Procura-se pilotos, uma profissão que decola

Coluna AGRO COM ASAS - Por Tiago Dupim


31.07.18

Com 13 anos de experiência no mercado aeronáutico, o paranaense Tiago Dupim atuou como repórter, editor-executivo e editor-chefe de algumas revistas do setor. Atualmente, comanda a B2B Comunicação. Morou duas décadas em São Paulo e está há dois anos no Rio de Janeiro. Nas horas vagas (que são muito poucas) gosta de ouvir um bom rock’n roll, beber um bom vinho ou cerveja e acompanhar, mesmo que a distância, o Clube Atlético Paranaense, seu time de coração.

Serão necessários 790.000 comandantes para a aviação comercial nos próximos 20 anos. Esse dado, divulgado recentemente pela Boeing em seu Pilot & Technician Outlook 2018-2037, ao mesmo tempo que empolga, preocupa. Explico. O estudo do fabricante norte-americano, que antecipa tendências e mostra quantos profissionais serão necessários para vários segmentos da aviação nos próximos anos, realmente é bem preciso e confiável. Então, desde já, o mundo aeronáutico já pode se preparar para o que está por vir.

Não é fácil formar 790.000 pilotos (ou 39.500 por ano). Primeiro é preciso que todos eles tenham a paixão pela aviação, pois dificilmente alguém escolhe uma profissão pela qual não tenha nenhuma afinidade emocional. Além disso, não é barato investir na formação desses profissionais. Em países como os Estados Unidos ou na Europa, cuja cultura aeronáutica e a economia são bastante desenvolvidas, é mais fácil. No Brasil é outra história.

Além de a aviação estar muito longe de ser um hobby para a imensa maioria dos brasileiros, custa caro realizar o sonho de ser um comandante por aqui. Os valores envolvidos em todas as áreas da aviação são muito altos. No segmento de formação não é diferente. Desde a matrícula no curso teórico de piloto privado de avião até conseguir a licença para ser um piloto comercial é preciso desembolsar, no mínimo, R$ 90 mil. No entanto, dependendo da aeronave a ser utilizada para as aulas práticas, pode chegar até R$ 140 mil. Esses valores já incluem os cursos teóricos e todas as horas de voo. É  um investimento alto, que só é possível ser feito por uma parcela mínima da população. Infelizmente. Quem tem hoje R$ 90 mil reais para investir em curto prazo numa profissão?

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É óbvio que uma porcentagem bem pequena desses milhares de comandantes que o planeta espera até 2037 será absorvida diretamente pelo Brasil. E para que isso seja desenvolvido plenamente, é fundamental que o país volte a crescer pois, historicamente, a aviação acompanha o crescimento do PIB.

Com essa esperada demanda das companhias aéreas por novos pilotos nos próximos anos, muitos outros setores da aviação serão beneficiados. Com maior poder aquisitivo, a tendência é que tenhamos mais interessados em fazer o curso. Com isso, as escolas de aviação precisarão de mais aviões e instrutores. Aviões este que, certamente, movimentarão as oficinas de manutenção, isso para citar apenas alguns setores.

Também haverá reflexos na aviação privada. A busca das companhias aéreas por profissionais capacitados pode atrair pilotos que hoje comandam aeronaves menores, pertencentes a empresas de outros setores. A tendência, com isso, será uma demanda maior por profissionais, que custarão mais caro para os priprietários de aviões particulares.

O estudo está na mesa das companhias aéreas brasileiras, que este ano voltaram a crescer e já vislumbram um futuro melhor. Cabe agora esperar que a economia ajude.

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TAGS: Aviação Comercial, Boeing