Os primeiros passos do olivoturismo

Coluna TERROIR - Por Irineu Guarnier Filho


02.05.18

Irineu Guarnier Filho é jornalista especializado em agronegócio, cobrindo este setor há três décadas. Metade deste período foi repórter especial, apresentador e colunista dos veículos do Grupo RBS, no Rio Grande do Sul. É Sommelier Internacional pela Fisar italiana, recebeu o Troféu Vitis, da Associação Brasileira de Enologia (ABE), atua como jurado em concursos internacionais de vinhos e edita o blog Cave Guarnier. Ocupa o cargo de Chefe de Gabinete na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, prestando consultoria sobre agronegócio.

Vitivinicultura e olivicultura são atividades agrícolas que guardam muitas semelhanças entre si. Videiras e oliveiras convivem harmoniosamente em regiões ensolaradas, com clima seco e solos pedregosos. O vinho e o azeite – parceiros inseparáveis na dieta mediterrânea – são alimentos que, além de comprovadamente fazerem bem à saúde, estão profundamente enraizados na cultura gastronômica ocidental. E ainda atraem às adegas e aos lagares legiões de turistas da boa mesa.

Em Portugal, notadamente, mas também em outras países europeus que produzem muito azeite, como a Espanha, a Grécia e a Itália, o olivoturismo oferece aos turistas a experiência única de visitar olivais, participar da colheita, conferir a prensagem das azeitonas e, em seguida, degustar o sumo extraído – programa muito semelhante aos oferecidos pelas vinícolas.

No Sul do Brasil, o enoturismo é um sucesso – especialmente na Serra Gaúcha. Hotéis, restaurantes e vinícolas de alto padrão oferecem um rico cardápio de atrações a enófilos de todos os calibres. Mas, como no Brasil a “cultura do azeite” engatinha, ainda não temos por aqui nada que possa ser chamado com propriedade de olivoturismo.

No entanto, o desenvolvimento acelerado da atividade no Rio Grande do Sul – principal produtor de azeite do país, com mais de 3,4 mil hectares de olivais e 145 produtores, que elaboram quase 60 mil litros por safra – mostra que existe aí um filão turístico a ser explorado.

Apaixonado pela olivicultura, o empresário paulista Luiz Eduardo Batalha (que trouxe a cadeia Burger King para o Brasil) é um precursor também neste terreno. Em Pinheiro Machado, na Campanha Gaúcha, onde cultiva 400 hectares de olivais, as visitas à fazenda da família Batalha começaram timidamente – mas já estão virando atração turística regional. Somente em 2017 a propriedade recebeu mais de 400 visitantes para almoços em que são degustados os azeites da marca Batalha acompanhados de duas outras especialidades locais: os vinhos e a carne de cordeiro.

Batalha não pensa em parar por aí. Depois de ver produtos de sua marca premiados na Europa, ele acredita que é necessário, agora, desenvolver entre os brasileiros a cultura do azeite – que se encontra hoje no mesmo estágio em que estava há cerca de 20 anos a cultura do vinho. Só que, ao contrário do vinho, que levou décadas para ser assimilado pelo consumidor brasileiro, o azeite nacional já arranca com alta qualidade e reconhecimento internacional. São boas razões para levar turistas aos olivais.

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