Agro e avião, uma dupla inseparável

Coluna AGRO COM ASAS - Por Tiago Dupim

“Quem mal lê, mal ouve, mal fala, mal vê”

Monteiro Lobato


08.05.18

Com 13 anos de experiência no mercado aeronáutico, o paranaense Tiago Dupim atuou como repórter, editor-executivo e editor-chefe de algumas revistas do setor. Atualmente, comanda a B2B Comunicação. Morou duas décadas em São Paulo e está há dois anos no Rio de Janeiro. Nas horas vagas (que são muito poucas) gosta de ouvir um bom rock’n roll, beber um bom vinho ou cerveja e acompanhar, mesmo que a distância, o Clube Atlético Paranaense, seu time de coração.

Em qualquer canto do mundo, não se faz agronegócio sem aviação. E num país de dimensões continentais como o Brasil, o uso da aeronave (não apenas para o trabalho de pulverização agrícola, mas também no deslocamento para as fazendas) é fundamental. Os números mostram que, na prática, chegar em cidades pequenas do Brasil agro, por via aérea, nem sempre é fácil.

Atualmente, o transporte aéreo regular brasileiro atende pouco mais de 120 cidades, 30% menos do que dez anos atrás (o que já era péssimo). Na prática, isso significa que apenas 2,5% dos 5.570 municípios brasileiros são acessados pelas companhias aéreas. Isso são dados, e não uma mera especulação. Não precisa ser um expert no assunto para perceber o quanto a nossa realidade é preocupante.

Paradoxalmente, o número de passageiros transportados por via aérea mais do que dobrou nos últimos dez anos, superando até mesmo o modal rodoviário. Então por que ainda temos essa disparidade tão grande?

O nome do jogo é rentabilidade. Em busca dela, as companhias aéreas concentram basicamente as operações nas rotas troncais, excluindo a imensa maioria das cidades de pequeno e médio portes, também importantes economicamente para o desenvolvimento do país. É assim que boa parte da aviação regular continua ignorando regiões que, anos atrás, era atendida pela aviação regional, hoje praticamente extinta no país pela falta de competitividade.

A Azul é a única que segue em outra rota. Desde o seu surgimento implantou um modelo de negócios diferente, elegeu como hubs aeroportos até então pouco explorados (como Viracopos, em Campinas), apostou na mundialmente bem-sucedida família E-Jets da Embraer para as rotas principais e nos bimotores ATR para as rotas de baixa densidade. No entanto, ainda é pouco para a real necessidade do nosso transporte aéreo.

É justamente nas cidades em “esquecidas” pela aviação que se encaixa o gargalo do agronegócio. Com isso, toda a cadeia que envolve um setor altamente dependente do modal aéreo para crescer depende apenas da aviação de pequeno porte, que também não voa num céu de brigadeiro principalmente por conta da falta de infraestrutura e instabilidade do dólar frente ao real.

Não à toa, portanto, fabricantes da aviação executiva enxergam no agronegócio a grande possibilidade de voltar a crescer em tempos de crise econômica. Não faltam modelos por aqui para atender tudo quanto é tipo de missão relacionada ao agribusiness pelo interior afora desse nosso Brasil. Só que isso é tema para uma próxima coluna.

Será sobre esses dois mundos diferentes (agronegócio e aviação), mas tão próximos em vários aspectos, que escreverei por aqui a cada duas semanas, trazendo análises e novidades. Bem-vindos a bordo!

 

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