Agroambientalista, Caio Penido é cotado para o Meio Ambiente

Com trânsito entre produtores e ambientalistas, ele defende a valorização dos ativos ambientais


05.12.18

Produtor rural, pecuarista e preservacionista com ampla circulação entre as maiores entidades ambientalistas. As atividades frequentemente citadas em campos opostos aparecem juntas e em sintonia no currículo do paulista Caio Penido, presidente do Grupo de Trabalho da Pecuária Sustentável (GTPS), nome que surgiu ontem entre os cotados para assumir o Ministério do Meio Ambiente no futuro governo de Jair Bolsonaro. Penido é um raro personagem capaz de circular e ser ouvido tanto nos círculos de produtores quanto nos fóruns que debatem sustentabilidade e preservação ecológica. Seu discurso, em qualquer ambiente, prega a busca e a elaboração de uma agenda comum entre os agropecuaristas e os movimentos ambientalistas, que beneficia o Brasil como um todo. A base dessa conversa ficaria em torno da valorização dos ativos ambientais como estratégia de preservação, aplicando o Código Florestal. Ou seja, remunerar os produtores pelo serviço ambiental prestado, incentivando e premiando os que preservam. Procurado pela PLANT para comentar uma possível indicação, Penido afirmou que não foi contatado pela equipe de transição e acredita que não tem perfil para o cargo.

O empresário paulista, de 45 anos, é acionista do Grupo Roncador, complexo empresarial de sua família cujos negócios estão divididos em agricultura, pecuária e mineração, além de participações em outras companhias. A base produtiva fica no Vale do Araguaia, em Mato Grosso, com a retaguarda administrativa instalada na capital paulista. Sua Fazenda Água Viva — propriedade adquirida da família no município de Cocalinho (MT), onde investe em um moderno sistema de cruzamento industrial para produção de carne bovina com elevado padrão de qualidade — transformou-se num case internacional de manejo sustentável. Ele foi um dos criadores da Liga do Araguaia, programa dedicado a estimular e replicar práticas de intensificação sustentável na pecuária de corte, promovendo, a partir da difusão e da adoção de tecnologias modernas, o aumento da oferta de alimentos para o mundo, regularizando as propriredades ambientalmente dentro do que prega o Código Florestal e melhorando o balanço de carbono das atividades agropecuárias. Escolhido pela PLANT PROJECT como um dos protagonistas da edição 2018 da série TOP FARMERS, foi também titular da coluna “Agroambiental”, publicada atualmente em parceria com o GTPS. Nos textos, ele expressa claramente algumas de suas ideias. Confira alguns trechos:

“Nós somos grandes produtores de alimentos e também prestamos, em nossos seis biomas, uma série de serviços ambientais ou ecossistêmicos que tornam a existência no planeta mais fácil e contribuem para a conservação de nossos recursos naturais. O que falta são ferramentas de remuneração por estes serviços que estimulem a conservação e a preservação. Essa biodiversidade prestadora de serviços ambientais deve ser uma vantagem competitiva do Brasil.”

“Não precisamos polarizar em duas visões unilaterais. Existe outro caminho, um caminho onde todos ganham, onde o proprietário de terra é respeitado, o meio ambiente conservado e o Brasil reconhecido e seus produtos valorizados! Por que um país como o Brasil, com potencial para ser um protagonista para solucionar duas grandes crises mundiais, é visto como um problema e não uma solução?”

“É hora de firmarmos um pacto de transparência e confiança mútua entre setor produtivo e o movimento ambientalista, buscando encontrar o caminho da conciliação e do bom senso. Nos fóruns sobre o tema que frequento vejo pessoas exaustas, tensas, inseguras e que estão recorrendo a calmantes para aguentar essa disputa radical e sem fim.”

Países desenvolvidos, que abriram mão de boa parte de seus ativos ambientais para se tornarem ricos, devem agora nos ajudar a valorizar nossas florestas através do apoio a implantação de mecanismos de pagamento por serviços ambientais (PSA) e de compensação ambiental. Entre outras funções, as florestas liberam oxigênio e umidade, garantem um estoque de carbono que não irá para a atmosfera e asseguram a possibilidade futura de pesquisas botânicas e medicinais.”

“Então eu me pergunto: se essa floresta tem mesmo valor para o mundo, por que o Brasil não é reconhecido e recompensado como grande guardião desses recursos?”