O Agricultor Primeiro

Coluna AGRONOMÍDIA - Por Ricardo Campo


15.07.18

Ricardo Campo é “agro e não arreda o pé!”. Especialista em comunicação, já atuou no time de marketing da DSM/Tortuga e hoje integra a equipe do Rabobank Brasil. É técnico em artes gráficas pelo SENAI, graduado em propaganda pelo Mackenzie, especialista em marketing de varejo pelo Senac e com MBA em marketing pela FGV. Adora fotografar o cotidiano agrícola e também é instrutor do Educapoint para o curso online de “Marketing e Marcas no meio Rural”.

Vem da sabedoria matuta o ditado que diz que, quando se bota um ovo, é preciso cacarejar. E isso vale muito bem para o meio rural, onde é necessário ir a campo para produzir, mas sem deixar de lado a oportunidade de se comunicar.

Dentro da porteira, a comunicação interna surge como aliada para que processos sejam seguidos e melhores resultados operacionais sejam atingidos. Fora da porteira e além, a comunicação de marketing pode ser ferramenta para adição de valor e auxiliar na interlocução com o mercado e partes interessadas.

Todos os dias comemos, vestimos e utilizamos produtos da agropecuária. Mas, infelizmente, ainda há falta de comunicação entre campo e cidade, algo que resulta em desinformação, criação de mitos e estigmas. Como este é um dilema que deve estar na pauta de todos os agentes do agro, aqui em Agronomídia não seria diferente.

Criando pontes, unindo o rural ao urbano

 Como parte do programa Agrolíderes Rabobank realizado na Colômbia, conheci o trabalho da Croplife Latin America, uma união internacional sem fins lucrativos que representa o setor de insumos e ciências de cultivo, conectando empresas e associações do setor em 18 países. E é justamente uma iniciativa desenvolvida por esta entidade para aproximar o campo à cidade que gostaria de compartilhar por aqui, o case de ativismo digital “El Agricultor Primero“.

Agradecer, dignificar e honrar o trabalho do campo. Num mix envolvendo site, Facebook, Instagram, Twitter e Youtube, o movimento se propõe a dar visibilidade, realçar e posicionar o agricultor como provedor de alimentos ao público urbano.

O objetivo é informar e familiarizar quem vive na cidade sobre a agricultura para que haja um compromisso de difundir informação, apoiar políticas públicas que beneficiem os agricultores e adotar novos comportamentos, como evitar o desperdício de alimentos.

Informação e design descolado em alguns dos posts da campanha no Instagram

Produtor, camponês ou empresário rural?

 O planejamento da campanha é um detalhe relevante, pois partiu dos resultados de uma pesquisa envolvendo Argentina, Bolívia, Peru, Chile, Colômbia, Guatemala e México. Foram entrevistadas 1.255 pessoas, sendo 890 indivíduos das cidades e 365 agricultores.

Dos principais apontamentos, como o desconhecimento da origem dos alimentos e da tecnologia aplicada à agricultura, chama atenção o fato de 82% dos entrevistados considerarem que os agricultores não se comunicam o suficiente junto à opinião pública e 81% afirmarem que não é usual encontrar produtores rurais nos meios de comunicação.

Quando questionados sobre qual das atividades profissionais era imprescindível para o futuro da nossa espécie, espontaneamente, agricultor e cientista surgiram com 40% e 44% das repostas. Considerando que agricultura e tecnologia muitas vezes caminham juntas, excluindo aqui aqueles que abrem mão de recursos tecnológicos para uma produção orientada por ideologia, parece que há uma grande oportunidade de comunicação nas mãos do agro. Talvez falte ao setor apenas uma estratégia para sair dos bastidores da produção e assumir o papel de protagonista no show business da vida real.

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Outros aprendizados importantes também foram acumulados a partir dos comentários e reações às publicações de conteúdos nos canais do projeto. Foi percebido um diferencial semântico na forma como o público das cidades interpreta alguns dos rótulos que podem identificar o homem do campo, sendo que:

– Agricultor: gera empatia e disposição a apoiar suas causas.

– Empresário do agro/agronegócio: não gera empatia, nem disposição ao apoio.

– Camponês: a reação é emotiva, mas gera muita confusão por evocar solidariedade pela associação a “pessoa carente” e a uma ideia romântica de agricultura.

Nem a Copa do Mundo ficou de fora, com destaques agrícolas no perfil do Facebook

Quem não é visto, não é lembrado… 

Além das ações no meio digital, são realizadas ações off-line em cidades, em feiras agrícolas e já foram promovidos fóruns internacionais, na Colômbia e no México, para diálogo com a sociedade, geração de oportunidades de mercado, orientação sobre boas práticas agrícolas e segurança dos alimentos, a food safety.

Para sustentar estas ações, há um investimento estimado de USD$ 350 mil para os três anos de duração do projeto, que já conta com o apoio de mais de 25 mil adesões, 13 mil visitas mensais ao site e perfil do Facebook com mais de 130 mil seguidores.

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Segundo Mónica Velásquez, diretora de comunicação da Crop Life Latin America, “nos próximos meses focaremos em fortalecer a confiança que a cidade deve ter nos produtores e nas boas práticas que se realizam nos cultivos. Convidaremos para que consumam mais frutas e vegetais, que reconheçam o papel das mulheres agricultoras e promoveremos a reflexão sobre a relevância da agricultura para a América Latina”.

Em tempo de guerrilha digital e empoderamento crescente das audiências, este é um exemplo de como o agro pode utilizar as novas mídias para valorização da atividade rural, compartilhamento de informações, esclarecimento de dúvidas e engajamento do público urbano. Isso sem deixar de lado a criatividade e o uso de linguagem visual envolvente.

Achou interessante? Acesse o site da campanha, siga as suas redes sociais e contribua com este movimento. Vamos comunicar o Agro!

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