A concorrência desleal tem de ficar no chão

Coluna AGRO COM ASAS - por Tiago Dupim


25.09.18

Com 13 anos de experiência no mercado aeronáutico, o paranaense Tiago Dupim atuou como repórter, editor-executivo e editor-chefe de algumas revistas do setor. Atualmente, comanda a B2B Comunicação. Morou duas décadas em São Paulo e está há dois anos no Rio de Janeiro. Nas horas vagas (que são muito poucas) gosta de ouvir um bom rock’n roll, beber um bom vinho ou cerveja e acompanhar, mesmo que a distância, o Clube Atlético Paranaense, seu time de coração.

Se você ainda não ouviu esta frase, certamente um dia ouvirá: “a chance de um avião cair é menor do que um elevador”. Estaticamente, está incorreta. O avião é o segundo meio de transporte mais seguro do mundo, atrás apenas do elevador.

Enfim, esses primeiros exatos 194 toques acima servem apenas para mostrar que voar é mesmo muito seguro. Mas para que vidas continuem sendo preservadas são necessários diversos procedimentos padrão, desde a concepção da aeronave (como a redundância, que é o principal fator de segurança), passando pela parte operacional e pela manutenção. Tudo isso se faz dentro de um escopo de leis e normas que precisam ser rigorosamente cumpridas.

E por mais que algumas regras que regem a aviação brasileira sejam cercadas de polêmicas (como a autorização para que as companhias aéreas cobrem pelas bagagens despachadas), outras são necessárias e unânimes, pois servem para preservar o direito daqueles que andam dentro da linha e também a vida dos passageiros.

Este ano, finalmente a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) resolveu pegar pesado com o famoso táxi-aéreo pirata. Em junho, lançou a campanha intitulada “Voe seguro, não use táxi-aéreo clandestino” para conscientizar os usuários sobre os riscos de contratar esse serviço irregular.

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Há tempos essa prática ilegal interfere diretamente no faturamento das empresas de táxi-aéreo legalizadas. O que acontece é o seguinte: geralmente algumas empresas que possuem registro na Anac para realizar voos de fotografia ou panorâmicos, mas não para o transporte remunerado de pessoas, acabam realizando essa atividade. Tem também os proprietários de aeronaves que as cedem para os pilotos realizarem voos de táxi-aéreo para terceiros, como uma forma de minimizar os custos com hangaragem e manutenção.

No entanto, nesse País (infelizmente), problemas sérios (mas que não são de interesse coletivo) só ganham destaque na grande mídia quando estão relacionados a celebridades. Até mesmo dois acidentes que ocorreram com noivas que eram transportadas para os seus casamentos a bordo de táxi-aéreo pirata não foram suficientes para que alguma medida eficaz fosse tomada.

Em maio, um avião que transportava duas cantoras famosas foi interditado por indícios de táxi-aéreo clandestino. No mês seguinte, a campanha da Anac foi lançada. Só em setembro, durante as fiscalizações que ocorreram nos estados do Mato Grosso do Sul (MS) e no Ceará (CE), foram suspensas sete aeronaves e uma habilitação de piloto.

Agora, será que precisava esperar tanto tempo para agir contra essa concorrência desleal que tanto atrapalha quem quer trabalhar honestamente no País? Certamente não. E quando se trata da aviação, em que milhões de vidas estão em jogo, coibir atividades ilícitas é fundamental para o bem-estar do setor.

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TAGS: Anac, Aviação Geral, Táxi-Aéreo