A aviação, o agro e o Nordeste

Coluna AGRO COM ASAS - Por Tiago Dupim


05.12.18

Com 13 anos de experiência no mercado aeronáutico, o paranaense Tiago Dupim atuou como repórter, editor-executivo e editor-chefe de algumas revistas do setor. Atualmente, comanda a B2B Comunicação. Morou duas décadas em São Paulo e está há dois anos no Rio de Janeiro. Nas horas vagas (que são muito poucas) gosta de ouvir um bom rock’n roll, beber um bom vinho ou cerveja e acompanhar, mesmo que a distância, o Clube Atlético Paranaense, seu time de coração.

É fato que, nos últimos anos, o Nordeste brasileiro cresceu e viu a sua economia se transformar. Com mais investimentos, a região prosperou (apesar de ainda estar aquém dos principais centros urbanos do Sul e Sudeste do país). E muito disso se deve ao agronegócio que, puxado pelo pujante oeste baiano, elevou várias cidades a um novo patamar.

No entanto, na área da aviação comercial, pouca coisa mudou por lá. É fato que na última década surgiram novos e mais voos para algumas cidades, mas a infraestrutura ainda está longe do ideal. E sem aviação, amigos, não há produtividade. Por mais que os fazendeiros tenham apostado cada vez mais em aviões particulares, a cadeia que envolve a produção de insumos na lavoura exige deslocamento rápido também de muitos outros empresários ou empresas envolvidas no negócio.

Na semana passada, o Brasil deu o primeiro passo para melhorar a infraestrutura aeroportuária na região. O governo federal anunciou que vai conceder 12 aeroportos para a iniciativa privada. E seis deles estão no Nordeste: Aeroporto Internacional do Recife-Guararapes (Gilberto Freyre), Aeroporto de Maceió (Zumbi dos Palmares), Aeroporto de Aracaju (Santa Maria), Aeroporto de João Pessoa (Presidente Castro Pinto), Aeroporto de Juazeiro do Norte (Orlando Bezerra de Menezes) e Aeroporto de Campina Grande (Presidente João Suassuna).

A data do leilão e o prazo de concessão já estão definidos: 15 de março de 2019, na Bolsa de Valores de São Paulo, e 30 anos para todos os aeroportos. O valor mínimo para este lote que envolve o Nordeste é de R$ 171 milhões.

Leia também: O Alento do Bioquerosene

Com a privatização, a tendência é que a qualidade dos serviços prestados para os consumidores melhore nos terminais de passageiros. Para as companhias aéreas, pode ser um incentivo até mesmo para a abertura de novos voos para esses locais.

Para muitos brasileiros, o Nordeste se destaca por conta das viagens a lazer. No entanto, os anos têm nos mostrado que a política para tornar o Nordeste desenvolvido apenas por meio do turismo não tem sido eficaz. Quem realmente é o dono da economia local é o agro, que precisa demais da aviação para se auto alimentar.

Como toda melhoria é bem-vinda, vamos torcer para que as empresas que levarem esse leilão tornem esses aeroportos modernos e eficazes. O agronegócio e aqueles que viajam a lazer agradecem.

Clique aqui para conferir todas as #ColunasPlant.