidas e comidas típicas. E a escolha das primeiras “reinas de la vendímia”, realizada entre as jovens agricultoras que colhiam as uvas. Como evento oficial, a Fiesta Nacional de la Vendímia já tem mais de 80 anos.

De lá para cá, a celebração só cresceu. Os festejos duram dez dias, com desfiles de carros alegóricos pelas ruas da terceira maior cidade argentina, festivais gastronômicos, visitas a 120 bodegas (vinícolas) regionais, degustações, shows e uma grande festa popular, na qual os mendocinos escolhem a sua Rainha da Vindima – um título tão ou mais importante, para as belas jovens locais, como o de Miss Argentina. O evento é considerado, hoje, uma das maiores festas populares do mundo, como o Carnaval de Veneza, o Ano Novo Chinês e a Oktoberfest da Alemanha.

Não faz muito, tive a satisfação de acompanhar a festa da vindima de Mendoza. Já tinha lido sobre o assunto, assistido a vídeos, sabia que se tratava de um grande evento, mas não imaginava que fosse tão espetacular e emocionante ao vivo.

Os festejos populares acontecem sempre num final de semana. No sábado pela manhã desfilam pelas ruas da Cidade de Mendoza – capital da Província de Mendoza – milhares de pessoas, a pé, a cavalo, em veículos e carros alegóricos, que distribuem frutos e produtos agrícolas aos espectadores que os aplaudem ao longo de uma extensa avenida. O desfile dura mais de quatro horas.

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A apoteose ocorre no sábado à noite. É a festa da escolha da Rainha da Vindima. O palco deste magnífico espetáculo é o Teatro Grego Frank Romero Day, um bonito anfiteatro ao ar livre, num parque da cidade. Mais de 1,5 mil bailarinos, músicos e técnicos encenam um show grandioso, com cerca de cinco horas de duração, para um público estimado em 30 mil pessoas.

Após o show, começa a escolha da Rainha da Vindima. Os fãs clubes das candidatas torcem pelas garotas como se vibrassem com a seleção argentina numa final de Copa do Mundo. É uma festa popular emocionante para os argentinos e para qualquer estrangeiro que participe dela. Uma experiência que o enoturismo brasileiro poderia, quem sabe, adotar como modelo.

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